OS SEMICONDUTORES NO CENTRO DE UMA BATALHA GLOBAL

Devemos temer um colapso eletrônico?

Fábricas de automóveis obrigadas a interromper a produção, videogames de última geração impossíveis de encontrar, dirigentes políticos em pânico: a escassez de semicondutores que afeta há um ano a indústria mundial toma ares de crise geopolítica. Ela põe em xeque o evangelho do livre-comércio. Os Estados serão capazes de garantir sua soberania digital?

A escassez global de semicondutores continua a ter estranhas repercussões, sobretudo do ponto de vista geopolítico. O que se passa? Há um ano, as indústrias lutam para se abastecer com os chips eletrônicos que equipam os aparelhos do dia a dia, de computadores a torradeiras, passando pelas máquinas de lavar e pelos consoles de videogame. Em maio, um consórcio de empresas norte-americanas pediu ao presidente sul-coreano anistia para Lee Jae-yong, ex-presidente da Samsung que cumpre pena de dezoito meses por corrupção.1 Para lidar com a vulnerabilidade dos Estados Unidos em matéria de chips, a Samsung precisaria concretizar sem demora seus planos de investimento de bilhões de dólares no território norte-americano. Com sua soberania eletrônica em jogo, subitamente os Estados Unidos amenizaram o discurso sobre o Estado de direito e o respeito à lei... Essa crise teria alegrado os intelectuais da Escola de Frankfurt, nem que fosse apenas para expor a…

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