Entre o negacionismo e a ciência: o discurso de Boris Johnson

Populismo e crises

Entre o negacionismo e a ciência: o discurso de Boris Johnson

Populismo e crise | Reino Unido
por Grupo Discurso
9 de novembro de 2020
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O presente texto faz parte da segunda fase da série de artigos do Grupo de Pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas (DISCURSO)” na qual realiza-se a análise dos porta-vozes dos discursos científico e negacionista ao lidar com a pandemia da Covid-19 a partir da análise de discursos desenvolvida por Mouffe e Laclau[i]

 

Alterando a normalidade estabelecida pelas relações de poder dominantes, o acontecimento pandemia Covid-19 coloca em suspense a formação hegemônica vigente, dando margem à disputa política de discursos – com suas narrativas nas dimensões nacional e internacional.

Na pesquisa maior procuramos reconstruir o campo discursivo sobre a pandemia com os principais discursos em disputa – o “negacionista” e o “científico”, que articulam com ênfases diferentes dois pólos temáticos: a sustentabilidade da economia e a sustentabilidade da vida.

Neste artigo, objetiva-se caracterizar e evidenciar a análise da política de Boris Johnson, porta-voz internacional que implementa tanto o discurso negacionista, quanto o discurso científico.

O Primeiro-Ministro

Alexander Boris de Pfeffel Johnson, comumente conhecido como Boris Johnson, formou-se na universidade de Oxford, e posteriormente iniciou sua trajetória profissional como repórter e editor. O início de sua carreira como jornalista resultou em uma maior visibilidade no meio político por suas opiniões polêmicas, principalmente com relação à política europeia. Ingressou na política nacional no ano de 2001 como membro do parlamento em Henley, cidade inglesa,  representando o Partido Conservador, partido na qual seguiu trajetória até a atualidade, onde atua como primeiro-ministro do Reino Unido.

Johnson é conhecido por afirmar uma identidade polêmica e utilizar discursos de cunho emocional. Ao concluir sua formação em Oxford, foi empregado no renomado jornal britânico The Times, e posteriormente no The Daily Telegraph, conhecido por ser um veículo inclinado a posicionamentos conservadores. Sua carreira como jornalista foi marcada por uma forma inusual de escrever em conjunto com momentos controversos. De modo que, foi demitido por inventar uma citação de um entrevistado, o historiador Colin Lucas, em um artigo para o Times, tendo sido acusado também de publicar outros trechos não condizentes com a verdade, além do emprego de insultos raciais e conteúdo de viés homofóbico.[i]

Em seus primeiros anos como parlamentar em Henley, que iniciaram-se em 2001, Johnson desenvolveu uma reputação negativa por suas falas e ausência em votações do parlamento. Mas apesar disso, tornou-se um membro do Gabinete Paralelo, cargo do qual foi demitido por mentir sobre um caso extraconjugal.

Em 2008, tornou-se o candidato conservador para o cargo de prefeito de Londres, com a campanha baseada na redução do crime entre jovens e a redução de impactos ambientais provenientes de transportes públicos, sendo apoiado pelos partidos de direita do país, como o British National Party (BNP)[ii]. Ao ser eleito para o cargo de prefeito, Johnson manteve muitas políticas já estudadas por Ken Livingstone, ocupante do cargo no mandato anterior, como as Santander Cycles – mais conhecidas como Boris Bikes –, e as olimpíadas de Londres. Seu mandato como prefeito encerrou em 2016, retornando à House of Commons para tornar-se Membro do Parlamento, obtendo maior reconhecimento dentre a parcela conservadora da sociedade.

O assunto Brexit emerge com uma força intensa perante à sociedade britânica. Johnson torna-se um dos principais porta vozes de apoio à saída do Reino Unido da União Europeia, sendo esta a base de sua campanha ao concorrer ao cargo de Primeiro-Ministro. Porém, Theresa May foi vitoriosa na eleição em questão, selecionando Johnson para tornar-se seu Secretário das Relações Exteriores. Como secretário, Johnson manteve seu posicionamento forte em favor do Brexit. E novamente foi controverso, indo em desacordo com os posicionamentos oficiais do governo em assuntos como Gibraltar, Rússia e o próprio Brexit. Tal fato ocasionou um conflito baseado na divergência de opiniões entre Boris e a Primeira-Ministra. Em julho de 2019, por conta da dificuldade em implementar o Brexit em um acordo com a União Europeia, e falta de apoio do parlamento, Theresa May resignou o cargo. Resultando em uma oportunidade para Johnson intensificar e relançar sua campanha, fortemente baseada no Brexit, o que foi um ponto definitivo para garantia do apoio do parlamento e da população que aguardava a saída do bloco. O processo de escolha do sucessor foi feito a partir da votação entre deputados do Partido Conservador, seguindo para a votação dos filiados ao partido.

Johnson foi vitorioso, apoiado fortemente pelos filiados do Partido Conservador do Reino Unido. Já como primeiro-ministro, um dos pontos marcantes de seu governo foi a tentativa de fechar o Parlamento em meio à negociação do Brexit, alegando que o estavam impedindo de negociar apropriadamente com a União Europeia. Seus atos foram vistos como um ataque a democracia. A tentativa foi apontada como ilegal pela Corte Suprema, obrigando o primeiro-ministro a voltar atrás com sua decisão. Em dezembro do mesmo ano, com a realização das eleições gerais, Boris Johnson, vitorioso, mantém-se no cargo, sob o slogan Get Brexit done[iii] com alta popularidade e fortalecendo ainda mais sua imagem.

No início de 2020, o Reino Unido deixa formalmente o bloco, Johnson prontamente garantiu seu projeto de lei do Acordo de Retirada da União Europeia, na qual uma maioria de 124 parlamentares votou a favor. Em seguida, o Reino Unido entra em um período de transição para a discussão do rumo das relações Reino Unido-União Europeia, impactada pelo alastramento da Covid-19 no mundo, que se torna o assunto principal.

Ao enfrentar o vírus, Johnson é errático e entra em contradição com o peso da ciência e o que julga necessário para o Reino Unido, tendo em vista a opinião pública. Ao subestimar o poder de transmissão do vírus, a resposta de Boris Johnson foi considerada lenta. Em primeiro momento, o primeiro-ministro adotou uma postura negacionista, apostando apenas na detecção de casos, dando apertos de mão em pacientes infectados, optando por não fechar escolas e anunciando que cancelar eventos de larga escala não impediria o aumento de contaminações. De forma geral, sua política se baseia em significativas divergências, seja com organizações de saúde ou com a população. Porém, depois de contrair o vírus, Johnson reitera a importância do sistema nacional de saúde britânico (NHS) e adota um viés científico a seu discurso, ainda assim marcado por contradições.

 

Boris Johnson aplaude ps profisisonais do sistema de saúde britânico em março de 2020 (REUTERS/Hannah McKay )

 

Keep calm and carry on – A atuação de Boris Johnson frente a Covid-19

Os meses de janeiro e fevereiro marcaram o início da proliferação do vírus causador da Covid-19 pelo Reino Unido, na qual a maioria dos infectados anteriormente viajavam por países como a China e Itália. No início do mês de março de 2020, com a evolução no número de casos para 36 infectados no Reino Unido, o governo dá início ao estudo da aplicação de um plano de combate a proliferação do vírus. Neste primeiro momento, Boris Johnson apresentou performances baseadas em uma resposta lenta ao vírus, priorizando adiar o pico da curva de infecções. Em suas primeiras declarações públicas, reiterava-se o descaso com as recomendações de instituições de saúde internacionais, como a OMS. Eu aperto a mão de pacientes com Covid-19. Eu aperto a mão de todos. E continuarei a apertar a mão de todos. Com isto, Johnson objetivava exprimir proximidade com a população, ainda que diante da pandemia, estivesse desrespeitando uma das principais medidas de combate ao vírus. Logo, revelou descaso com a comunidade científica e a saúde nacional. Para além disso, suas recomendações basearam-se em lavar as mãos e que aqueles que estivessem com sintomas, deveriam realizar o isolamento por 7 dias,  porém, as restrições em prol do isolamento social de forma geral foram mínimas, e as perspectivas do primeiro-ministro não eram positivas – vocês irão perder entes queridos antes da hora. Utilizando como base estudos científicos, Johnson afirmou que o cancelamento de grandes eventos não seriam eficientes, mesmo diante de outras evidências científicas difundidas internacionalmente abordando a necessidade do distanciamento e possivelmente de um lockdown. Assim autorizou o acontecimento de eventos como o Festival de Chentelham, que posteriormente foi apontado como um dos fatores de aceleração de contaminação[iv]. Atuou de forma similar ao decidir não fechar escolas e pubs em um primeiro momento.

Foi em 16 de março, após o número de infectados evoluir de 100 para 3.269 em aproximadamente duas semanas[v], que Boris Johnson efetivou o fechamento de pubs, restaurantes e academias. E no dia 23 de março, em um pronunciamento feito em rede nacional pelo primeiro-ministro, foi anunciado o início do lockdown, tendo como medidas principais: evitar sair de casa, permitindo apenas uma atividade física por dia e apenas encontrar-se com pessoas que residem no mesmo local, além do fechamento de comércios não essenciais. E ressaltou ainda que, mesmo diante da adoção destas medidas, o cenário não é positivo –  muitas vidas, infelizmente, serão perdidas.[vi] Johnson reiterou que, caso necessário, a polícia pode intervir em prol do cumprimento das regras de distanciamento social. No mesmo dia, o governo divulgou a abertura dos auxílios financeiros para negócios[vii], a fim de colaborar com a movimentação econômica e impedir o fechamento de empresas por conta dos impactos da pandemia.

Portanto, este primeiro momento de enfrentamento à Covid-19 é caracterizado por uma subestimação dos efeitos do vírus e uma resposta governamental atrasada, entrando em desacordo com as recomendações de saúde da OMS. Suas políticas iniciais foram marcadas pelo negacionismo, porém, em uma lenta caminhada para a abordagem científica, ao implementar de forma vagarosa ações com o objetivo de combater o vírus.

Eu desenvolvi sintomas leves de Coronavírus

No dia 27 de março, o primeiro-ministro anuncia, por meio de sua rede social Twitter, que contraiu Covid-19, sentindo sintomas leves, como uma leve alteração de temperatura e tosse. Ele afirmou que continuaria trabalhando isolado, de Downing Street, local que abriga escritórios e residências oficiais do primeiro-ministro, – nós vamos superar isso, por meio das políticas que tanto falamos[viii]. Ser infectado pelo vírus também implicou na ressignificação da abordagem da pandemia, através de uma articulação de práticas discursivas[ix] negacionistas e científicas.

Esta articulação é evidenciada na implementação de medidas de segurança. No final de março, enquanto a população demonstrava preocupação com relação ao baixo número de testagens, a Vice-Chefe do Serviço de saúde da Grã-Bretanha, Jenny Harries, apontou que a abordagem definida pela OMS, de intensa testagem não era um mecanismo necessário ao país, apenas em casos de maior risco[x]. Porém, no dia 2 de Abril, o Ministro da Saúde Matt Hancock anunciou que o governo iria colocar em ação o plano de 100.000 testagens diárias, objetivando unir o governo, a academia e a indústria em um esforço nacional baseado em cinco pilares de testagem[xi], porém, na semana seguinte, as testagens ainda estavam em 20.000 exames por dia, não alcançando o objetivo proposto. A proposição novamente foi abalada quando o governo revelou que os testes comprados de empresas chinesas por um preço mais amigável não funcionavam corretamente.[xii] Tais fatos demonstram o caráter errático do governo, não mantendo uma estratégia fixa, alterando os planos de ação frequentemente.

Ao mesmo tempo em que ocorria este cenário conflituoso, Downing Street anunciou que o estado do primeiro-ministro piorou, sendo admitido no hospital, recebendo os cuidados necessários e posteriormente transferido para uma unidade de tratamento intensivo. O momento foi marcado pela expectativa nacional e internacional da melhora do quadro de Johnson.

O primeiro-secretário de Estado, Dominic Raab, assumiu como substituto das funções do primeiro-ministro, momento em que também se noticiava o prolongamento do lockdown, anteriormente previsto até 13 de abril, foi estendido por conta do crescente número de mortes – registraram-se 4.935 no dia 6 de abril. O governo indicou um planejamento de maiores restrições para o reforço da quarentena, porém, sem especificação de maiores detalhes e direcionamentos para a população, gerando questionamentos sobre o que era correto e incorreto.

Dirigindo-se a Dominic Raab, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, demonstrou ao governo a necessidade de um plano bem definido de lockdown, defendendo a necessidade de transparência e alegando que anteriormente não houve um planejamento rápido.[xiii] Como resposta, o porta-voz de Boris Johnson afirmou que o foco é manter a população em casa, enquanto o governo administra a capacidade do sistema público de saúde – não temos a resposta para tudo isso agora – uma vez que não haveria uma perspectiva inteiramente positiva, por conta da imprevisibilidade do vírus.

Um mês depois, no dia 27 de abril, após recuperar-se, Boris Johnson realizou um pronunciamento reiterando a importância do lockdownDeixar as taxas aumentarem novamente significaria não apenas uma nova onda de morte e desastre, como um desastre econômico[xiv]. Afirmando ainda a existência de melhorias, como o menor número de admissões em hospitais, menor número de pacientes de Covid-19 no tratamento intensivo e sinais de que o pico havia chegado ao fim – Vamos nos apoiar na ciência, como feito desde o início, mas também vamos procurar um consenso pela indústria e pelos negócios.

Em contradição com o pronunciamento e sua perspectiva de melhora no quadro nacional, no dia 5 de maio, dados oficiais evidenciam que o número de mortos no Reino Unido elevaram-se alarmantemente, alcançando 29 mil vítimas, ultrapassando a Itália e tornando-se o país mais afetado na Europa[xv]. Tal cenário ocasionou maior insatisfação da população, aprofundada pelo ocorrido com Neil Feguson, professor epidemiologista que fundamentou o projeto de quarentena no Reino Unido, mas depois de uma situação em que não respeitou o lockdown, resignou de seu cargo de Conselheiro do governo[xvi]. Como resposta, um grupo de cientistas redigiu uma carta reiterando a importância de seguir a quarentena rigidamente se embasando em pesquisas cieníficas nacionais científicas de diversas áreas[xvii].

O conflito de um agente primordial para a implementação do lockdown não cumprindo as medidas de isolamento gerou uma tensão entre a população e as ações do governo. O embate a respeito da necessidade da implementação da quarentena se intensificou, dividindo a sociedade e a comunidade política entre aqueles que guiavam-se a partir da perspectiva científica, e aqueles de viés negacionista, baseado no discurso da liberdade e na sustentabilidade da economia.

Em meio às polêmicas, Boris Johnson altera o slogan de sua campanha de combate à Covid-19 de Fique em casa, controle o vírus, salve vidas para Fique alerta, controle o vírus, salve vidas. Ao mesmo tempo em que relatava à sociedade o recesso econômico sofrido pelo Reino Unido, reiterou a importância da população permanecer em suas residências, porém, para os casos que o trabalho home office não seja possível, sugeriu retornar ao trabalho presencialmente[xviii], exprimindo certa contradição. Johnson objetivava apresentar o início de um plano de retorno à vida normal.

 

Boris Johnson em coletiva de imprensa – julho de 2020 (Crédito: Number 10/Flickr)

 

A segunda onda

 

Os meses de junho e julho foram caracterizados pelo enfraquecimento do lockdown, apesar da taxa registrada em 40 mil mortes no Reino Unido, em conjunto com a previsão da Organisation for Economic Cooperation and Development de que o Reino Unido sofrerá mais danos econômicos que qualquer outro país desenvolvido no mundo.

No primeiro dia de junho, ao enfrentar exigências da população a respeito das medidas de isolamento, o primeiro-ministro aponta em um pronunciamento oficial as diversas melhorias resultantes do lockdown. Como a taxa de mortes diárias reduzida, taxa de infecção reduzida, progresso nos recursos, testagem e investimento em EPIs. Com isto, baseando-se em cinco testes de segurança – capacidade do NHS, queda na taxa de mortes, queda na taxa de contaminações, capacidade de testagem e EPIs e a certeza de que as medidas aplicadas não ocasionem em uma segunda onda –, apresenta a redução de medidas de lockdown. Tais mudanças foram apontadas pelo primeiro-ministro como limitadas e cautelosas, sendo elas: A reabertura de escolas para turmas do primeiro ao sexto ano e de Shoppings, seguindo as medidas sanitárias recomendadas. Além disso, a permissão para reunião de grupos de até seis pessoas em um único local, podendo se tratar de indivíduos de residências distintas.

Ao longo do tempo, outras medidas caracterizaram o afrouxamento do lockdown: maior liberdade para encontrar outros indivíduos em suas residências; a abertura de serviços não-essenciais, tais como shoppings, zoológicos, e igrejas; menor distanciamento social – redução de 2 metros para 1 metro –, a reabertura de pubs, cinemas e restaurantes; a retirada da necessidade de quarentena para indivíduos recém-chegados de cinquenta e nove países[xix]; abertura de piscinas públicas e parques aquáticos. Houveram casos particulares, em que estas medidas não se aplicaram, como na ocorrência de um pico no número de casos em Leicester. Nessa ocasião, o governo anunciou a reintrodução de medidas mais rígidas de lockdown para a cidade em questão.

No dia 31 de julho, em um pronunciamento oficial,  Boris Johnson afirmou o progresso do Reino Unido no combate à pandemia – É vital enfatizar que estamos em uma posição muito melhor para manter o vírus sob controle agora do que no início da pandemia, porque sabemos muito mais sobre o vírus e temos muito mais ferramentas à nossa disposição para lidar com isto. Ao mesmo tempo, revelou dados do Office for National Statistics que demonstravam que a prevalência do vírus na comunidade estaria aumentando pela primeira vez desde maio e, portanto, adiando a abertura de estabelecimentos – como cassinos e pistas de patinação –  por mais quinze dias .

Em meio à constantes divergências na abordagem usada para lidar com a pandemia e o lockdown, os meses de agosto e setembro foram caracterizados por fortes críticas à gestão de Boris Johnson. Em conjunto com falhas do sistema de testageme com o aumento no número de contaminações.

Apesar da perspectiva negativa apontada por cientistas, apontando obtendo como conclusão a  necessidade do reforço do lockdown, e o relatório divulgado pela agência governamental Public Health England afirmando que 198 casos de contaminação foram associados à reabertura parcial de escolas realizada nos meses anteriores, Johnson diz que reabrir escolas é um dever moral do governo, baseando-se no argumento de que manter as escolas fechadas é socialmente intolerável, economicamente insustentável e moralmente indefensável[xx]. No início de setembro, apesar do constante aumento no número de contaminações, Johnson segue seu plano de reabertura das escolas. Inserindo apenas algumas medidas de reforço ao distanciamento social, por meio da restrição de encontros sociais para grupos de 6 pessoas, com exceção de situações particulares como funerais e casamentos. Adotou também restrições locais, como na cidade de  Manchester, por conta do elevado número de contaminações.

E foi em meados de setembro, que o constante aumento no número de contaminações atingiu seu ponto crítico por conta do recorde no número de notificação de novos casos diários desde o início da pandemia, chegando à 6.874 contaminações, de acordo com dados disponibilizados pelo governo. Como medida de contingência, Johnson inseriu restrições de horários de pubs e restaurantes, obrigando o fechamento às 22h, e incentivou que, caso possível, se realizasse o trabalho home office, também aumentando a multa pelo não uso de máscara para 200 libras (aproximadamente R$1.494,00), afirmando ainda a possível inserção de um lockdown como último recurso.

Como resposta às constantes alterações nas medidas de isolamento, durante sessão na Câmara dos Comuns, Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, demonstrou sua insatisfação com o governo atual – incompetência em série -, obtendo como resposta de Johnson que seu governo conseguiu mudar o cenário anterior, apesar da  negatividade e dos constantes ataques da oposição. O posicionamento de Starmer reflete a opinião de diversos setores da população, visto que é possível observar uma significante queda na aprovação da gestão do primeiro-ministro.

Para além do crescente número de contaminações e alterações nas medidas de distanciamento social, outro ponto relevante em discussão é o termo de saída do Reino Unido da União Europeia. Sendo o Brexit ponto principal da campanha presidencial de Boris Johnson, que afirmava a saída do bloco em prol de um ilustre futuro para a nação, mesmo o efetuando sem acordo. Com a proximidade da data da definitiva saída do Reino Unido do bloco, as pressões são ainda maiores com relação à estruturação de um plano de saída, considerando a enorme recessão econômica por conta da pandemia. Ao negociar com a União Europeia os termos pós-Brexit, houve progresso no que diz respeito a questões como segurança social, aviação e cooperação nuclear. Porém, de acordo com Johnson, por qualquer motivo, é claro na cúpula que depois de 45 anos de adesão eles não estão dispostos, a menos que haja alguma mudança fundamental de abordagem, para oferecer a este país os mesmos termos que o Canadá sendo estes termos citados baseados em amizade e livre-comércio, restando a opção de um acordo semelhante ao da Austrália, baseado em princípios simples de livre comércio global. Afirmando que faltam poucas semanas para o fim do período de transição do Brexit, o primeiro-ministro reforçou a necessidade de fazer um julgamento sobre o resultado provável e preparar o país. Apesar das divergências com relação a um acordo final, Mujtaba Rahman, analista do Brexit, acredita que há esperança para a criação de um acordo na próxima vez que os líderes da UE se reunissem em Berlim, no dia 15 de novembro[xxi].

  

O discurso de Boris Johnson

 

Tendo como referência a teoria de análise política do discurso, desenvolvida por Mouffe (2014) e Laclau (2007)[xxii], com o auxílio da metodologia de  frame analysis (marcos interpretativos) de Gálvan (2012)[xxiii], realiza-se a análise das práticas discursivas do primeiro-ministro baseando-se em em três marcos: Marco de diagnóstico – no qual é identificado o principal problema; Marco de prognóstico – no qual apresenta-se a solução para o problema e o Marco de motivação – no qual além de colocar soluções para resolver o problema, se procura o engajamento das pessoas nessas soluções através de referências de cunho moral, social, político ou histórico.

 

Portanto, identificamos no Marco de Diagnóstico que a questão que se destaca como problema para o primeiro-ministro Boris Johnson é o impacto da Covid-19 nas dimensões sociais e econômicas da população. Para além de uma crise da saúde pública, resultante dos hospitais atuarem além da sua capacidade, é uma crise econômica. Apontando a situação como um desastre para o Reino Unido, o primeiro-ministro reitera em suas práticas discursivas o vírus como um inimigo mortal, que deve ser derrotado. A injustiça está presente na medida em que o vírus causa restrições e recessões tanto na vida individual quanto em nível nacional, frente a uma ameaça que impacta até os melhores sistemas de saúde. Estas restrições surgem em duas frentes: a econômica, dado que os trabalhadores enfrentam dificuldades para manter seus negócios, impactando a economia nacional; E a social, tendo em vista a perda de vidas e a perda da liberdade, ambas instigadas pela pandemia e  ações governamentais.

Com relação ao marco do prognóstico, a frente que se destaca como dimensão vencedora é baseada na atuação governamental aliada à ciência e a aos incentivos econômicos, e também levando em consideração os impactos econômicos e a opinião pública. As ações governamentais predominantes no início do combate à pandemia, basearam-se na gradual reiteração das medidas de segurança estabelecidas pela OMS, iniciada pela frase comumente dita por Johnson, lembrem de lavar as mãos. Posteriormente, evoluindo para a suspensão de grandes eventos e aulas, incentivos ao home office e o aumento de testagens diárias na população.Seguido pela implementação do lockdown e o slogan Fique em casa, controle o vírus, salve vidas e a aplicação de medidas em prol da sustentabilidade econômica, por meio de auxílios para empresas e trabalhadores autônomos. Ao analisar o plano governamental a partir do final do mês de junho, é possível percever que houve uma maior atenção à opinião pública e aos danos na economia por conta do desaceleramento das relações comerciais e o fornecimento de auxílios para a população. Resultando no desmantelamento das ações de distanciamento social e do lockdown,  ficar alerta substituiu o anterior bordão fique em casa, e foi realizada a reabertura do comércio e a diminuição do distanciamento social.

Já no marco de motivação, percebe-se que o conceito nação é constante nas performances do primeiro-ministro. Reitera-se a colaboração como ponto fundamental, e ponto de incentivo frente às dificuldades, visto que foi esta mesma nação que já enfrentou guerras. Essa concepção de guerra também é aplicada ao referir-se ao vírus, esse inimigo pode ser mortal, utilizando este conceito para definir a seriedade do acontecimento Devemos agir como qualquer governo em momento de guerra, e fazer o necessário para dar suporte à economia  reforçando que esse tipo de recessão ocorre apenas em períodos de embate. O fato de Boris Johnson ter se recuperado da Covid-19 reafirmou a confiança no Sistema Público de Saúde (NHS) e instigou a população a seguir corretamente os protocolos de saúde. Pois Johnson ratificou a seriedade da doença ao afirmar que enfrentou uma situação crítica sendo internado no tratamento intensivo. No entanto, aos poucos isso foi sendo perdido por suas ações contraditórias com o discurso de viés científico.

 

 

Nas práticas discursivas do primeiro-ministro, ao abordar o contexto de pandemia e combate ao vírus, existe a oposição ao Partido Trabalhista. Visto que estão atuando em diversas frentes, ativamente tecendo críticas à gestão de Boris Johnson em diversas frentes. Sendo assim, durante a pandemia, a negatividade da oposição é apontada como o eles para Johnson. Porém, a caracterização do eles na sua estratégia discursiva, baseia-se primordialmente nas consequências do vírus. De forma que, seus impactos se estabelecem como ponto nodal, e cria-se uma cadeia de equivalência com a redução de liberdades da nação, o recesso econômico, o fechamento de escolas e grandes eventos, as mortes e enfermidades, o resultado de um contexto de guerra. Esta redução do eles nas performances de Johnson, se comparando com momentos anteriores à pandemia – quando deixava bem claro suas oposições – se daria pela crítica situação em que o primeiro-ministro se encontra. Não só tendo uma gestão altamente criticada mundialmente, mas também com a economia em recessão e a imensa perda de apoio popular.

 

 

Se na construção do eles , dilui-se os atores e concentra-se no coronavírus e seus impactos, já na caracterização do nós de Boris Johnson, a nação surge como ponto nodal. Destacando, como primordial para o combate ao vírus, a atuação conjunta da população, por meio do respeito às indicações de distanciamento social, como o lockdown, e atitudes como o voluntariado. Assim como a atuação dos trabalhadores essenciais, do governo – como aquele que implementa políticas econômicas e sanitárias pelo bem da população – e da ciência – como fonte de informação e segurança, e, possivelmente, uma cura. A partir desse ponto nodal, formula-se uma cadeia de equivalências compostas de conceitos como a colaboração, ficar em casa para salvar vidas, ficar alerta, lavar as mãos, abrangindo aqueles que, respeitando as medidas recomendadas pelo governo, objetivam o alcance da estabilidade econômica do país e a derrota do vírus.

 

 

Com isto, fica evidente que, nas práticas discursivas do primeiro-ministro, o coronavírus é o agente de perpetuação dos negativos impactos econômicos e sociais na sociedade britânica. Ao analisar as práticas discursivas de Boris Johnson, observamos performances guiadas pela emoção. Por exemplo, ao definir o combate ao vírus como o enfrentamento de uma guerra, diante de uma nação livre, na qual refere-se diretamente e como parte deste conjunto, em conversa com a população, conversa essa que nem sempre é clara e positiva. Em conjunto, utiliza o auxílio da ciência, através de dados de instituições científicas, alternando com opiniões pessoais para embasar as ações implementadas pelo governo.

 

Boris Johnson discursando na Dudley College of Technology sobre o processo de recuperação econômica da Covid-19. Crédito: Number 10/Flickr)

 

Como principais meios de comunicação, o primeiro-ministro utiliza redes sociais e pronunciamentos televisionados oficiais para a divulgação de informações. Estes meios são usados para informar a população à respeito das medidas governamentais, como o lockdown. Bem como, para falar de situações específicas, por exemplo o anuncio de que Boris Johnson contraiu o vírus, feito por meio de sua conta na rede social Twitter. Ou ainda, para reiterar a importância da população seguir as recomendações de saúde, exemplificado pelo bordão do primeiro-ministro: lavem as mãos.No mais, os comentários realizados pela população em redes sociais demonstram a divisão de opiniões com relação à atuação de Johnson frente à pandemia.

 

Tweet do primeiro-ministro Boris Johnson comunicando que testou positivo para o novo coronavírus – Reprodução

 

A base de apoiadores do primeiro-ministro no momento pré-pandemia era composta majoritariamente por homens de faixa etária entre 56-74 anos, apoiadores do Partido Conservador, empresários, defensores do Brexit e indivíduos contra a imigração. Sendo essa uma base fortificada, visto que, ao eleger Boris Johnson, o Partido Conservador realizou sua maior vitória desde Margaret Thatcher, Primeira Ministra do Reino Unido de 1979 à 1990. Nesse sentido, ao pensar em Boris Johnson, o imaginário social visualiza um homem conservador, confiante, engraçado, admirável e inteligente[xxiv]. É importante pontuar o crescimento de popularidade de Johnson frente ao Brexit. Territórios que usualmente apoiariam o partido de oposição – centro e norte da Inglaterra, antigas regiões mineradoras e industriais –, começaram a apoiar o Partido Conservador, resultando em um aumento em 6% na base apoiadora visando o processo de saída da União Europeia, ponto principal da campanha do primeiro-ministro.

Como oposição, observamos o Partido Trabalhista, pessoas contra o Brexit, pessoas a favor da imigração e, atualmente, grandes polêmicas nas redes sociais, caracterizadas pelas divisões de opinião com relação à Covid-19, que resultaram em perda de popularidade durante gestão da pandemia e na quebra de parte de sua imagem.

Especificamente no que toca a popularidade do primeiro-ministro durante a pandemia, observamos os seguintes pontos: que o período de início de implementação do plano governamental com o objetivo de retardar o número de infecções de Covid-19, apontou um expressivo aumento no número da aprovação do primeiro-ministro. Porém esta aprovação inicial foi seguida por um rápido aumento na reprovação. A reprovação surgiu após semanas de implementação do lockdown, sendo esta medida a causa de grande polaridade nacional, aprovada majoritariamente por jovens e adultos abaixo de 50 anos, e reprovada por grupos acima de 50 anos, assim como grandes divergências de opinião por região. Locais mais afetados pelo vírus – como Londres e Escócia – pensam que, atualmente, o governo não está atuando de forma positiva, já o restante dos locais aprovam as medidas. Para além disso, 22% dos apoiadores do Partido Conservador, que votaram no mesmo nas eleições de 2019, também acreditam que o governo não está lidando positivamente com  a pandemia.

A estratégia de Johnson é caracterizada por atitudes erráticas, alterando constantemente medidas de quarentena. Como resultado, observa-se que 73%  do público gostaria de informações mais detalhadas à respeito do que é e não é permitido durante a pandemia, enquanto 23% acreditam que apenas informações básicas são necessárias. Com isto, ocorre um impacto na confiança a respeito da implementação de medidas contra a pandemia, assim como confusão à respeito de como seguir estas medidas, evidenciado em pesquisas populares onde a maioria dos votos afirma que as medidas não são tão claras. Com relação ao partido de oposição, o líder do Partido Trabalhista foi apontado como a primeira escolha da população para primeiro-ministro, de acordo com novas pesquisas de opinião[xxv], em detrimento da figura de Boris Johnson, extremamente impactada pela atual gestão.

Portanto, é evidente que a imagem e a base apoiadora de Boris Johnson foram negativamente impactadas durante sua gestão da pandemia. Manchetes como Competência importa, e Johnson não tem[xxvi] e O time de Johnson está perdendo fé[xxvii], em conjunto com fortes críticas nas redes sociais, e obtendo uma das piores taxas de aprovação no mundo, caracterizam este impacto sofrido em sua imagem de um conservador de confiança e eficiente, que prometeu entregar o Brexit à qualquer custo, mas que agora mostra-se um político sem atitude, sem conseguir gerenciar uma crise.

Conclusão

Em conclusão, as performances de Boris Johnson são caracterizadas pela alternância entre o discurso negacionista e científico. Diante de um cenário nacional onde ocorreu a transição de um esperado Brexit e um futuro glorioso, para uma pandemia de imensos impactos no Reino Unido, as performances de Boris Johnson demonstram a tentativa de conciliar a sustentabilidade da vida, com a sustentabilidade da economia e a opinião pública.

Nos primeiros momentos, Johnson subestimava os possíveis impactos da pandemia, não implementando medidas de distanciamento social e apenas incentivando a higiene básica, porém, ao ser infectado com o vírus e vivenciar momentos críticos – sendo internado no tratamento intensivo-, seu plano de ação mudou, e passou a se basear nas recomendações de saúde de instituições como a OMS. Fique em casa, proteja o NHS, salve vidas foi a frase que definiu o início da abordagem científica de Johnson, reiterando a necessidade de ficar em casa, em conjunto com medidas de auxílio financeiro e o fechamento de locais públicos, como escolas, shoppings e pubs.

E assim como transitou rapidamente de um plano de ação permeado de negacionismo para uma estratégia baseada na ciência, alterou mais uma vez sua perspectiva para Fique alerta, controle o vírus, salve vidas onde o lockdown foi se desfazendo conforme as semanas foram passando, e os pubs que anteriormente estavam impossibilitados de abrir, obtém a liberdade para funcionar normalmente, assim como shoppings, parques, e até mesmo escolas. O processo como um todo foi acompanhado por uma retração na economia, uma população confusa e uma oposição pronta para mostrar sua insatisfação, fatores que atingiram fatalmente a popularidade de Johnson.

Combatendo à Covid-19, esta administração revelou-se confusa e ineficiente, onde além do embate entre o negacionismo e a ciência, surgiu o embate entre um Boris Johnson confiante e disposto a entregar o Brexit a qualquer custo e um Boris Johnson retraído, constantemente alternando propostas e atacado pela população. Este segundo Boris, o Boris Johnson do presente, para além da perda de sua identidade anterior, lida com uma possível segunda onda do vírus e o medo de um ponto final conturbado à saída do Reino Unido da União Europeia.

Por fim, pode-se dizer que por trás de uma candidatura baseada no Brexit e o vislumbre de um futuro brilhante, há a realidade: a inoperabilidade do negacionismo diante de uma crise que clama por ciência e colaboração a todo momento.

Juana dos Santos Pereira, Jorge O. Romano, Ana Carolina Aguiar Simões Castilho, Caroline Boletta de Oliveira Aguiar, Érika Toth Souza, Larissa Rodrigues Ferreira, Myriam Martinez dos Santos, Pâmella Silvestre de Assumpção e Vanessa Barroso Barreto, Thais Ponciano Bittencourt, Liza Uema, Paulo Augusto André Balthazar, Annagesse de Carvalho Feitosa, Eduardo Britto Santos, Daniel Macedo Lopes Vasques Monteiro, Daniel S.S. Borges, Juanita Cuellar Benavídez, Renan Alfenas de Mattos e Ricardo Dias são pesquisadoras e pesquisadores do grupo de pesquisa “Discurso, Redes Sociais e Identidades Sócio-Políticas (DISCURSO)” vinculado ao Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento Agricultura e Sociedade e ao Curso de Relações Internacionais do DDAS/ICHS da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, registrado no CNPq e com apoio de ActionAid Brasil.

[i] LACLAU, E.; MOUFFE, C. Hegemonía y estrategia socialista: hacia una radicalización de la democracia. Madrid: Siglo XXI, 1987. LACLAU, E. A Razão Populista Ed. Três Estrelas, São Paulo, 2013.

[i] STUBLEY, Peter. Boris Johnson: The most infamous lies and untruths by the Conservative leadership candidate. The Independent, 25 mai 2019. Disponível em: https://www.independent.co.uk/news/uk/politics/boris-johnson-lies-conservative-leader-candidate-list-times-banana-brexit-bus-a8929076.html

[ii] BIENKOV, Adam. The far-right BNP backs Boris Johnson as Britain’s new Trump. Business Insider, 13 ago 2020. Disponível em: https://www.businessinsider.com/bnp-backs-boris-johnson-britain-trump-burqa-muslim-women-2018-8

[iii] Metodologicamente, ao longo do texto, colocamos em itálico palavras ou significados tanto expressos nas práticas discursivas dos porta-vozes como aquelas que achamos adequadas, em termos de significado, pelo trabalho analítico e que gostaríamos de destacar.

[iv] MORTIMER, Hayley. Coronavirus: Cheltenham Festival “may have accelerated” spread. BBC News, 30 abr 2020. Disponível em: https://www.bbc.com/news/uk-england-gloucestershire-52485584

[v] EMBURY-DENNIS, Tom. Coronavirus: A timeline of how Britain went from ‘low risk’ to an unprecedented national shutdown. The Independent, 21 mar 2020. Disponível em: https://www.independent.co.uk/news/uk/home-news/coronavirus-uk-timeline-deaths-cases-covid-19-nhs-social-distancing-a9416331.html

[vi] JOHNSON, Boris. “Please join me for an important update on #coronavirus #StayHomeSaveLives”. 23 mar 2020. Twitter: @BorisJohnson. Disponível em: https://twitter.com/BorisJohnson/status/1242187201334607886

[vii] HM TREASURY. Coronavirus – Business support to launch from today. GOV.UK, 23 mar 2020. Disponível em: https://www.gov.uk/government/news/coronavirus-business-support-to-launch-from-today

[viii] JOHNSON, Boris. “Over the last 24 hours I have developed mild symptoms and tested positive for coronavirus. I am now self-isolating, but I will continue to lead the government’s response via video-conference as we fight this virus. Together we will beat this. #StayHomeSaveLives”. 27 mar 2020. Twitter: @BorisJohnson. Disponível em: https://twitter.com/BorisJohnson/status/1243496858095411200

[ix] Por prática discusiva entende-se qualquer ação empreendida por sujeitos, identidades e grupos sociais dotada de significados. Ou seja, performance, falas, imagens ou ato comunicacional.

[x]JOHNSON, Helen. Government responds to “test test test” criticism from WHO. Manchester Evening News, 26 mar 2020. Disponível em: https://www.manchestereveningnews.co.uk/news/greater-manchester-news/government-responds-test-test-test-17989017

[xi] DEPARTMENT OF HEALTH AND SOCIAL CARE. Health Secretary sets out plan to carry out 100,000 coronavirus tests a day. GOV.UK, 2 abr 2020. Disponível em: https://www.gov.uk/government/news/health-secretary-sets-out-plan-to-carry-out-100000-coronavirus-tests-a-day

[xii] KIRKPATRICK, David D.; BRADLEY, Jane. U.K. Paid $20 Million for New Coronavirus Tests. They Didn’t Work. The New York Times, 16 abr 2020. Disponível em: https://www.nytimes.com/2020/04/16/world/europe/coronavirus-antibody-test-uk.html

[xiii] BBC NEWS.Coronavirus: Labour calls for lockdown exit strategy this week. BBC, 15 abr 2020. Disponível em: https://www.bbc.com/news/uk-politics-52287920

[xiv] ABC NEWS. UK PM Boris Johnson returns to work after recovery from COVID-19. 27 abr 2020 Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GY1ZIBQV248

[xv] BBC NEWS. Coronavirus: UK death toll passes Italy to be highest in Europe. BBC, 05 maio 2020. Disponível em: https://www.bbc.com/news/uk-52549860

[xvi] BBC NEWS.Coronavirus: Prof Neil Ferguson quits government role after ‘undermining’ lockdown. BBC, 06 maio 2020. Disponível em:https://www.bbc.com/news/uk-politics-52553229

[xvii] Tackling COVID-19: a collaborative scientific effort – public version. Disponível em: https://docs.google.com/document/u/1/d/e/2PACX-1vSxP91cr4TOPVi9gwW4mGL9BL2wyQAVjFOw-pB2aRe3uXXXIfyDrJpef5Qp0B8_l9en6buM0LTjRSYq/pub

[xviii] CLINCH, Matt. Boris Johnson outlines “conditional” plan to slowly reopen UK economy. CNBC, 10 maio 2020. Disponível em: https://www.cnbc.com/2020/05/10/coronavirus-uk-boris-johnson-outlines-plan-to-reopen-economy.html

[xix] BBC NEWS.Coronavirus: England’s quarantine-free list of countries published. BBC, 03 jul 2020. Disponível em: https://www.bbc.com/news/uk-53283375

[xx]ABC. Coronavirus update: UK PM Boris Johnson says the Government has a ‘moral duty’ to open schools, scientists warn of dangerous COVID-19 threshold. ABC News, 08 ago 2020. Disponível em: https://www.abc.net.au/news/2020-08-09/coronavirus-update-covid19–brazil-deaths-pass-100,000/12538262

[xxi] O’CARROLL, Lisa; WALKER, Peter; SEVERIN CARRELL; et al. Boris Johnson tells UK: prepare for a no-deal Brexit. The Guardian, 16 out 2020. Disponível em: https://www.theguardian.com/politics/2020/oct/16/boris-johnson-tells-uk-prepare-for-a-no-deal-brexit

[xxii] LACLAU, E. La Razón populista. Buenos Aires :Fondo de Cultura Económica. 2007. MOUFFE, C.

Agonística. Pensal el mundo políticamente. Buenos Aires: Fondo da Cultura Económica. 2014.

[xxiii] GALVÁN, I. E.: La lucha por la hegemonía durante el primer gobierno del MAS en Bolivia (2006-2009): un análisis discursivo. Madrid: Universidad Complutense, tesis de doctorado, 2012. Como outro exemplo, dessa metodologia ver também Paixão e razão: Os discursos políticos na disputa eleitoral de 2018. Jorge O. Romano (Org.) – São Paulo: Veneta, 2018. Disponível em: https://diplomatique.org.br/wp-content/uploads/2019/03/livropaixaoerazao.pdf

[xxiv] YOUGOV. Public Figure: Boris Johnson. YouGov, 2020. Disponível em: https://yougov.co.uk/topics/politics/explore/public_figure/Boris_Johnson

[xxv] ELLIOTT, Francis. Starmer overtakes Johnson as voters’ choice of prime minister. The Times, 23 ago 2020. Disponível em: https://www.thetimes.co.uk/edition/news/starmer-overtakes-johnson-as-voters-choice-of-prime-minister-f8m3zz3k8?wgu=270525_54264_1601033382364_5e78c9ab88&wgexpiry=1608809382&utm_source=planit&utm_medium=affiliate&utm_content=22278

[xxvi]THE ECONOMIST. Competence matters, and Johnson hasn’t got it. The Economist, 05 set 2020. Disponível em: https://www.economist.com/britain/2020/09/05/competence-matters-and-johnson-hasnt-got-it

[xxvii]JAPAN TIMES. Broken by the coronavirus, Boris Johnson’s team losing faith. Japan Times, 13 jun 2020. Disponível em: https://www.japantimes.co.jp/news/2020/06/13/world/politics-diplomacy-world/britain-coronavirus-boris-johnson-team/



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