CAMINHOS PARA ALARGAR O HORIZONTE

Eleições, clima e justiça racial

Os caminhos para alargar o horizonte estão no presente e passam por uma democracia antirracista e ambientalmente justa, que não se rende aos alarmismos e se ergue junto aos corpos historicamente escolhidos para morrer, mas que seguem decidindo viver e lutar

O debate público sobre clima e democracia oscila com frequência entre polos igualmente problemáticos: de um lado, o negacionismo, explícito ou disfarçado, que trata a crise ambiental como alarmismo e defende a redução do orçamento público para mitigação e adaptação, bem como ignora a necessidade de reparação; de outro, o desenvolvimentismo, que, embora não negue a crise, fecha os olhos para a gravidade da situação e segue aliado ao crescimento econômico, mesmo que à custa de atividades poluidoras e destrutivas, como o agronegócio, os megaprojetos extrativistas e a especulação imobiliária dos espaços urbanos. Uma escolha entre eles parece inevitável, mas é possível mudar os termos do debate e, em vez de focar a dicotomia que produz e/ou intensifica a crise, abrir caminho para aquilo que amplia nosso horizonte. Como afirma Sueli Carneiro, é preciso “resgatar sonhos e utopias” e reafirmar os direitos humanos como horizonte político diante dos tempos sombrios.[1]…

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