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Professores viraram fonte de lucro para a extrema direita
Estudo com 3 mil educadores aponta que 59% dos professores brasileiros já sofreram censura no trabalho. A perseguição ao trabalho docente é estimulada pela extrema direita e utilizada como plataforma política. Nas próximas páginas, as autoras da pesquisa analisam seus resultados (ver abaixo) e docentes trazem os relatos das violências sofridas nas escolas (págs. 6 a 9)
A violência como método
Sigo lutando pela responsabilização do agressor e dos parlamentares que instrumentalizam seus mandatos para perseguir a nós, educadores
“O conhecimento histórico devia ser submisso à ‘visão do aluno’”
Professores reforçaram o rigor metodológico e criaram novos métodos discursivos para evitar conflitos em sala
Perda
Meu corpo foi violentado de forma simbólica e concreta: me tirando da sala de aula, perpetuando violências de alunos, me removendo da minha escola de lotação
“Há ‘denúncias’ de que eu trabalhava questões femininas e raciais demais”
Na rede estadual, muitos processos antigos, sobretudo de professores militantes e ativistas, têm sido recuperados e retomados no intuito de exonerá-los
Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei
O Brasil volta a enfrentar uma sucessão de escândalos que revelam a captura do Estado por interesses privados. Do caso Master às emendas Pix, multiplicam-se denúncias de desvio de recursos, favorecimentos e impunidade, envolvendo políticos, Judiciário e setores empresariais. Mais do que episódios isolados, os fatos levantam uma questão central: a corrupção é um desvio do sistema ou parte estrutural de seu funcionamento?
A conta da habitação
Quando o aluguel, o crédito ou a conta de energia devoram uma parcela crescente da renda, é preciso reduzir outras despesas às vezes essenciais (alimentação, saúde, educação, lazer…)
Cuba, completamente sozinha
Depois da Venezuela, Cuba. Donald Trump prossegue sua política agressiva na América Latina. Ao proibir Caracas de abastecer Havana com petróleo, ele coloca o país comunista, já abalado por uma série de crises devastadoras, numa situação econômica e social insustentável – na expectativa de provocar seu colapso
A escalada autoritária e os limites do modelo de Bukele
As direitas da América Latina enxergam no presidente salvadorenho um modelo de combate ao crime organizado. Sua política linha-dura multiplica as violações dos direitos humanos em nome da luta contra as quadrilhas. Ela inspira outros Estados, como o Equador, e encanta Washington, que expulsa seus incômodos migrantes para as prisões do país centro-americano
Crianças exploradas nos pomares da Califórnia
Há décadas, crianças nascidas nos Estados Unidos colhem frutas na Califórnia ao lado dos pais imigrantes. As lutas sindicais das décadas de 1960 e 1970 lhes garantiram alguns direitos, mas não o suficiente para viverem com dignidade, protegidas de acidentes de trabalho e dos pesticidas. A isso, a polícia de imigração soma agora o medo da deportação dos pais
Os Estados Unidos querem expulsar a China do Congo
Principal produtor mundial de cobalto e segundo maior produtor de cobre, a República Democrática do Congo tornou-se um dos principais palcos da ofensiva norte-americana para assegurar o acesso a minérios estratégicos, em meio a uma rivalidade crescente com Pequim. Apoiados pela Casa Branca, os investidores procuram se instalar em um país ainda vítima de uma guerra mortal
No Marrocos, a indignação popular explode no campo
Parceiro privilegiado da União Europeia, o Marrocos conheceu várias ondas de protestos nos últimos anos, entre as quais a da “GenZ 212”, nome escolhido pela juventude revoltada com as desigualdades e a corrupção. As reivindicações dos jovens ecoam as dos trabalhadores agrícolas, que se beneficiam muito pouco das receitas geradas pelas exportações de frutas e hortaliças
A bordo do trem-bala chinês
O que é o trem de alta velocidade chinês? Um ecossistema técnico integrado em escala vertiginosa, uma proeza técnica com um equilíbrio econômico frágil, um potente vetor de integração regional. Tudo isso, sem dúvida, mas também uma vitrine que a China gosta de apresentar ao mundo, o que a imprensa local chamou de “diplomacia do trem-bala”. Bem-vindo a bordo
Resposta aos meus detratores
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean‑Noël Barrot, insiste: a relatora especial das Nações Unidas sobre a situação nos territórios palestinos ocupados deve renunciar ao cargo… Mas por declarações que ela não fez. Francesca Albanese responde, em nossas páginas, à vasta campanha de difamação de que é vítima
Qual será a sucessão para o Irã?
“Por que o Irã ainda não se rendeu?”, perguntava o presidente norte-americano, Donald Trump, em 20 de fevereiro. Enquanto o regime teocrático não dá mostras de que deve ceder, a repressão conduzida em janeiro passado contra sua população demonstra, mais uma vez, seu fracasso. Embora Washington não tenha renunciado ao uso da força, elites da classe média iraniana aguardam sua hora
Um olhar kantiano sobre a desordem internacional
No fim do século XVIII, o filósofo Immanuel Kant se engajou no terreno cosmopolita e refletiu sobre as condições para uma “paz perpétua”. Seu pensamento, fundador do direito internacional, permanece vivo. Ele ilumina as dinâmicas bélicas, os dilemas de segurança, os bloqueios diplomáticos e as trágicas reviravoltas que caracterizam nossa época
A invenção do “rombo da seguridade social”
Os sistemas de proteção social colocados em prática por muitos países após a Segunda Guerra Mundial concebiam a saúde como condição necessária ao bem-estar. Oito décadas depois, ela surge nos discursos públicos e na mídia apenas como uma “despesa” contábil. Nesse meio-tempo, a questão foi cenário de uma disputa silenciosa nas instituições internacionais
O que a IA impõe ao jornalismo
É só comparar a eficiência dos robôs conversacionais e a mediocridade da informação produzida pela maioria dos meios de comunicação para perceber uma amarga ironia: voluntariamente subordinado à pressão do clique e do imediatismo, o jornalismo se tornou por si só automatizável. Diante da inteligência artificial, a imprensa deve se refazer ou desaparecer
Montpellier aposta na gratuidade do transporte
Maior conurbação desse porte a tornar ônibus e bondes gratuitos, a metrópole de Montpellier vê a utilização desses meios disparar. Esse sucesso político de curto prazo tende, porém, a tensionar as finanças locais, especialmente porque a reorientação dos hábitos para modos de transporte sustentáveis exige uma oferta de qualidade. Enquanto isso, tal instrumento social abala os privilégios do automóvel na cidade
Stranger Things, a virtude segundo a Netflix
Um dos paradoxos da era digital é este: por um lado, as grandes plataformas globalizam certas formas culturais; por outro, elas fragmentam os públicos em silos autônomos. Séries de sucesso emergem como referências comuns para populações relativamente heterogêneas. Elas carregam a marca contraditória de uma época em que tudo é mercadoria, até mesmo a contestação
Mas por que um carneiro?
As leituras eruditas de hoje se prendem mais às profundezas atribuídas ao conto do que a seus valores humanistas
Miscelânia
Confira a resenha dos livros Sombras, de Luise Weiss, Fabio Brazil, Felipe Valério e Wanda Gomes; Letra empunho, de Gustavo Florêncio Fernandes e Tempo de amar, horas roubadas, de Marcos de Moura Oliveira

