A face miúda da droga - Le Monde Diplomatique

Outro olhar

A face miúda da droga

por Vera da Silva Telles
11 de setembro de 2007
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A trajetória de um pequeno traficante da periferia paulista, existência destinada a “passar sem deixar rastro”, uma história minúscula que se contrapõe aos enredos estereotipados e midiatizados do “Traficante” e do “Crime Organizado”.

Cena corriqueira na periferia paulistana. Um ponto distante da cidade de São Paulo, um bairro feito de irregularidades várias e superpostas. Ocupações e terrenos de propriedade incerta. Tudo muito improvisado, tudo muito precário, ruas esburacadas, sem pavimentação e que se transformam em verdadeiros lodaçais nos dias de chuva. Mas as redes de água e luz, finalmente, chegaram nestes confins. E, junto com elas, o reinado das gambiarras também se espalhou por todos os lados.

Estacionado ali perto, um carro de uma empresa terceirizada que faz o serviço de manutenção de uma grande companhia telefônica. O técnico conversa com um dos moradores do local. É ele quem vai fazer o serviço. Quer dizer: puxar os fios da avenida principal e garantir luz e telefone para todos. Mas a prestação do serviço tem suas formas de regulação. Tudo tem que ser bem negociado. A começar do preço e dos custos a serem partilhados por todos. Além disso, há que se concordar sobre o traçado dos fios, as casas que serão beneficiadas, a extensão da rede clandestina, por onde passar e por onde se ramificar. Quer dizer: um delicado agenciamento da vida local, é isto o que está no foco das conversações.

Um moço respeitador e gentil

O morador é um rapaz com os seus 28 anos, que mora lá com mulher, filhos e mais a mãe, irmãos e sobrinhos. Ele conduz as negociações com habilidade. Ninguém sabe ao certo o que ele faz e, se sabe, faz que não sabe. Mas isso não tem muita importância. Afinal, o rapaz é um moço respeitador e gentil com todos, com uma família muito bem estruturada, uma filhinha adorável e uma esposa prestativa, sempre disposta a ajudar quem quer que esteja passando por algum aperto. Pois bem: esse rapaz ganha a vida traficando drogas. Ele é o “patrão” de uma “biqueira” bastante movimentada. Não lá onde mora.

Mas em um bairro das imediações, aliás, o lugar onde nasceu, cresceu, casou e constituiu família, até que, por uma dessas piruetas do destino (briga de família e vizinhos, que resultou em história de sangue), as suas perspectivas de trabalhador (sim, ele era um trabalhador no mercado formal e com carreira promissora) viraram fumaça e ele se viu enredado nas tramas da chamada economia dos bens ilícitos.

Mas ele não mistura seus negócios com a vida privada. No bairro em que mora, leva a vida de “todo mundo”. Se é ele quem comanda essa espécie de gestão das múltiplas ilegalidades de que é feito o mundo urbano é porque sabe lançar mão dos ardis de uma inteligência prática que combina senso de oportunidade e a arte de contornar as situações difíceis. Nas quebradas da vida, desenvolveu uma especial habilidade em negociar a vida nas dobraduras do legal e do ilegal e se equilibrar no frágil equilíbrio de que são feitos os negócios ilícitos: de partida, o pesado jogo entre a compra de proteção e a extorsão policial, na verdade um feroz jogo de poder; de outro lado (e ao mesmo tempo), a gestão das rotinas do seu negócio, que se conectam com as circunstâncias da sociabilidade local, entre o respeito às regras da reciprocidade da vida cotidiana (afinal, foi lá que nasceu e cresceu, construiu laços de amizade e solidariedade), o cálculo refletido para garantir a cumplicidade dos moradores contra as investidas da polícia e também estratégia para controle de território face aos grupos rivais e sempre em disputa.

Microcenas de um mundo social feito de um especial embaralhamento entre o formal e o informal, o legal e o ilegal, e o lícito. Daí seu interesse em se deter em uma muito prosaica gambiarra, esse peculiar artefato que carrega diversos estratos da história urbana, que se comunicam e se entrelaçam nos agenciamentos práticos da vida cotidiana.

Garantia de “serviços urbanos”

Aliás, os mesmos procedimentos e os mesmos mediadores são postos em ação para puxar a luz para uma pequena-pequeníssima favela que rapidamente se formou lá mesmo no bairro em que o rapaz capitaneia o seu negócio. É um bairro mais antigo, com uma urbanização consolidada faz tempo. Porém, em um terreno vazio, apareceram os primeiros moradores, que, sem outra alternativa, lá instalaram casa e família para tocar suas vidas. A favela estava ali se formando aos olhos de todos. Acontece que também apareceram uns e outros que atuavam como uma espécie de grileiros improvisados, apossando-se de um terreno para, depois, alugar ou vender o ponto aos recém-chegados. O rapaz e seus parceiros (também moradores antigos do pedaço) ponderaram que era preciso garantir que as coisas funcionassem, como se diz, “pelo certo”. Expulsaram esses mercadores da desgraça alheia, dividiram os lotes direitinho e estabeleceram as regras para a sua distribuição entre os que, de fato, deles precisavam. Depois, trataram de garantir os “serviços urbanos”, de luz e água, lançando mão dos serviços profissionais de quem entende do assunto e é capaz de fazer bem o serviço – e lá estão as gambiarras de luz e as ligações clandestinas de água, tudo funcionando direito para o bem-estar de todos.

O fato é que o rapaz e seus parceiros passaram, aos poucos, a se ocupar dos assuntos locais. Foi assim também com a cesta básica, esse outro artefato urbano em torno do qual são mobilizados outros tantos agenciamentos práticos da vida cotidiana. Desde há muito tempo, elas são distribuídas por uma tradicionalíssima liderança comunitária. É a elas que recorrem principalmente as mulheres, quando não encontram outros meios para garantir o sustento de suas famílias: problemas de saúde, de desemprego, de orfandade, de abandono, também a prisão de provedores, pais ou filhos, ou então a morte violenta dos que foram atingidos por um desses “mata-mata”, como se diz, episódios recorrentes que fazem parte da história local (não só local) e que não são de hoje, vêm de longe, em que se misturam a violência policial (e as práticas de extermínio), a ação de matadores e justiceiros, disputas de territórios e acertos de conta. Moradora antiga do pedaço, desde cedo ela se empenhou nesse empreendimento solidário. E, desde cedo e por anos seguidos, não poupou esforços para solicitar ajuda a todos quantos pudessem mobilizar recursos, quer dizer: doações voluntárias (e incertas) dos comerciantes locais, prestação (além de incerta, descontínua) de associações filantrópicas, também, e principalmente, o clientelismo político velho de guerra e, neste caso, as doações seguiam os rumos mutantes dos interesses políticos e o ritmo descompassado do calendário eleitoral.

Quando o rapaz e seus parceiros entraram na parada, outras redes e outras mediações foram mobilizadas: comerciantes e perueiros, eles próprios atuando nessas zonas de incertezas entre o informal e o ilegal, sempre às voltas com as “forças da ordem” (fiscais e policiais) pelas vias da chantagem e da extorsão, além dos assaltos e roubos da pequena delinqüência local e, no caso dos perueiros, disputas, por vezes letais, envolvendo grupos rivais pelo controle dos rendosos circuitos do chamado transporte alternativo. Em troca da proteção, semi-solicitada, semi-imposta, entraram todos no circuito da solidariedade popular, garantindo os recur­sos e também a fachada semilegal para as cestas básicas que continuaram a ser distribuídas e geridas como sempre foram, desde o começo.

O “rumo certo” das coisas

A distribuição das cestas básicas segue suas rotinas. E o “patrão” agora garante que tudo siga no rumo certo das coisas. E assim também acontece com os festejos que ele trata de patrocinar e organizar nas datas comemorativas: Dia das Mães, Dia das Crianças, Natal e Ano Novo. No mês de junho, o campo do futebol de várzea se transforma em espaço para as festas juninas. Outros tantos agenciamentos locais: o rapaz e seus funcionários mais graúdos negociam com os times locais o uso do espaço, conversam com o pessoal do Centro Desportivo Municipal (mediação oficial e legal, que gerencia o espaço, os jogos e times locais), patrocinam a montagem e organização das barracas utilizadas pelos moradores para vender as comidas e bebidas próprias de uma festa junina. E ainda por cima garantem que tudo seja bem iluminado por gambiarras espalhadas em pontos estratégicos – de novo elas, e sempre pelas mesmas vias.

A festa é um sucesso de público e crítica. Parentes, conhecidos, vizinhos, casais de namorados circulam alegremente por lá. As crianças se divertem com o pau-de-sebo. E as famílias celebram essa, digamos assim, variação local da economia solidária, pois as barracas se mostraram uma nada desprezível fonte de renda para quem está sempre às voltas com salários irrisórios, empregos incertos e desemprego prolongado. Como se vê, tudo muito bem sintonizado com os tempos atuais.

Com o tempo, o rapaz tornou-se um personagem importante na vida local. Não poucas vezes, ao andar pelas ruas, é chamado, com um evidente senso de ironia, de prefeito. Alguns pedem emprego, dinheiro, carro para levar um familiar doente para o hospital, favores em geral. Na prática, ele atua como um agenciador de problemas cotidianos: brigas de vizinhos, conflitos de família, adolescentes briguentos e desabusados, barulho excessivo nas altas horas da noite. Quer dizer: tudo e qualquer coisa que possa chamar a atenção da polícia ou que possa provocar a hostilidade e a má vontade de moradores, situação delicada e perigosa, pois é sempre assim que surgem as temidas denúncias anônimas que acionam a intervenção violenta da polícia.

O fato é que tudo isso se confunde com a gestão cotidiana do negócio local da droga, que depende em boa medida de seu ancoramento nessas redes de sociabilidade, ao mesmo tempo em que engendra outras tantas relações no bairro, elas próprias se estruturando em equilíbrios instáveis e sempre passíveis de desandar em tensões, conflitos, desafetos, desentendimentos, deslealdades, disputas ou histórias de vingança pessoal, que podem ser fatais – e letais, para uns e outros, ou para todos. É todo um agenciamento das relações locais, também mobilizado para garantir a lealdade dos “funcionários” e a cumplicidade de suas famílias; para arbitrar conflitos que muitas vezes se confundem com desentendimentos pessoais ou desacertos de outros tempos e outros lugares; ou então para definir os limites que não devem ser ultrapassados, sobretudo pelos mais jovens, na verdade garotos, quase crianças, quando passam a se achar importantes e poderosos, e criam problemas com os moradores e a vizinhança.

Por outro lado e ao mesmo tempo, essa gestão das relações cotidianas tangencia outras tantas práticas ilícitas, que nem sempre e não necessariamente têm comprometimentos com o negócio da droga, mas que também interagem com as redes da sociabilidade local, nas fronteiras incertas entre o informal e o ilegal: as tradicionalíssimas oficinas de carro, que se multiplicam por toda a periferia, em que se misturam o trabalho informal e a transação de peças de origem duvidosa, tudo isso alimentando um incrível mercado popular de peças, motos e automóveis de “segunda mão”; os muito modernos e hoje expansivos mercados de CDs piratas e produtos falsificados, fontes de renda para os que agenciam os pontos de venda pelas periferias afora, mobilizando redes locais de sociabilidade e mais uma cascata confusa de intermediários por onde se faz a conexão das pontas pobres-pobríssimas da cidade e os circuitos de uma riqueza cada vez mais globalizada; ou então o atualíssimo e muito rendoso negócio dos caça-níqueis, que vem ocupando o lugar do tradicional jogo do bicho e que, como esse, também opera no jogo de luz e sombra entre intermediários obscuros, a compra de proteção policial e os rendimentos generosos para os que alojam e operam essa versão moderna do jogo de azar, hoje comum em qualquer birosca de um bairro de periferia.

Práticas comuns, em suas versões tradicionais ou muito modernas, que transitam nas fronteiras borradas entre expedientes de sobrevivência e práticas ilícitas1, vinculadas – ou não, e nem sempre – à pequena criminalidade comum, ou então articuladas, aliás, como o próprio varejo da droga, nas pontas pobres dos hoje expansivos e rendosos circuitos ilegais de uma economia globalizada2. São práticas e redes sociais que atravessam e compõem a vida de um bairro de periferia. E criam outras tantas zonas de fricção que, também elas, precisam ser bem agenciadas para evitar complicações com a população local e, principalmente, evitar ocorrências indesejáveis com a polícia: acertos sobre procedimentos, horas, lugares e circunstâncias para as transações ilícitas; acordos de conveniência para impedir disputas indesejáveis; arbitragens difíceis quando as desavenças envolvem organizações criminosas, e a situação beira soluções de morte.

O que está em jogo nisso tudo são microrregulações do negócio da droga, a sua face miúda, poderíamos dizer, que se conecta com os fatos e circunstâncias, artefatos e redes sociais que compõem a vida local. Disso depende o bom andamento dos negócios. Mas é disso que depende, mais ainda, as partidas de um arriscado jogo de vida e morte. Pois tudo funciona muito bem, ou pode funcionar até o momento em que a roda da fortuna dá mais um giro e os desacertos da vida jogam tudo pelos ares: seja os desacertos com a polícia que está sempre lá em um jogo perverso de proteção e extorsão; seja por conta de disputas de território com os grupos rivais; seja pelos desafetos de uns e outros e que terminam por acionar soluções de morte. O rapaz sabe disso, ele e todos os outros, os moradores também.

Conexões com o mundo social

Histórias de um pequeno traficante da periferia paulista. Histórias minúsculas, como diria Foucault, “existências destinadas a passar sem deixar rastro”3, mas que interessam justamente porque, ao contrário das estereotipias que constroem as figuras fantasmáticas do “Traficante” e do “Crime Organizado”, são portadoras de um feixe variado de relações e conexões com o mundo social. Por isso mesmo são formidáveis guias para nos conduzir nessa incerta prospecção do mundo urbano atual.

Tudo muito distante das imagens hoje amplamente midiatizadas – e aceitas como fato e verdade – de um mundo capturado e dominado pelo assim chamado “Crime Organizado”. Imagens que banalizam a criminalização da pobreza e alimentam a obsessão securitária que combina repressão aberta e sem pudor (a gramática da guerra, combate ao “inimigo”) e a gestão dos supostos riscos da pobreza5 pelas vias de dispositivos gestionários voltados às ditas “populações em situação de risco” (expressão hoje moeda corrente, e não por acaso), a rigor, o biopoder de que fala Foucault, quer dizer: gestão das populações, gestão das vidas e, nestes tempos em que a exceção se tornou a regra, a administração de suas urgências para tornar os “indivíduos governáveis” sob a égide da racionalidade triunfante do mercado6.

Acertar o ponto da crítica

Talvez aqui fique mais claro porque escolhemos esse percurso pelas “histórias minúsculas” para colocar a cidade em perspectiva e sob outra perspectiva. Exigência, para nós imperativa, de deslocar o terreno a partir do qual descrever a ordem das coisas, e problematizar as questões em pauta. Deslocar o ponto da crítica. Ou melhor: acertar o ponto da crítica, que, hoje, parece ter-se esvanecido na própria medida em que se esvazia a imaginação política que não consegue figurar o mundo a não ser nos termos postos no presente imediato.

Essas microcenas colocam em foco um mundo social que não cabe nas estereotipias que vêm acionando os dispositivos de exceção: seja as figuras fantasmáticas do “Crime Organizado”, versão nativa do “Império do Mal” contra o qual só resta a estratégia da guerra (e extermínio); seja, na sua face “edificante”, a ficção de populações encapsuladas nas ditas “comunidades”, subjugadas ou aterrorizadas, no mínimo ameaçadas, mas destinadas à remissão pela intervenção salvadora de programas sociais. Em nome da urgência e da emergência, o espaço da política é subtraído, tanto quanto é erodido o campo da crítica (e o exercício da inteligência crítica)7 sob a figuração de uma cidade toda ela pensada e figurada sob a a lógica de uma gestão dos riscos, riscos sociais, pautando programas sociais e também os hoje celebrados projetos de revalorização de espaços urbanos, populares ou centrais8.

É todo um mundo social que fica fora de mira. Mas é aqui que se alojam as complicações, nessas tramas urbanas feitas nas dobraduras do formal e do informal, do legal e do ilegal. É nelas, nessas dobraduras, que é preciso se deter. Como mostra Michel Misse, a chave para o entendimento da violência associada aos mercados ilícitos, em particular o tráfico de drogas, está justamente aí, nas “ligações perigosas”, relações de poder articuladas no pesado jogo da compra de proteção e extorsão policial, o chamado mercado de proteção, ele também ilegal, que se alimenta das políticas (e práticas) da criminalização, parasita os primeiros e detona episódios contínuos de violência que, muito frequentemente, assumem formas extremadas e devastadoras9.

A exceção e a regra

Mas os dispositivos de exceção, nas suas duas faces, a repressão e gestão da pobreza, já compõem a ordem das coisas. Seria possível dizer que as tensões do mundo se fazem na fricção entre os “indivíduos governáveis” e o que escapa dos dispositivos gestionários, quer dizer: entre a governabilidade gestionária e a “vida nua”10. É isso que pulsa, em filigrana, nas “histórias minúsculas” que compõem nossas cidades. É nesses pontos de fricção que homens e mulheres negociam a vida e os sentidos da vida. No fio da navalha.

 

*Vera da Silva Telles é professora do Departamento de Sociologia da USP e pesquisadora do Cenedic. Publicou recentemente, junto com Robert Cabanes, Nas tramas da cidade: mobilidades urbanas e seus territórios (São Paulo, Humanitas, 2006).

1     Cf. Ruggiero, Vincenzo, e South, Nigel. “The late city as a bazaar: drug markets, illegal enterprise and the barricades”. The British Journal of Sociology, vol. 48, n. 1, 1997, pp. 54-70.
2     Cf. Naím, Moisés. Ilícito. Rio de Janeiro, Zahar, 2006.
3     Foucault, Michel. “A vida dos homens infames”, em Ditos & Escritos IV. Rio de Janeiro, Forense Universitária, 2003.
4     Permitimo-nos remeter o leitor a um livro coletivo em que desenvolvemos essas questões. Cf. Telles, Vera S. e Cabanes, Robert (orgs.). Nas tramas da cidade. Trajetórias urbanas e seus territórios. São Paulo, Humanitas, 2006. Cf. também Telles, Vera S. “Linha de sombra, tecendo as tramas da cidade”, em Oliveira, Francisco, e Rizek, Cibele (orgs.). A era da indeterminação. São Paulo, Boitempo, 2007.
5     No momento em que estas linhas estão sendo escritas, testemunhamos, ao vivo e em ato, os modos como esses (o leitor nos perdoe o eufemismo) dispositivos de exceção estão sendo, mais uma vez, postos em prática na ocupação do Complexo do Alemão no Rio de Janeiro, cidade hoje escolhida, assim parece, como laboratório para calibrar a versão nativa de uma mistura dos ditos Modelo Colômbia e Modelo Haiti.
6     Foucault, Michel. Naissance de la biopolitique. Paris, Gallimard, 2004.
7     Cf. Calhoun, Craig. “A world of emergencies: fear, intervention, and the limits of cosmopolitan order”. The Canadian Review of Sociology and Anthropology, vol. 41, nov. 2004.
8     Cf. Ruggiero, Vincenzo. “Securité et criminalité économique”, em Kokoreff, Michel; Peraldi, Michel, e Weinberger, Monique. Économies criminelles et mondes urbains. Paris, PUF, 2007.
9     Misse, Michel. “As ligações perigosas: mercado informal, ilegal e narcotráfico e violência no Rio de Janeiro”, em Crime e violência no Brasil contemporâneo. Estudos de sociologia do crime e da violência urbana. Rio de Janeiro, Lumen Juris, 2006, pp. 179-210.
10   Agamben, Giorgio. Homo Sacer. O poder soberano e a vida nua. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2002.



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