Doenças do Norte migram para a África
Sinal das transformações em curso na África, as doenças ditas de “países desenvolvidos”, como diabetes e problemas cardiovasculares, se propagam por todo o continente. Se os novos hábitos alimentares estão também em questão, essa degradação da saúde da população origina-se na urbanização acelerada e nas práticas da agroindústria
Elas são chamadas “doenças dos países industrializados” ou “doenças da civilização”; mas na África, a partir de 2030, as doenças não transmissíveis (DNTs) – diabetes e doenças cardiovasculares, sobretudo – deverão provocar mais mortes que as transmissíveis, entre elas a aids.1 Se, no imaginário ocidental, o continente sempre foi visto como uma terra de risco sanitário em razão da malária, da febre amarela, depois da aids e do ebola, hoje ele sofre uma espécie de “dupla punição”: um pesado tributo pago às doenças infecciosas e uma alta das DNTs que onera tanto os sistemas de saúde como as famílias, primeiras provedoras de cuidados.2 O caso da diabetes é exemplar das questões que a expansão dessas patologias coloca na África. Ignoradas ainda com muita frequência, elas se desenvolvem num ritmo rápido. Assumi-las implica uma educação sanitária das pessoas e o envolvimento político dos Estados. “A diabetes sempre existiu em nossos países”,…

