EXTENUADAS, MAL PAGAS E INTOXICADAS

Crianças exploradas nos pomares da Califórnia

Há décadas, crianças nascidas nos Estados Unidos colhem frutas na Califórnia ao lado dos pais imigrantes. As lutas sindicais das décadas de 1960 e 1970 lhes garantiram alguns direitos, mas não o suficiente para viverem com dignidade, protegidas de acidentes de trabalho e dos pesticidas. A isso, a polícia de imigração soma agora o medo da deportação dos pais

Chamam-na de “saladeira da América”: é no Vale de Salinas, na Califórnia, que cresce a maior parte das verduras folhosas e das frutas vermelhas consumidas em todo o país. Sob um sol escaldante, apesar de algumas nuvens, os colhedores avançam rapidamente, agachados ou curvados, ao longo de intermináveis fileiras de morangueiros. Muitos são menores de idade. Arrancando os frutos da planta com um puxão seco, depositam-nos em bandejas plásticas. Uma caixa contém oito bandejas e rende US$ 2,40. José, de 14 anos, trabalha nos campos desde os 11, todo verão e aos fins de semana durante o período escolar, para complementar o salário da mãe. Ela também trabalha para produtores de morango da região, assim como os irmãos, irmãs, tios e primos de José, quatro dos quais são menores. Há algum tempo, enquanto corria entre torrões de terra com uma caixa nas mãos, José caiu e torceu o tornozelo. A…

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