AMEAÇAS CONTRA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO

A paixão por proibição

Em países ocidentais que rapidamente proclamam seu compromisso com a democracia e o debate, as medidas que reduzem o direito de expressão dos partidários da causa palestina se multiplicam desde outubro. Uma vez que aceitaram a censura de opiniões que desaprovavam, alguns defensores das liberdades públicas permanecem em silêncio

Em janeiro de 2015, na véspera das imensas manifestações de solidariedade após o assassinato de parte da redação do Charlie Hebdo, o desenhista Luz se perguntava: “Daqui a um ano, o que restará desse grande impulso progressista pela liberdade de expressão?”.1 Dez anos depois, conhecemos a resposta: proibições de manifestações, cancelamentos de conferências públicas, desconvites a artistas e intelectuais, sanções contra humoristas, proscrição de slogans entoados há décadas e suspensão de subsídios públicos a instituições universitárias consideradas indulgentes demais com estudantes solidários aos palestinos marcam a atualidade desde 7 de outubro. A isso se soma a intimidação judicial. Em abril, várias personalidades políticas de oposição foram convocadas pela polícia no âmbito de uma investigação por “apologia do terrorismo”, e um dirigente sindical foi condenado a um ano de prisão com sursis pelo mesmo motivo. O escritor Bernard-Henri Lévy, por sua vez, perambula de estúdio em estúdio para justificar a destruição…

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