EDITORIAL

Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei

O Brasil volta a enfrentar uma sucessão de escândalos que revelam a captura do Estado por interesses privados. Do caso Master às emendas Pix, multiplicam-se denúncias de desvio de recursos, favorecimentos e impunidade, envolvendo políticos, Judiciário e setores empresariais. Mais do que episódios isolados, os fatos levantam uma questão central: a corrupção é um desvio do sistema ou parte estrutural de seu funcionamento?

Estamos, mais uma vez, às voltas com escândalos no mundo financeiro, no Judiciário, no Parlamento. O caso Master e as emendas Pix são o foco de crimes praticados que desviam bilhões do dinheiro público, lavam dinheiro do crime organizado, atendem a interesses privados e favorecem parlamentares que agora, com as emendas, têm milhões para gastar conforme suas conveniências. O caso Master coloca políticos sob investigação, como o deputado federal Arthur Lira (ex-presidente da Câmara dos Deputados), Davi Alcolumbre (presidente do Senado) e o governador de Brasília, Ibaneis Rocha. Também estão envolvidos membros do Supremo Tribunal Federal, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que deveriam se declarar impedidos de julgar o caso porque suas famílias têm negócios com o Master. Mas, é bom que se diga, a leniência com atividades e iniciativas proibidas aos ministros do Supremo levou muitos deles a desenvolver atividades pouco ortodoxas, como encontros jurídicos fora do…

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