APAGAMENTO DO COMUNISMO, ASCENSÃO DO ISLÃ

A esquerda indonésia desapareceu

Até meados da década de 1960, a Indonésia abrigava um dos maiores partidos comunistas do planeta. Hoje, três décadas após o fim da ditadura reacionária de Suharto, a esquerda ainda luta para renascer no país. Se a repressão atingiu duramente e enfraqueceu de forma duradoura as organizações progressistas, o recuo também se deu em outro terreno: o da ideologia

Em 2025, várias ondas de manifestações eclodiram em diferentes cidades indonésias.[1] Estudantes, jovens urbanos e trabalhadores precários se mobilizaram contra a corrupção, a insegurança econômica e o crescente autoritarismo do presidente Prabowo Subianto, eleito em 2024. O movimento, porém, não encontrou nenhuma mediação política capaz de converter as manifestações em reivindicações, nem as reivindicações em estratégia. A revolta arrefeceu, e a situação voltou ao normal. Esse episódio levantou uma questão mais ampla: por que, mais de um quarto de século após a queda do regime autoritário de Suharto, conhecido como da Nova Ordem (1965-1998), ainda é difícil surgirem organizações duradouras capazes de se opor às políticas que alimentam a insatisfação social na Indonésia? Para responder a essa questão, é preciso mergulhar nas raízes dos modos de organização da esquerda local e examinar as premissas ideológicas com base nas quais grande parte dos trabalhadores interpreta as questões sociais. O período político…

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