OS NÓS CENTRAIS DE UM CONFLITO CENTENÁRIO

Chile: paz e compreensão no sul?

Na construção de uma fórmula política para resolver o conflito do Estado com o povo mapuche, o caminho passa por uma ação simultânea das etapas descritas: comissão, investimentos sociais, Congresso, Ministério Indígena, mesa entre silvicultores-governo e autoridades ancestrais e, paralelamente, uma política de ações para enfrentar as diversas formas de violência que atingem alguns municípios das regiões do sul do Chile

O presidente chileno Gabriel Boric, durante visita à região de Araucanía, abriu uma porta para abordar o histórico “conflito entre o Estado e o povo mapuche”, recheado de situações de injustiças acumuladas durante décadas e cujo principal tema é a demanda pela restituição de terras. A dimensão desse conflito já foi abordada pelo Estado com a “Comissão Nacional da Verdade Histórica e Novo Acordo com os Povos Indígenas” (2001-2003). Esta foi convocada pelo presidente Ricardo Lagos após ele tomar conhecimento da dimensão do problema que herdou por causa da crise de confiança entre o povo mapuche e o Estado no caso da hidrelétrica Ralco (1994-1998), que violou a Lei Indígena 19.253 e enfraqueceu substancialmente a Corporação Nacional de Desenvolvimento Indígena (Conadi). No livro Ralco, ¿Represa o pobreza?, lançado pela editora Lom em junho de 1999, apresento todos os detalhes desse conflito, cuja ferida ainda está latente no povo mapuche. O…