Eleições, regimes e futuros possíveis
Estamos de fato diante da iminência de um novo regime em caso da vitória de um candidato diferente de Lula? Os indícios dados pelo governo Bolsonaro são centrais para uma resposta mais rigorosa
O atual cenário pré-eleitoral apresenta feições conhecidas. Mais uma vez há a percepção de que a disputa não envolve apenas candidatos ou a continuidade do governo, mas também coloca em questão o próprio regime político instaurado após 1988. As promessas dos principais candidatos à direita convergem na defesa de uma mudança radical, definida pela ruptura dos elementos estruturantes da atual ordem política, da estrutura institucional aos valores vigentes. O clima é o mesmo das eleições posteriores a 2018 e encontra fortes similaridades com outros casos nacionais. Se ficarmos apenas na América do Sul, não é simples distinguir, para além das diferenças de idioma, os discursos de campanha da direita brasileira e os de presidentes eleitos nos últimos anos, como Javier Milei, na Argentina, Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e José Antonio Kast, no Chile. Se ampliarmos o olhar para outras regiões do mundo, é fácil nos convencermos de que…

