Montpellier aposta na gratuidade do transporte
Maior conurbação desse porte a tornar ônibus e bondes gratuitos, a metrópole de Montpellier vê a utilização desses meios disparar. Esse sucesso político de curto prazo tende, porém, a tensionar as finanças locais, especialmente porque a reorientação dos hábitos para modos de transporte sustentáveis exige uma oferta de qualidade. Enquanto isso, tal instrumento social abala os privilégios do automóvel na cidade
“Em 2018 e 2019 ocorreram dois fenômenos maiores em nossa história social: os Coletes Amarelos e as Marchas dos Jovens pelo Clima. Ao buscar uma resposta política, comecei a me interessar pela gratuidade dos transportes.” Eleito prefeito de Montpellier e presidente da metrópole em 2020, o socialista Michaël Delafosse fez desse tema um “totem”, um compromisso que constava em seus materiais de campanha. Ele cita com frequência Victor Hugo e o “direito à cidade” de Henri Lefebvre para defender essa escolha “estruturante” que liga “justiça social, transição ecológica e coesão territorial”, em um município onde a taxa de pobreza atinge 28%, contra 15,4% na França metropolitana.[1] De Nova York a Clermont-Ferrand, de Tallinn a Perth, a questão da gratuidade ocupa um espaço crescente nas políticas públicas municipais: alimentação, creche, museu etc. Nos transportes urbanos, as “gratuidades” geralmente atingem apenas uma parte da população: consumidores ou frequentadores nos fins de semana,…

