Gaza e a falência do Ocidente
Foram necessários dezoito meses de massacres de civis e a banalização de discursos genocidas no mais alto escalão do Estado israelense para que o Reino Unido, o Canadá e a União Europeia considerassem impor sanções econômicas a Tel Aviv. Enquanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirma sua intenção de assumir o controle total de Gaza, a reação tardia e tímida dessas potências ocidentais expõe as contradições da “diplomacia dos valores”
Desde 7 de outubro de 2023, desenrola-se o pior episódio do longo calvário do povo palestino, ainda mais devastador que a Nakba de 1948. Esse termo árabe significa “catástrofe” e refere-se ao que se convencionou chamar de “limpeza étnica”. O desastre atual se caracteriza, entre outras coisas, por um genocídio; seria necessário um termo árabe ainda mais forte para nomear a tragédia que assola a Palestina: karitha. Contudo, Israel assassina parte da população de Gaza sem abdicar da limpeza, tanto na Cisjordânia como no enclave. Depois que “Gaza for totalmente destruída”, como declarou o ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, em 6 de maio, durante uma conferência na colônia de Ofra, “os civis serão enviados [...] para o sul e, de lá, começarão a se deslocar em massa para países terceiros”.[1] Donald Trump pode ter visto nessa ameaça a oportunidade de conquistar seus aliados árabes para uma versão atualizada do…

