“Há ‘denúncias’ de que eu trabalhava questões femininas e raciais demais”
Na rede estadual, muitos processos antigos, sobretudo de professores militantes e ativistas, têm sido recuperados e retomados no intuito de exonerá-los
Eu, Veruschka de Sales Azevedo, sou professora de História da rede básica de ensino do estado de São Paulo, concursada e nomeada em fevereiro de 2000. Sou mestre e doutora em História. Durante anos sofri um doloroso processo de perseguição política no meu ambiente de trabalho, que redundou em minha exoneração do serviço público. Concursada no interior paulista, em Sertãozinho, quando ainda fazia mestrado na Unesp, permaneci no município por quatro anos e depois voltei para minha cidade na grande São Paulo, Guarulhos. Empolgada em voltar a lecionar na escola na qual estudei, pedi a transferência do cargo para lá em 2005. Ao chegar, reencontrei antigos professores e um corpo gestor novo e pouco afeito às iniciativas democráticas que devem reger o espaço público. Os primeiros embates vieram quando os professores não eram consultados para opinar sobre as verbas recebidas diretamente pela escola, a chamada verba-MEC. Eu e um conjunto…

