Pessoas negras são 86% das vítimas da letalidade policial, aponta relatório
Monitoramento, que reúne dados de nove estados, registra recorde e aponta homens negros e jovens como perfil predominante de vítimas

Monitoramento, que reúne dados de nove estados, registra recorde e aponta homens negros e jovens como perfil predominante de vítimas
O governo de Santa Catarina apresenta o estado como o mais seguro do país. Mas os dados do Atlas da Violência 2025, publicado pelo IPEA e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam uma realidade mais complexa: homicídios de pessoas negras em alta, feminicídio estagnado, suicídio juvenil crescente e uma tendência nacional de queda que antecede o atual governo
O poder público segue apegado à estética do confronto armado e à retórica vazia da supremacia material
A partir da perspectiva da Pastoral Carcerária Nacional, a leitura crítica do relatório reforça a compreensão de que a centralidade do encarceramento em massa como resposta à violência tem produzido graves violações e aprofundado desigualdades, sem enfrentar as causas estruturais da insegurança, contribuindo até para a sua reprodução
Dois grandes debates da sociedade brasileira parecem ter se cruzado no polêmico PL Antifacção: o combate ao crime organizado e os ataques à soberania nacional brasileira
Mas “felicidade”, aqui, não é euforia: é política pública
A militarização seletiva, somada à falta de inteligência integrada, produz o efeito inverso: fortalece as redes criminosas transnacionais
A legitimação do massacre a partir da economia política, sua relação com as políticas de “segurança pública” apregoadas pela extrema-direita e o medo do crime sentido pela população
A contradição entre o discurso “verde” do Brasil às vésperas da COP30 e a realidade da violência racial nas periferias do Rio de Janeiro se evidencia nos massacres do Alemão e da Penha, que expõem como a necropolítica transforma vidas negras em alvos descartáveis. É preciso reafirmar: não há justiça climática sem justiça racial, nem sustentabilidade possível enquanto o Estado seguir devastando corpos e territórios
Cultura tóxica que recompensa a brutalidade em detrimento da inteligência, aproximando perigosamente a lógica da polícia da lógica dos próprios criminosos que deveria combater
Uma polícia mais violenta também corrói a confiança da comunidade, um ativo essencial para a prevenção e investigação de crimes, e agrava as disparidades raciais, uma vez que a violência estatal recai desproporcionalmente sobre minorias
A Proposta de Emenda Constitucional que pretende reformular o sistema de segurança pública brasileiro revela as contradições de um Estado em crise diante da violência urbana