A lâmina do dólar e a ferida monetária
Washington raramente socorre seus aliados. Ao contrário do que pode parecer, as recentes intervenções do Tesouro norte-americano para sustentar o iene não fogem a essa regra. Longe de serem motivadas por alguma forma de altruísmo, elas respondem às preocupações dos Estados Unidos com o custo de seu endividamento e devolvem à Europa o papel que lhe é reservado: o de quem paga a conta de todas as trapalhadas
Foi algo nunca visto nos últimos quase trinta anos – e um sinal inequívoco de que alguma coisa não vai bem no sistema monetário internacional (SMI). Em 31 de julho de 2026, o Tesouro norte-americano interveio maciçamente nos mercados para sustentar... o iene japonês. “A intervenção histórica de Washington para estabilizar a cotação de uma moeda estrangeira chocou os investidores”,[1] escreveu o Financial Times alguns dias depois. Por que realizar uma operação desse tipo? Existem duas respostas para essa pergunta. A primeira é conjuntural. Há alguns anos, o valor do iene não para de cair. Na origem disso está um diferencial entre a taxa de juros praticada pelo Banco do Japão (quase nula) e as de outras capitais, a começar por Washington (que atualmente oferece uma remuneração superior a 5%). Não é preciso mais do que isso para atrair o capital financeiro. Para os investidores, nada é mais fácil do…

