O ESTRANHO IMPERIALISMO DE PEQUIM

A China deseja “vencer” o conflito no Irã?

O universo midiático se parece com o “mundo às avessas” descrito pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano. Quanto mais os Estados Unidos violam o direito internacional, mais a China é acusada de ser ameaçadora. É o caso do conflito no Irã, deflagrado por Washington e Tel Aviv, mas no qual sobretudo Pequim estaria “movendo suas peças” e dando livre expressão às suas pretensões imperiais…

Algumas análises parecem autorretratos. Ao revelarem os pressupostos que as sustentam, elas dão informações principalmente sobre aqueles que as formulam. É o caso de muitas análises ocidentais dedicadas às ambições chinesas no contexto da guerra que opõe Estados Unidos e Irã. “[Pequim] pretende explorar o conflito para enfraquecer o poder dos Estados Unidos [...] e sabotar a ordem internacional sob domínio norte-americano”, afirmam dois especialistas na Foreign Affairs.[1] “A China está prestes a dar o golpe de misericórdia?”, pergunta-se, por sua vez, o pesquisador Phillips O’Brien, enquanto, no Le Parisien, o jornalista François Lenglet detalha as razões pelas quais “Pequim vai vencer a guerra do Irã”.[2] Nada indica, contudo, que o Partido Comunista Chinês (PCC) esteja obcecado pela ambição de destronar a hegemonia norte-americana que tão prontamente lhe atribuem. Apesar dos discursos alarmistas sobre a “grande substituição” geopolítica, tudo indica, ao contrário, que Pequim sofre mais com do que provoca…

Leia mais sobre o tema: