Afetada pela crise, a classe média vai às ruas - Le Monde Diplomatique

O LUGAR DA CLASSE MÉDIA

Afetada pela crise, a classe média vai às ruas

por Raphael Kempf
4 de maio de 2012
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Além do desejo dos manifestantes, podemos realmente reunir todas as manifestações de “indignados” em uma mesma categoria? De Cairo a Atenas, de Santiago do Chile a São Francisco, estaremos assistindo ao surgimento de um “povo mundial em luta”?Raphael Kempf

“Minha tenda está por ali, ao lado da do serviço técnico, onde cuidam da internet, das ligações com as outras ocupações, das atualizações no Facebook. Aqui está a cozinha, que serve café da manhã, almoço e jantar. E aqui é a tenda ‘chá e empatia’, com um piano, chá e café gratuitos!” Em Londres, diante da Catedral de Saint-Paul, no coração da cidade, dezenas de tendas floresceram desde 15 de outubro de 20111 e Amir Imran nos apresenta tudo como se fosse o dono do local.

Imran dorme aqui desde o começo e só deixa o acampamento dois dias por semana para assistir às suas aulas. Com 24 anos, ele chegou à capital britânica alguns meses antes para terminar seus estudos de jornalismo. Ele vem da Malásia, onde “há uma lei draconiana que autoriza prender qualquer um que seja suspeito de perturbar a harmonia e a ordem pública. Lá eu participava de movimentos pelo direito à liberdade de manifestação. Era necessária uma autorização para protestar. Aqui é mais simples, não?”. Foi natural para ele se unir aos militantes do Occupy the London Stock Exchange (Ocupar a Bolsa de Londres).

Lançado em Nova York, em 17 de setembro de 2011, o movimento Occupy (Ocupar) pretende se inscrever na linha dos “indignados” espanhóis e faria eco, à sua maneira, à Primavera Árabe. Se as situações diferem, se as reivindicações são às vezes nebulosas, de Londres a Nova York, de Madri a Tel-Aviv, encontramos o mesmo desconforto diante de uma ordem política que escapa ao controle dos cidadãos e de uma oligarquia que monopoliza as riquezas. E também há esse sentimento performático de pertencer a alguma coisa global. Mas, além do desejo dos manifestantes, podemos realmente reunir todas essas manifestações em uma mesma categoria? De Cairo a Atenas, de Santiago do Chile a São Francisco, estaremos assistindo ao surgimento de um “povo mundial em luta”?2

A questão é colocada para dois estudantes chilenos que, desde maio de 2011, participam do movimento por uma educação pública e gratuita, nesse país onde as universidades foram, em 1981, privatizadas pelo regime do general Pinochet.3 O Chile conheceu, durante 2011, as maiores manifestações populares desde o retorno da democracia. Os estudantes levaram consigo famílias e colegiais. Questionaram as desigualdades e a reforma tributária, mas também a representatividade do sistema político. Eles não se consideram ligados aos “indignados” nem à Primavera Árabe: construíram suas reivindicações com relação à situação de seu país, mas dizem expressar uma cólera que ultrapassa as fronteiras do Chile.

Para Andrés Muñoz Cárcamo, “é um fenômeno global contra a maneira como o sistema econômico produz lucro e destrói as estruturas sociais. No Chile, é com a educação; em outros lugares, é diferente”. Tomando o cuidado de salientar as diferenças entre todos esses movimentos, seu camarada Vicente Saiz reconhece a existência de uma “base comum” no fato de que “as pessoas lutam para tomar elas mesmas as decisões”. E é verdade que encontramos em todos os lugares essa vontade de recuperar um poder confiscado, o desejo de participar realmente da vida pública e da maneira como as sociedades são governadas.

Em Madri, a grande concentração que encheu a Puerta del Sol no dia 15 de maio de 2011 – e deu nascimento ao movimento 15-M – surpreendeu até mesmo os organizadores da manifestação, como Carlos Paredes. O movimento “Democracia real já!”, do qual ele é um dos porta-vozes, tinha sido criado alguns meses antes em torno de oito propostas que iam da supressão dos privilégios da classe política até a aplicação efetiva do direito à habitação e a reforma da lei eleitoral.4

Para Paredes, um empreendedor de 32 anos que exerce sua atividade nos serviços de informática, a motivação de ir para a rua é ao mesmo tempo mais profunda e menos precisa do que essas poucas propostas. Há na Espanha, ele explica, “um teto de vidro” que limita a realização pessoal e profissional da população. “Os que estão no alto ficam no alto, e os que estão embaixo caem cada vez mais. A impossibilidade de progredir econômica e socialmente me levou a procurar outras vias. Aí encontrei ‘Democracia real já!’” Ele não se diz de nenhum partido ou sindicato, não se refere a nenhuma ideologia política. Mas critica o sistema econômico cada vez mais desigual e uma democracia que não representaria mais ninguém, nem na Espanha nem na Europa. E fustiga os “golpes de Estado financeiros” que foram dados por três personalidades não eleitas e vindas do mundo das finanças para cargos importantes: Mario Draghi na chefia do Banco Central Europeu, Lucas Papademos na do governo grego e Mario Monti na presidência do conselho italiano.

Essa crise da representatividade impulsiona o surgimento de mecanismos de decisões por consenso. Foi por se sentirem excluídos da política que os “indignados” elaboraram as técnicas deliberativas mais inclusivas possíveis. A ocupação durou mais de um mês, pontuada por assembleias gerais, discussões e grupos de trabalho sobre diversos temas. Todas as pessoas – em Madri e em outros movimentos Ocupar – nos contaram com emoção sobre essas assembleias de milhares de pessoas. O filósofo José Luis Moreno Pestaña fala de um “prazer na discussão pública”.5

Ivan Ayala tem 31 anos. Preparando uma tese na Universidade Complutense sobre os fundamentos metodológicos da economia neoclássica, ele conta: “Participei em tempo integral do movimento. No começo, era impressionante. Havia grupos de trabalho que contavam com quinhentos membros! E era emocionante chegar à Sol e ver 4 mil pessoas na assembleia, discutindo como na ágora grega”. Por rejeitar o sistema partidário, o 15-M rejeita se definir como um movimento de esquerda. No entanto, sua crítica aos banqueiros, aos políticos, ao neoliberalismo e aos especuladores bem que constitui uma análise de esquerda, estima Ayala. Mas seu verdadeiro sucesso “é ser deliberativo, popular e maciço. Agora, em todos os bairros, em todas as cidadezinhas, assembleias estão sendo formadas”.

No dia 12 de junho de 2011, quando a ocupação da Puerta del Sol teve fim, a multiplicidade de pequenos cartazes pessoais exibidos na praça desapareceria dando lugar a uma grande faixa: “Nos vemos nos bairros”.

A diversificação geográfica do movimento provoca o surgimento de uma pluralidade de ações. Uma plataforma foi criada, por exemplo, para ajudar os moradores de aluguel ameaçados de expulsão. As famílias entram em contato com os “indignados”, e estes vêm em grande número no dia previsto para a expulsão e às vezes conseguem evitá-la ou adiá-la por diversos meses. Eles também ocupam prédios vazios para alojar famílias necessitadas.

O 15-M permite assim a mobilização e a visibilidade de questões que, ontem, eram bem menos percebidas, como a luta pela gestão da água. O município de Madri pretende privatizar a empresa pública Canal del Isabel II. Essa campanha contra a privatização, explica a advogada Liliana Pineda, “é um exemplo de colaboração entre o movimento e alguns partidos políticos. Graças aos ‘indignados’, houve muito mais gente nas manifestações do dia 8 de outubro, em muitas assembleias populares. E partidos políticos – Izquierda Unida e Equo – também participaram”. O evento é importante, pois o 15-M parecia até então recusar qualquer contato com os partidos políticos, mesmo os que podem estar próximos de suas posições.

Essa questão da relação com a política nunca foi tão espinhosa quanto nas eleições legislativas de 20 de novembro de 2011, que viram a vitória do Partido Popular (PP) de Mariano Rajoy (conservador). Que posição adotaria um movimento social que se diz não partidário diante de um momento eleitoral tão importante? Criar um partido para “acabar com o bipartidarismo” como alguns propuseram em junho de 2011? A ideia foi rapidamente enterrada. Abster-se? “Nunca aconselhamos a abstenção”, insiste Paredes. “Aconselhamos a votar em partidos minoritários, pois éramos contra o bipartidarismo do PP e do Psoe [Partido Socialista Operário Espanhol].” O objetivo consistia unicamente em identificar – graças a cálculos estudados – qual era o partido minoritário que tinha a maior chance, em cada departamento, de ganhar do candidato de um dos dois grandes partidos. Isso não impediu a direita de ganhar a maioria, mas permitiu apontar as falhas do sistema democrático espanhol. É para transformá-lo que Paredes e seus companheiros pensam hoje em um projeto de “democracia 4.0”, no qual os cidadãos poderiam votar pela internet nos projetos de lei submetidos ao Parlamento.

 

Dimensão global

Mas o verdadeiro sucesso do movimento, para além dessa inventividade permanente, é o peso que ele adquiriu no debate político. Como nos Estados Unidos e no Reino Unido, os “indignados” espanhóis afirmam que suas propostas agora estão na cena pública. E principalmente, ressalta Paredes, eles “conseguiram internacionalizar o movimento. Ocupar Wall Street [OWS] e os movimentos israelenses6 derivam de certa forma do 15-M”.

Como, no outono [do Hemisfério Norte] de 2011, um pequeno acampamento de manifestantes no sul de Manhattan poderia se transformar em uma “revolta global”7 num país em que as mobilizações populares pareciam pertencer à história?

O advogado Alexander C. Penley, um dos acampados em Nova York, lembra a importância dos predecessores que tornaram isso possível, como o movimento sindical do início de 2011 no estado do Wisconsin, e considera que a Primavera Árabe serviu de exemplo. “Se tal coisa acontecesse na França, não teria tido o mesmo impacto, porque vocês sabem, na França, na Europa, os norte-americanos dizem que são normais todas essas manifestações. Enquanto no Oriente Médio… Esses países eram conhecidos por serem tão fechados, bloqueados. Se funciona por lá, qualquer coisa pode acontecer aqui.”

Talvez seja a razão pela qual o chamado à ocupação de Wall Street, lançado na internet pela revista canadense Adbusters, conhecida por sua crítica radical à publicidade, tenha tido um impacto tão forte. No dia 17 de setembro, algumas centenas de pessoas vieram se manifestar no bairro financeiro de Nova York e finalmente se encontraram, quase que por acaso, no Zuccotti Park, uma praça espremida entre alguns arranha-céus, a dois passos de Wall Street e de Ground Zero.

“Alguém deu a ideia de fazer uma assembleia geral, como na Grécia ou na Espanha”, lembra David Graeber, antropólogo e anarquista, que dá aulas em Yale e participou do planejamento da ocupação. Nesse dia, coisa tão rara nos Estados Unidos, as pessoas começaram a falar de política, na rua, no espaço público. E surgiram diversas reivindicações, algumas sérias, outras estapafúrdias. Durante essa primeira assembleia geral do OWS, discutiu-se a anulação do Decreto Citizens United, da Corte Suprema, que reforça a capacidade de influência das empresas sobre o poder político;8 mas também o retorno da Lei Glass-Steagall, cuja revogação por Bill Clinton permitiu a expansão de uma finança sem controle. De maneira mais fantasiosa, alguns conclamaram o desmonte da estátua do touro, tão emblemática da potência de Wall Street.

Nos dias que se seguiram, os manifestantes tornaram-se mais numerosos, barracas apareceram, uma vida se instalou no Zuccotti Park. As assembleias gerais continuaram, organizaram-se grupos de trabalho, foi elaborada a “Declaração de ocupação de Nova York”. A praça agregou diversos tipos de pessoa. Além dos homens jovens brancos diplomados, também vieram os sem-teto, minorias e outras “vozes marginalizadas”, cuja inclusão é um desafio não necessariamente resolvido. Alguns se afirmam comunistas ou socialistas, ou designam o capitalismo como a causa do problema. Outros querem, ao contrário, conservar esse sistema e a economia de mercado, e pedem unicamente sua regulação.

Muitos estão desapontados com Barack Obama: “Votei nele, ele não fez nada, agora quem faz sou eu”. William P. York, jovem advogado participante do acampamento do Occupy Nashville, no Tennessee, diz: “Em 2008, eu estava engajado na campanha de Obama em Cleveland, Ohio. Era um estado importante para a batalha eleitoral. Tornei-me muito ativo politicamente, trabalhei muito para a campanha. Mas percebi rapidamente, depois de sua chegada ao poder, que ele era pouco diferente dos outros candidatos. Os dois partidos são, fundamentalmente, o mesmo. Ambos são cooptados por empresas que podem dar tanto dinheiro quanto quiserem aos candidatos. Na verdade, eles são comprados pelas empresas, pelas grandes companhias multinacionais”. A crítica ao poder das grandes empresas constitui um denominador comum do movimento OWS.

A ocupação dos espaços públicos foi o meio de fazer essa crítica ser ouvida. Para alguns, ela constitui a realização concreta da sociedade que eles desejam ver surgir, mas, como nos dirá Shane Patrick, um dos organizadores do OWS, “ninguém quer viver em uma sociedade igualitária no meio de Nova York em janeiro”.

A expulsão violenta dos acampados do Zuccotti Park pela polícia de Nova York na noite de 15 de novembro teve, para muitos, um efeito positivo. Antigo freelancer para a Newsweek e o The Los Angeles Times, que se tornou redator-chefe do The Occupied Wall Street Journal, Michael Levitin afirma: “Não precisávamos mais do Zuccotti Park. Era o melhor momento para parar. E a maneira como o prefeito nos expulsou foi perfeita: ele foi violento, as pessoas apanharam, foram presas, livros foram jogados, tudo ficou inacessível aos jornalistas”. Como para o 15-M em Madri ou Barcelona, a violência policial permitiu ao OWS ganhar a simpatia da opinião pública, e a expulsão obrigou os ocupantes a refletir sobre outras formas de ação, para entrar em uma nova fase do movimento.

 

Novas relações de poder

Assim, ligações foram criadas entre o OWS e organizações comunitárias presentes nos bairros populares de Nova York e de outros lugares. No dia 6 de dezembro, a plataforma Occupy our Homes (Ocupar nossas Casas) organizou uma ação em todos os Estados Unidos para recuperar habitações vazias tomadas pelos bancos. O bairro pobre de East New York constituiu o objetivo do dia. No começo, no centro do Brooklyn, os participantes eram majoritariamente brancos e diplomados. Durante a marcha, na plataforma do metrô, depois nas vias, os manifestantes distribuíam panfletos e informavam os passageiros sobre a taxa de expulsão dos alojamentos de East New York, a mais elevada da cidade. Alguns se uniam ao cortejo e retomavam o slogan do OWS: “Somos os 99%”, em referência ao “1% mais rico”.

Cerca de 2 mil pessoas – entre as quais militantes históricos das lutas em defesa das minorias, como Charles Barron, antigo membro dos Black Panthers, hoje conselheiro municipal de Nova York – marcharam no bairro. Outro conselheiro municipal, Ydanis Rodriguez, disse à multidão que o OWS se tornava “mais colorido”. Entenda-se: havia então mais negros e hispânicos, minorias.

Na altura do número 702 da Vermont Street, uma casa vazia foi finalmente ocupada, como em quarenta outras cidades nos Estados Unidos. A família de Alfredo Carrasquillo se instalou nela. Dias depois da manifestação uma dúzia de ocupantes permanecia no local para proteger a família em caso de tentativa de expulsão.

Max Berger pediu demissão do trabalho em uma organização não governamental para participar do movimento. “Ocupamos essa casa em nome de uma família. Sempre quis me engajar em ações que transformassem as relações de poder e lutassem em nome dos que são mais marginalizados na sociedade. E essa questão da habitação é perfeita: é a extensão natural do movimento OWS. As pessoas se sentem diretamente tocadas. Dúzias de famílias entram em contato conosco para que as ajudemos a encontrar uma casa ou para que as protejamos de uma expulsão.” E acrescenta: “O OWS tem a capacidade de criar um movimento de massa muito amplo, que vai mudar a política deste país”. De fato, o movimento não ficou confinado a Nova York e a algumas outras grandes cidades.9

Em Nashville, no coração da América cristã e conservadora, em dezembro de 2011 um acampamento se instalou diante do Congresso do estado. Eram dezenas de barracas que tinham conquistado o direito de ficar por alguns meses graças a uma vitória judicial em um tribunal estadual. O acampamento finalmente foi expulso pelos agentes da ordem em março de 2012, o que fez de Nashville uma das mais longas ocupações dos Estados Unidos. Aqui, reapropriar-se de um local público tem um sentido ainda mais profundo do que em Nova York. O acampamento, contam os ocupantes, criou ligações que esse urbanismo desumano tinha destruído.

Nashville se encontra no coração do “Cinturão da Bíblia”, região do sul dos Estados Unidos repleta de construções religiosas com cara de centros comerciais. Jim Palmer, pastor, declara: “Mais do que prestar atenção aos 10% mais pobres, as igrejas estão em uma dinâmica que as leva a construir edifícios maiores, ter mais programas, de maneira a ganhar de seus concorrentes. Desde meados dos anos 1970 o modelo de empresa se impôs aos pastores. As igrejas são administradas como empresas. O pastor é como um CEO, rodeado por um conselho de administração, e os paroquianos não têm mais voz na casa”. E Palmer, que lançou o grupo ecumênico Occupy Religion (Ocupar a Religião), lembra que “Jesus faz parte dos 99%”.

Alguns meses depois de seu lançamento, o OWS aparece como polimorfo e heterogêneo. Ele agrega em torno de si as iniciativas mais diversas e lança manifestações e ações sobre todos os assuntos: a habitação, o poder das multinacionais, as vendas internacionais de armamento por indústrias que “exportam a morte em nome da defesa”, ou ainda a dívida dos estudantes e a luta por uma educação gratuita. Outros ainda pensam em ocupar fazendas. O OWS terá então, em pouco tempo, conseguido trazer algumas questões essenciais – as desigualdades, a crise da representatividade do sistema político – para o centro do debate público norte-americano e será constituído como o “movimento dos movimentos”,10 capaz de atrair a atenção para mobilizações que não teriam tal impacto sem seu apoio.

Os estudantes chilenos construíram um movimento mais clássico. Combatem os efeitos de uma política neoliberal – a universidade chilena transformada por Pinochet fez da educação um bem de consumo cujo preço é elevado –; seu movimento é mais organizado, com eleições e dirigentes representativos e legítimos.

Apesar dessas diferenças de natureza, existem conexões com o OWS. “Durante nossa campanha, retomamos o slogando OWS: ‘Somos os 99%’”, diz Gabriel Boric, que acaba de ser eleito presidente da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile (Fech), com o movimento Criando a Esquerda. O estudante de Direito, que se apoia em Antonio Gramsci, Toni Negri ou Slavoj Žižek, tem um discurso político claro: “Somos de esquerda, mas também dizemos que a esquerda, no século XX, fracassou. O mundo que ela imaginou não veio. Devemos aprender com esses erros”. Em dezembro de 2011, depois de um ano de mobilização, e com as grandes férias de verão chegando, ele insiste: “O movimento estudantil não acabou. Nós não ganhamos, mas não fomos vencidos”. Os estudantes aproveitaram o verão chileno para construir novas estratégias: eles se preparam para propor a nacionalização dos recursos naturais e uma reforma fiscal de maneira a financiar as universidades.

Raphael Kempf é jurista.



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