A escalada autoritária e os limites do modelo de Bukele
As direitas da América Latina enxergam no presidente salvadorenho um modelo de combate ao crime organizado. Sua política linha-dura multiplica as violações dos direitos humanos em nome da luta contra as quadrilhas. Ela inspira outros Estados, como o Equador, e encanta Washington, que expulsa seus incômodos migrantes para as prisões do país centro-americano
Durante muito tempo sinônimo de guerra civil e esquadrões da morte, El Salvador passou a ser conhecido pela violência de seu crime organizado. Essa imagem está prestes a se tornar obsoleta também. Sob a presidência de Nayib Bukele, no poder desde 2019 e reeleito por cinco anos em 2024 com cerca de 85% dos votos, as duas principais pandillas [quadrilhas] que dilaceravam o país – a Mara Salvatrucha (MS-13) e o Barrio-18, com suas duas facções, os Revolucionarios e os Sureños – foram derrotadas. Seus membros estão presos, quando não desaparecidos. Na década de 2010, a violência atingiu níveis comparáveis aos do Iraque ou da Síria, mas em 2024 a taxa de homicídios apresentou uma queda de 98% em relação a meados da década anterior. Por trás dessa transformação, uma política de choque – o encarceramento de três homens adultos em cada cem – em razão da qual Bukele se…

