A REVOLUÇÃO AINDA É UMA REFERÊNCIA NA FRANÇA?

As amnésias da vida política

Do parque temático Le Puy du Fou, criado por Philippe de Villiers, ao espetáculo Murmures de la cité, de Moulins, financiado pelo bilionário Pierre-Édouard Stérin, a extrema direita francesa difunde uma visão conservadora da história, com o apoio de meios de comunicação como a CNews. Os poderes públicos e a classe política abandonam a história nacional a correntes contrarrevolucionárias e anti-iluministas

A REVOLUÇÃO AINDA É UMA REFERÊNCIA NA FRANÇA?

Paris, 12 de janeiro de 2010. A Assembleia Nacional, em sua totalidade, presta homenagem a Philippe Séguin, figura maior da vida parlamentar, recentemente falecido. Seu então presidente, Bernard Accoyer, detém-se em uma das qualidades do finado: seu interesse pela “história, essa outra disciplina que ele amava acima de tudo e na qual se notabilizou com brilho”. E acrescenta: “Como esquecer que esse autêntico republicano, rompendo com a tradição herdada de Victor Hugo, empreendeu a reabilitação da memória de Napoleão III, substituindo o personagem caricatural de Badinguet pela visão de um imperador modernista e preocupado com o bem comum, que equipou e enriqueceu a França?”. Com uma simplicidade desconcertante, o presidente da Assembleia Nacional lava assim o opróbrio que até então recobria no Palácio Bourbon o golpe de Estado de 2 de dezembro de 1851. Esse golpe suprimiu o Parlamento, deportou e matou milhares de opositores e precedeu o advento de…

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