O BRASIL NA COP30

A esperança verde que vem de Belém

Realizar a conferência no coração da Amazônia é reconhecer que as respostas à crise climática passam pelos territórios e pelos povos que há séculos protegem a floresta

Às vésperas da COP30, o Brasil se vê diante de uma escolha decisiva: tornar-se líder da transição verde global ou repetir os avanços e retrocessos que marcaram sua política ambiental nas últimas décadas. O encontro em Belém, de 10 a 21 de novembro, é a oportunidade de reafirmar o compromisso com a esperança e a justiça climática.

Sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil recuperou o protagonismo que havia perdido nos espaços multilaterais. O país volta a ser reconhecido como articulador de consensos, com voz ativa na defesa do clima. Depois de anos de retrocesso ambiental e isolamento diplomático, o país chega à COP30 com credibilidade restaurada, políticas ambientais retomadas e uma agenda de futuro.

O governo federal reduziu o desmatamento na Amazônia, reativou o Fundo Amazônia e lançou novas estratégias de transição energética. Esses avanços também refletem a liderança da ministra Marina Silva, cuja trajetória é símbolo de coerência e compromisso histórico com a proteção da floresta. Sua presença no comando do Ministério do Meio Ambiente devolveu consistência técnica e credibilidade internacional à política ambiental brasileira.

Ser sede da COP30 é uma responsabilidade e uma oportunidade histórica. O Brasil tem demonstrado empenho para que a reunião gere avanços efetivos. A escolha de Belém como sede é profundamente simbólica. Realizar a conferência no coração da Amazônia é reconhecer que as respostas à crise climática passam pelos territórios e pelos povos que há séculos protegem a floresta. A COP30 será também um espaço de diálogo e de afirmação de um novo modelo de desenvolvimento baseado em justiça socioambiental.

Crédito: Snz58148687/Wikimedia

Os efeitos positivos esperados se estendem muito além das negociações diplomáticas. Uma COP sediada na Amazônia precisa também se traduzir em oportunidades concretas para quem vive no território – fortalecendo economias locais, impulsionando cadeias sustentáveis e garantindo que a criação de trabalho e renda alcance as populações amazônicas. Um evento dessa magnitude deve deixar um legado vivo na região: não só acordos globais, mas transformação real na vida das pessoas que há séculos protegem a floresta.

O governo Lula tem buscado construir uma nova economia sustentável e inclusiva. Essa transição justa exige fortalecer o papel do Estado, regular o uso da terra, enfrentar os interesses da indústria de combustíveis fósseis e garantir que as políticas climáticas incluam quem historicamente foi deixado de fora: as populações periféricas, indígenas e quilombolas. E é neste ponto que precisamos enfrentar com honestidade a contradição representada pela pressão pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Avançar sobre uma nova fronteira fóssil em plena Amazônia aponta na direção oposta ao compromisso climático que o Brasil quer simbolizar na COP30. É um caminho que ameaça ecossistemas sensíveis, atinge povos que dependem do mar e projeta incertezas sobre a própria credibilidade do país no processo de transição.

A COP30 será um divisor de águas. É a chance de o Brasil confirmar seu papel de liderança: não apenas por sua biodiversidade, mas pela capacidade de unir desenvolvimento e sustentabilidade. Como mulher negra e parlamentar, acredito que o Brasil só será líder global se for também exemplo de transição ecológica com equidade – um país capaz de proteger suas florestas e seu povo. A esperança que vem de Belém precisa ser o ponto de partida de um novo pacto entre clima, economia e direitos.

 

Talíria Petrone é deputada federal (PSOL-RJ) e líder da bancada do PSOL na Câmara dos Deputados

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