China: o novo destino dos africanos
Em busca do comércio atacadista de produtos industriais, a presença africana na China cresce a taxas de 30% ao ano. O novo destino dos povos do continente negro não está livre da hostilidade. Mas o racismo, muitas vezes, acaba onde começam os negócios
Sua presença é notável por aqui. Estamos em um bairro entre Xiaobei Lu e Guangyuan Xi Lu, em Guangzhou (Cantão), no sul da China, a duas horas de trem de Hong Kong. Oficialmente, 20 mil africanos1, ou cerca de 100 mil, de acordo com um pesquisador da Universidade de Hong Kong2, vivem ou estão de passagem por esta “africantown” espremida entre duas vias expressas, rodovias suspensas e ferrovias. Apelidada de “Chocolate City” pelos chineses, esta área de 10 km2 é totalmente dedicada ao comércio. O igbo, o wolof ou o lingala fazem eco ao mandarim e ao cantonês. Desde sua entrada no cenário do comércio internacional, a China tem exercido uma poderosa atração sobre os países das ex-colônias. Ou, como frisou Mark Leonard, um ex-conselheiro diplomático de Tony Blair, “a China demonstrou que o chá verde, Confúcio e Jackie Chan (ator, diretor e especialista em artes marciais) podem competir com…

