VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Feminicídio e o carro do ovo

Vivemos sob uma engrenagem sustentada pela desigualdade estrutural entre homens e mulheres, uma engrenagem que produz, todos os anos, cerca de 1.500 assassinatos, dezenas de milhares de estupros, centenas de milhares de agressões físicas e mais de 1 milhão de pedidos de socorro

Vamos encarar a realidade: os números da violência contra as mulheres continuam crescendo. Diante disso, surgem perguntas recorrentes. Estão aumentando as agressões cometidas por homens ou apenas o número de mulheres que denunciam? O que cresce são os casos ou a visibilidade dada a eles pela imprensa e pelas redes sociais? Nossa hipótese é de que há, simultaneamente, aumento das denúncias, da cobertura jornalística e das próprias violências. À medida que mulheres deixam de aceitar relações baseadas em domínio, supremacia e autoritarismo masculinos, cresce também a reação violenta de muitos homens. A maior autonomia feminina, nos afetos, na família, no trabalho, na política e nos ambientes digitais, vem sendo respondida. Trata-se de revide, vingança, retaliação, backlash. Os números oficiais são alarmantes. O Brasil ultrapassou 1.500 feminicídios registrados em 2025 e bateu recorde histórico nos três primeiros meses de 2026. Contudo, é importante lembrar o chamado “paradigma do iceberg”: os feminicídios,…

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