QUESTÃO OCULTA

A conta da habitação

Quando o aluguel, o crédito ou a conta de energia devoram uma parcela crescente da renda, é preciso reduzir outras despesas às vezes essenciais (alimentação, saúde, educação, lazer…)

A cada cidade, sua crise da habitação – e, em período de eleições municipais, sua promessa de remédios. Em L’Isle-sur-la-Sorgue (Vaucluse), os candidatos comprometem-se a regular melhor os aluguéis de imóveis mobiliados para turismo, que esvaziaram o centro da cidade de seus moradores e fizeram subir os preços. No Morbihan, em Carnac, as críticas concentram-se nas residências de veraneio: essas casas com as persianas fechadas dez meses por ano representam 40% do parque habitacional, chegando a 70% em alguns bairros. Nas grandes cidades, a escassez de oferta para locação reavivou o debate sobre o controle de aluguéis. Em outros lugares, como Nevers e Châtellerault, a vacância se espalha e os centros se desestabilizam. As causas divergem, mas os efeitos convergem: morar, uma das necessidades fundamentais da humanidade, torna-se um desafio num dos países mais desenvolvidos do mundo. Os números dão a dimensão do problema. A França conta hoje com 350…

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