UMA PROFISSÃO QUE TORNOU A SI MESMA AUTOMATIZÁVEL

O que a IA impõe ao jornalismo

É só comparar a eficiência dos robôs conversacionais e a mediocridade da informação produzida pela maioria dos meios de comunicação para perceber uma amarga ironia: voluntariamente subordinado à pressão do clique e do imediatismo, o jornalismo se tornou por si só automatizável. Diante da inteligência artificial, a imprensa deve se refazer ou desaparecer

Há três anos, a World Association of News Publishers (WAN-Ifra) organiza sessões de formação destinadas a editores e jornalistas, exortando-os a “abraçar um futuro moldado pela inteligência artificial (IA)”. Para esse agrupamento patronal, trata-se de preparar rapidamente os profissionais da informação para um futuro considerado ao mesmo tempo inevitável e desejável. Batizado de “Catalisador de IA para a redação”, seu programa tem como alvo a Europa, o Pacífico Asiático, o sul da Ásia, a América Latina e a Austrália, e engloba todas as atividades de uma empresa de imprensa: produção de notícias “orientada por dados”, análise algorítmica das audiências, gestão gerencial, geração automática de conteúdos e monetização. Após três meses de formação, os participantes dispõem de “um roteiro claro”[1] para integrar essas ferramentas ao seu cotidiano. A London School of Economics (LSE) segue na mesma linha. Seu programa “Journalism AI” deu origem à compilação de um guia de “melhores práticas”…

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