Um olhar kantiano sobre a desordem internacional
No fim do século XVIII, o filósofo Immanuel Kant se engajou no terreno cosmopolita e refletiu sobre as condições para uma “paz perpétua”. Seu pensamento, fundador do direito internacional, permanece vivo. Ele ilumina as dinâmicas bélicas, os dilemas de segurança, os bloqueios diplomáticos e as trágicas reviravoltas que caracterizam nossa época
A paz perpétua: um projeto filosófico, de Immanuel Kant, escrito há quase dois séculos e meio, ainda parece atual diante do que se passa na cena internacional, especialmente na Ucrânia e em Gaza, mas também no Caribe. Didático, de leitura fácil, o livro destaca a dialética entre a natureza humana, essencialmente egoísta, e a razão potencialmente moral. Há, diz Kant, uma disposição moral adormecida no homem, embora este seja manifestamente egoísta. E não há atividade humana que não se situe entre esses dois polos que moldam a história. Bom e mau simultaneamente na religião e na economia, o homem o é igualmente na política. Assim, quando governa o Estado, não consegue se emancipar de seus condicionamentos patológicos. Kant sublinha que os Estados se comportam como indivíduos em busca permanente de poder para dominar, mas também para resistir à dominação. Contudo, se a política evoluiu e progrediu na forma do Estado-nação…

