AVANÇO DAS DIREITAS RADICAIS

A era dos procônsules na América Latina

Não faz tanto tempo assim, os Estados Unidos precisavam apoiar golpes militares para domar uma América Latina rebelde. Hoje, o enfraquecimento da esquerda e a escalada da criminalidade favorecem a expansão de uma direita radical na região. Tanto quanto os generais de óculos escuros de outrora, essa corrente se alinha aos desígnios da Casa Branca em seu “quintal”

“Independentes? Não, não! Nenhum país do mundo pode ser independente neste momento!” Abelardo de la Espriella, eleito presidente da Colômbia em 21 de junho, ainda era candidato quando respondeu às perguntas do pastor Miguel Arrázola.[1] Em um país em que 18% da população se declara evangélica,[2] o influente fundador da Igreja Cristã Familiar Rios de Vida, de Cartagena, pergunta ao “Tigre” (o apelido que Espriella, “católico ecumênico”, escolheu para si) sobre a relação que pretende construir com os Estados Unidos e, em especial, com o presidente Donald Trump, na sequência das tensões que azedaram as relações deste com seu homólogo de esquerda, Gustavo Petro.[3] “É a primeira vez que um presidente colombiano [será] republicano”, responde, com um sorriso nos lábios. Espriella continua: “Sou republicano nos Estados Unidos. [...] Votei em Trump na eleição [de 2024]”. Advogado de 47 anos, elegante, o homem ostenta três nacionalidades: colombiana, italiana e norte-americana. Obteve…

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