A Crimeia ainda acredita na paz
Desejando obter um cessar-fogo na Ucrânia, os Estados Unidos poderiam reconhecer a Crimeia como território russo – um passo que nem mesmo a China, próxima de Moscou, ousou dar. Essa decisão reforçaria o otimismo singular que reina na península. Tentada a se unir à Rússia desde os anos 1990, sua população continua a aplaudir o “retorno à pátria-mãe”, apesar da guerra
No norte, os combates prosseguem. Porém, neste dia de seu aniversário, Antonina[1] lembra, com a voz embargada, o referendo de 16 de março de 2014. “Era como uma festa, havia bandeiras tricolores em todas as janelas, as pessoas estavam vestidas a caráter... Depois da votação, tomamos um café na cidade. As pessoas se cumprimentavam espontaneamente nas ruas para trocar impressões e comemorar.” Organizado às pressas, na presença de soldados sem insígnias, o resultado do pleito expressou uma vontade majoritária. Com participação superior a 80%, os crimeanos votaram em mais de 96% a favor do vínculo com a Rússia. Se, para Kiev, essa “reunificação” reabre uma ferida mal cicatrizada, para a maioria dos habitantes ela a fecha. Desde 2014, estima-se em mais de 100 mil o número de cidadãos da Federação Russa que vieram se instalar aqui, principalmente vindos de Moscou, São Petersburgo e da região vizinha de Krasnodar. Além de…

