O QUARTO MANDATO DE LULA

Governar com realismo, sem abdicar de compromissos

O desafio de Lula será reconhecer limites sem transformá-los em destino e construir acordos sem entregar a direção do governo a interesses que não foram escolhidos para definir suas prioridades

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, conquistada de virada no segundo turno, para um quarto mandato presidencial, renova o compromisso com um projeto de país baseado na democracia, na inclusão social, na valorização do trabalho e no papel do Estado como indutor do desenvolvimento. Sua execução enfrentará condições adversas: Congresso de maioria conservadora, oposição de extrema direita disposta a explorar dificuldades e setores do mercado favoráveis a ajustes fiscais cujos custos recaem sobre trabalhadores e pessoas de menor renda. O desafio será transformar a legitimidade eleitoral em capacidade de governar. Isso exige negociar com o Congresso, reconhecer restrições fiscais e estabelecer prioridades, sem abandonar os compromissos da vitória. Governabilidade não é mera sobrevivência, tampouco negociação parlamentar significa renúncia ao programa eleito. Lula precisará construir maiorias, conciliar responsabilidade fiscal e desenvolvimento e mobilizar a sociedade civil em defesa de iniciativas de interesse nacional e popular. Sem esse respaldo, corre…

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