Votos reais, realidades sintéticas
Com a entrada definitiva da inteligência artificial generativa no contexto eleitoral, as eleições de 2026 marcam uma nova etapa das campanhas políticas digitais no Brasil. Os desafios não são pontuais e estão alastrados em diferentes ferramentas e lógicas que hoje regem como funciona o que chamamos de internet
Dona Maria, apesar de ter acumulado milhares de seguidores e seguidoras nas redes sociais e milhões de visualizações, não existe. É um perfil criado por inteligência artificial (IA) que, ao longo de 2026, ajudou a moldar debates políticos aparentando ser uma pessoa real. O caso é o mais emblemático de uma tendência de “eleitores e eleitoras sintéticos” – personagens fabricados que defendem ou atacam candidaturas sem que as pessoas tenham clareza de sua artificialidade. E esse é apenas um sintoma de algo maior. Desde os anos 2000, os debates sobre campanhas digitais passaram por fases diversas: da discussão sobre a criação de perfis políticos em redes sociais à ampliação dos debates em rede, com mobilizações, tuitaços, hashtags e similares. Com a entrada definitiva da inteligência artificial generativa no contexto eleitoral, as eleições de 2026 marcam uma nova etapa das campanhas políticas digitais no Brasil. É bem verdade que a IA…

