A quem pertence nosso rosto?
A difícil busca por respostas no levantamento nacional sobre a utilização do reconhecimento facial na segurança pública
A paisagem urbana brasileira mudou. De vinte anos para cá, um elemento que constava do fundo da paisagem ganhou destaque e passou a integrar com cada vez mais notoriedade o mobiliário de nossas cidades. As simpáticas plaquinhas de “Sorria, você está sendo filmado” ficaram ultrapassadas e deram lugar aos modernos totens com nomes de empresas de vigilância estampados. Não há mais avisos nem motivos para sorrir. Para cada lugar que se olha, há uma câmera de vigilância que nos olha de volta. No entanto, para além das discussões sobre poluição visual e propaganda desordenada em espaços públicos, isso deve ser motivo de preocupação? A resposta automática a essa pergunta é: depende. Na lógica do senso comum, se você é uma pessoa de bem, a presença cada vez mais maciça de câmeras de vigilância com tecnologias de reconhecimento facial deveria ser algo positivo, pois, em tese, garantiria mais proteção. Agora, se…

