(In)Comunicação política e democracia pós-sentido
Vivemos um paradoxo central: ao mesmo tempo em que predomina o imaginário social de que a democracia e a liberdade de expressão continuam vigentes, a comunicação política já não produz o diálogo e a compreensão social imprescindíveis para sua efetivação. Entanto os agentes políticos reagem como se houvesse um público informado e racional, na realidade esse público encontra-se dissolvido em micro-esferas afetivas, cognitivamente debilitadas e comunicacionalmente fragmentadas
Introdução
Nas últimas décadas, a política democrática passou a operar sob condições comunicacionais profundamente distintas daquelas que estruturaram o ideal clássico de opinião pública. A promessa inicial das redes digitais, que envolvia ampliação do debate, pluralização das vozes e acesso direto à informação, rapidamente cedeu lugar a um cenário marcado por fragmentação, manipulação, e perda de inteligibilidade coletiva; lembremos que não são “os algoritmos” os que manipulam, mas os sujeitos que os operacionalizam (o algoritmo não tem “desejo”).
A hipótese central aqui defendida é que a conjunção entre a redução da efetividade na comunicação política e o profundo deterioro dos processos socioeducativos, especialmente aqueles responsáveis pelo desenvolvimento das chamadas funções cognitivas superiores, como capacidade de abstração, pensamento crítico e consciência social, produziu um curto-circuito entre política, instituições e sociedade. Mas não se trata apenas de um curto-circuito comunicacional, senão estrutural, ele inviabiliza a existência de uma opinião pública no sentido clássico do termo e empurra sistemas democráticos já fragilizados para formas autoritárias, caóticas e violentas.

Comunicação política articulada sob a lógica das redes
A comunicação política contemporânea encontra-se crescentemente confinada às plataformas digitais, especialmente às redes sociais de grande escala. Esse deslocamento não é neutro. Como já apontava Jürgen Habermas, a esfera pública depende de condições mínimas de racionalidade comunicativa, continuidade discursiva e reconhecimento recíproco entre os participantes para que o debate público possa produzir consensos ou dissensos inteligíveis (Habermas, 1989). As redes sociais, porém, operam segundo uma lógica oposta; um processo que envolve fragmentação, aceleração, competição por atenção e personalização algorítmica do conteúdo.
Nesse ambiente, o discurso político deixa de ser orientado pela construção de sentido coletivo e passa a responder a métricas opacas de engajamento. Curtidas, compartilhamentos e visualizações substituem critérios substantivos de inteligibilidade, coerência ou veracidade. Como observa Shoshana Zuboff, trata-se de um regime de capitalismo de vigilância no qual a comunicação é continuamente modulada para maximizar a captura de comportamento, e não para promover compreensão (Zuboff, 2019). Pela ontologia do processo de comunicação, as consequencias atingem duas vias que se retroalimentam; primeiro, a comunicação torna-se altamente manipulada, com efeitos imprevisíveis e, em grande medida, incontroláveis, inclusive para aqueles que a produzem, e segundo, a percepção da realidade e do interlocutor resulta cada vez mais distorcida, dissociadas da dimensão factual.
A ilusão de controle, a crença de que é possível “gerenciar” narrativas políticas por meio de estratégias digitais, mascara o fato de que a própria arquitetura das plataformas já exerce o controle, e impede qualquer forma estável de recepção. O discurso político fragmenta-se em signos isolados, descontextualizados, frequentemente reduzidos a slogans, imagens ou afetos primários. Como consequência, a eficácia comunicacional torna-se não apenas limitada, mas ilusória; fala-se muito, comunica-se pouco e compreende-se quase nada.
O colapso educativo e a limitação das capacidades cognitivas coletivas
O cenário comunicacional assim configurado encontra uma sociedade cada vez menos preparada para decodificar discursos e narrativas. O deterioro da educação, entendido aqui não apenas como falha técnica ou institucional, mas como colapso do processo de formação das capacidades cognitivas superiores, constitui um fator causal central. A compreensão de abstrações complexas, a auto-reflexão e a consciência social não são naturais nem espontâneas, mas dependem de longos processos de aprendizagem, atenção sustentada e mediações simbólicas complexas e competentes. Pesquisas contemporâneas em neurociência cognitiva demonstram que essas capacidades exigem condições específicas de desenvolvimento e são altamente sensíveis à fragmentação da atenção e à sobrecarga de estímulos (Dehaene, 2018). Quando o processo socioeducacional falha, essas funções não se desenvolvem plenamente.
No Brasil, e em muitos outros países, o deterioro desse processo atinge proporções alarmantes. Décadas de precarização no ensino e na interação social, de instrumentalização tecnocrática do saber, e de desvalorização da formação humanística, produziram gerações com sérias limitações na percepção objetiva da realidade (nem que dizer da dimensão crítica!). Paulo Freire já alertava nos anos 60, que a educação de tipo “bancária”, ao substituir a problematização pela mera transmissão de conteúdos, contribui para a adaptação passiva dos sujeitos à ordem existente (Freire, 1985), reproduzindo assim o subdesenvolvimento. O que se observa hoje é algo ainda mais grave; a incapacidade generalizada de compreender discursos políticos minimamente articulados e dialogar com aqueles que, suposta e imaginariamente, representam os anseios da sociedade e defendem (???) seus interesses.
A conjugação entre esse empobrecimento cognitivo e a lógica fragmentária das redes sociais tem aprofundado o curto-circuito entre política e sociedade. Estima-se que, uma parcela superior ao 70% do eleitorado, em graus diferentes, já não dispõe das ferramentas cognitivas necessárias para distinguir fatos de opiniões, interesses de argumentos, ou mediações simbólicas de impulsos afetivos (ARTEBRA, MATURANO, 2024). Entretanto, a política continua a operar como se estivesse se dirigindo a um corpo social cognitivamente funcional e coeso.
O processo de curto-circuito comunicacional: um fenômeno global
Para exemplificar este processo vejamos quatro momentos da história recente em contextos diferentes. Comecemos pelo Brasil e as massivas mobilizações de 2013, as quais podem ser compreendidas como um primeiro sinal do curto-circuito comunicacional, ou como uma proto-disfunção entre política e sociedade. Uma mobilização inicial, desencadeada por um aumento na tarifa de transporte, rapidamente se fragmentou em múltiplas pautas, slogans e interpretações divergentes, muitas vezes inconciliáveis entre si. As redes sociais atuaram como catalisadores desse processo, ampliando o alcance e a velocidade da disseminação, mas, ao mesmo tempo, reforçando bolhas simbólicas e afetivas que impossibilitavam a construção de um sentido comum. Apesar da magnitude das manifestações, a política institucional reagiu como se estivesse diante de uma opinião pública coerente e minimamente estruturada, respondendo com reduções tarifárias e discursos de conciliação que pouco ou nada incidiam sobre a compreensão coletiva do que efetivamente estava em jogo. Já naquele momento tornavam-se visíveis os elementos centrais de uma disfunção sociopolítica; a fragmentação extrema do sentido, a ilusão de participação democrática e a incapacidade institucional de reconhecer e corrigir os mecanismos de ruído que atravessavam a comunicação política.
O processo do “Brexit” no Reino Unido, em 2016, oferece um exemplo particularmente elucidativo deste processo em sua fase de transição entre a incompreensão difusa e a irreversibilidade institucional. Naquele referendo pela saída do país da União Europeia, uma decisão de enorme complexidade estrutural foi tomada sob condições de fragmentação extrema do sentido.
O voto ocorreu (pela saída), mas o significado do próprio ato decisório revelou-se múltiplo, instável e frequentemente contraditório entre os diferentes segmentos do eleitorado. Em outras palavras, a legitimidade formal do voto passou a operar independentemente da capacidade coletiva de compreender suas implicações, inaugurando um processo de retroalimentação institucional do erro.
À medida que os efeitos negativos e as contradições práticas do desligamento se tornavam mais evidentes, o discurso político não se orientou pela correção ou pela reabertura do debate, mas pela intensificação afetiva e pela radicalização retórica, como forma de sustentar a decisão já tomada. O erro não podia ser revisto sem colocar em risco a própria ficção de funcionamento democrático. Nesse contexto, a paralisia das elites políticas não decorreu primeiramente da má-fé ou de uma especulação estratégica, mas da incapacidade estrutural de operar fora da lógica formal da decisão democrática. Presas à necessidade de respeitar um ato soberano cuja inteligibilidade coletiva havia se dissolvido, as instituições passaram a administrar as consequências de uma escolha que já não podia ser plenamente explicada nem simbolicamente integrada. O Brexit marca, desse modo, o momento em que o curto-circuito comunicacional deixa de ser apenas um problema de circulação discursiva e passa a produzir efeitos políticos duradouros, preparando o terreno para formas de poder que já não dependem da compreensão compartilhada para se legitimar.
Nos anos que se seguiram, esses processos não apenas se repetiram, como foram intensificados por mecanismos de retroalimentação. A fragmentação passou a ser interpretada como engajamento, incentivando políticos e meios de comunicação a produzir estímulos cada vez mais afetivos, simplificados e performáticos. Esse movimento, longe de aproximar política e sociedade, aprofundou a incompreensão mútua e acelerou a disfunção estrutural do espaço público. A comunicação política durante a pandemia constitui um exemplo quase laboratorial dessa (in)comunicação. Mesmo frente a um problema técnico-científico relativamente bem delimitado, a circulação de informações ocorreu num ambiente de polarização afetiva extrema e de competição algorítmica por atenção. Dados científicos, orientações sanitárias e decisões institucionais foram sistematicamente reinterpretados como ataques identitários, conspirações ou tentativas de controle, dissolvendo qualquer possibilidade de assimilação racional minimamente compartilhada.
As instituições políticas, por sua vez, continuaram a agir como se o público estivesse assimilando conteúdos técnicos e normativos, quando, na prática, diferentes grupos sociais habitavam universos simbólicos radicalmente distintos. Não se tratava de simples desinformação, mas da ausência de um campo comum de interpretação. Aqui se manifestam, de forma simultânea, a centralidade da plataforma sobre o conteúdo, a fragmentação do sentido e a incapacidade institucional de reconhecer a profundidade do colapso comunicacional. Cada tentativa de esclarecimento produzia novos ruídos, reforçando o ciclo de retroalimentação que distanciava progressivamente política e sociedade.
É nesse contexto que o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, em 2025, pode ser compreendido não como uma anomalia, mas como a cristalização institucional de um processo já em curso. Diferentemente do primeiro mandato, o trumpismo tardio já não tenta representar a sociedade nem articular mediações discursivas minimamente estáveis. O discurso político deixa de buscar compreensão ou convencimento e passa a operar como punição simbólica e gestão do inimigo. A democracia permanece ativa no imaginário, enquanto a prática política passa a funcionar em outro registro, no qual perseguir imigrantes, atacar jornalistas ou criminalizar críticos (inclusive cidadãos comuns) não constitui um programa ideológico coerente, mas um efeito funcional do colapso comunicacional. Nesse estágio, a defasagem cognitiva entre agentes políticos e públicos não apenas persiste, como se converte em hostilidade. Quando não há um espaço simbólico comum, o outro deixa de ser interlocutor e passa a ser obstáculo. A política já não precisa ser compreendida; basta ser sentida.
A evolução dos distintos cenários evidencia a lógica de retroalimentação que atravessa o processo descrito; quanto mais o discurso perde vínculo com a realidade compartilhada, mais ele precisa se intensificar afetivamente, produzindo exclusão, violência simbólica e caos. Como bem observa Umberto Eco em Construir o Inimigo (2011), em contextos de crise simbólica o inimigo não emerge como adversário racional, mas como recurso de coesão negativa.
Quando a mediação política falha e o espaço comum de compreensão se dissolve, a figura do inimigo passa a organizar afetos e identidades de forma substitutiva, não por convicção ideológica, mas por necessidade estrutural de simplificação do mundo social.
Democracia imaginária e ausência de opinião pública
Do contexto descrito emerge a dissociação entre o imaginário democrático e a realidade da incomunicação social. As pessoas sentem que vivem em democracia, pois todo mundo reage dessa forma, continuam a votar, se expressam nesses termos e consomem discursos políticos incessantemente. Os agentes políticos, por sua vez, reagem como se essa sensação correspondesse a uma esfera pública ativa e consciente. No entanto, o que se vivencia é a dissolução da própria ideia de opinião pública. Walter Lippmann já nos advertia, cem anos atrás, que a complexidade do mundo moderno tornava ilusória a ideia de um público plenamente informado (Lippmann, 2008). Hoje, essa ilusão assume uma nova forma: não se trata apenas de desinformação, mas de incompreensão estrutural. A realidade é interpretada de maneira fragmentada, arbitrária e frequentemente contraditória, espelhando o próprio funcionamento arbitrário das redes digitais (desde a perspectiva dos públicos). Cada grupo habita seu próprio microcosmo simbólico, com narrativas auto-referentes e impermeáveis ao contraditório.
Nesse cenário, os políticos que tentam articular discursos democráticos não percebem que a própria prática política, mediada por dispositivos comunicacionais controlados, e dirigida a um público cognitivamente fragilizado, contribuiu para a destruição das condições de possibilidade desse discurso e da própria democracia. Fala-se de participação, transparência e diálogo num ambiente estruturalmente incapaz de sustentar qualquer uma dessas categorias em sentido estrito.
Tecnologia e dano cognitivo
Estudos recentes já demonstraram os efeitos negativos do uso intensivo de redes sociais no desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças e jovens, incluindo aumento da ansiedade, déficit de atenção e empobrecimento das capacidades reflexivas (Twenge, 2017; Carr, 2010).
Pesquisas em neurociência e psicologia do desenvolvimento mostraram que a exposição precoce e prolongada a telas e conteúdos fragmentados está associada a alterações nos circuitos de atenção, nos mecanismos de recompensa dopaminérgica e na capacidade de autorregulação emocional, com impactos diretos sobre a aprendizagem e a formação da consciência reflexiva (Christakis, 2019; Montag e Diefenbach, 2018).
Contudo, ainda são escassas as pesquisas que avaliam com a mesma profundidade os impactos dessas tecnologias nos adultos, uma lacuna que não deve ser interpretada como ausência de dano, mas como atraso analítico. Do ponto de vista crítico, é plausível sustentar que os adultos foram igualmente afetados, ainda que de forma menos visível. A ciência continua produzindo evidências de que os seres humanos somos o que fazemos, nossas rotinas definem nossas possibilidades. A exposição contínua a fluxos fragmentados de informação, a substituição da leitura profunda por consumo rápido de estímulos, e a permanente ativação afetiva produzem um empobrecimento cognitivo difuso. Theodor Adorno e Max Horkheimer, em Dialética do Esclarecimento (1985), explicam com bastante precisão como a indústria cultural transforma sujeitos em consumidores passivos, incapazes de reflexão autônoma As redes sociais radicalizam esse processo ao internalizar a lógica da mercadoria na própria estrutura da comunicação cotidiana.
Embora agentes políticos e eleitores sofram os mesmos efeitos do empobrecimento cognitivo e da sobrecarga de informação, a distância relativa entre eles se amplia, o que dificulta ainda mais a comunicação. O eleitorado perde gradualmente a capacidade de interpretar discursos complexos, enquanto os agentes políticos, operando com informações fragmentadas e impulsos falsamente estratégicos, acabam criando mensagens que dificilmente encontram eco compreensível. Esta desconexão não acontece somente na dimensão individual; ela também é estrutural, pois atravessa instituições, mediações e percepções sociais.
Autoritarismo como estágio de decomposição social
A consequência de médio prazo desta (in)comunicação estrutural é o aprofundamento dos problemas sociais e a conversão de democracias fragilizadas em sistemas autoritários, caóticos e violentos. Importa sublinhar que o autoritarismo não deve ser compreendido aqui como uma posição ideológica específica, mas como um estágio de decomposição social. Hannah Arendt mostrou como o totalitarismo emerge em contextos de desintegração do tecido social e de colapso das mediações simbólicas que sustentam a vida pública (Arendt, 1951).
Quando a comunicação falha sistematicamente e a compreensão coletiva se dissolve, abre-se espaço para soluções simplificadoras, lideranças personalistas e formas extremas de poder. Os agentes políticos, também atingidos pelo deterioro cognitivo, tornam-se incapazes de enxergar o processo em curso e, assim, contribuem inconscientemente para seu aprofundamento, agindo contra seus próprios interesses, e ignorando que a política, enquanto campo relativamente autônomo, só pode existir sobre uma base social minimamente coerente e organizada. Na ausência dessa base, resta apenas o espaço para uma corte, um séquito ou uma oligarquia mínima, onde todos são passíveis de serem convertidos em súbditos ou inimigos.
Considerações finais
Como vimos, os exemplos empiricamente relevantes não são aqueles que geram controvérsia, mas aqueles em que a própria possibilidade de compreensão compartilhada desaparece. O curto-circuito comunicacional e a disfunção sociopolítica se manifestam quando discurso, recepção e decisão deixam de pertencer ao mesmo universo simbólico, corroendo as bases mínimas que tornam a política um campo possível. Desde esta perspectiva é possível reformular uma premissa recorrente no debate contemporâneo; não é a extrema direita que “avança” de modo proativo e linear, como se portasse um projeto coeso que conquista uma sociedade previamente estável. O que se observa, de forma mais consistente, é a produção de um vazio político e simbólico decorrente da deterioração das formas de mediação, da perda de densidade cognitiva da própria sociedade, e da incapacidade institucional de operar com procedimentos formais esvaziados de compreensão social. Os extremismos não inauguram esse processo; eles o ocupam, operando como soluções funcionais para um campo já desestruturado, no qual a política perdeu sua capacidade de produzir sentido compartilhado.
Nesse contexto, as estratégias elaboradas pelos setores moderados para enfrentar o suposto “avanço” extremista freqüentemente participam do mesmo curto-circuito que pretendem superar. Partindo de diagnósticos equivocados, essas respostas tendem a operar no plano da intensificação discursiva, da moralização ou da engenharia comunicacional articulada a partir de conjunturas (fragmentos), produzindo ações que o outro não compreende e às quais responde de modo igualmente descolado de qualquer horizonte comum. O resultado, longe de recompor o espaço político, é uma fragmentação progressiva que reforça e aprofunda o vazio.
Em última instância trata-se de um problema civilizatório. A crença de que é possível sustentar formas democráticas num ambiente de incomunicação estrutural e empobrecimento cognitivo generalizado revela-se cada vez mais insustentável. Enfrentar essa crise exige mais do que ajustes técnicos na comunicação política ou regulação pontual das plataformas digitais. Exige, antes, uma reconstrução profunda dos processos socioeducativos, das mediações simbólicas e das condições materiais que tornam possível a compreensão social. Sem isso, a política continuará a falar sozinha, a sociedade continuará a entender outra coisa e a reagir arbitrariamente, e o vazio e o caos resultantes serão inevitavelmente preenchidos por formas de poder que já não precisam sequer simular a democracia.
Alejandro Vaillant Valdes é educador e pesquisador social, nascido na Argentina e radicado no Brasil. Se desempenha como Diretor de Pesquisa Social e Produção Cultural na ARTEBRA há mais de una década. É Mestre StS em Educação e Tecnologias, Mestre LtS em Docência e Gestão do Ensino, Bacharel em Serviço Social, e Bacharel em Análise de Sistemas. Autor de vários livros, incluindo: “Educação e Desenvolvimento Social”, “Sociocomunicação”, e “Epistemologia da Civilidade” .
Contato: [email protected]
Referências
ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do Esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.
ARĖNDT, H. Origens do totalitarismo: antissemitismo, imperialismo, totalitarismo. São Paulo: Companhia de Bolso / Companhia das Letras, 2013.
ARTEBRA, MATURANO SC. O Eleitorado Brasileiro: Pesquisas e Análises. VAILLANT VALDES, A.; Maturano M.
Disponível em: http://www.artebra.org/docs.php?a24100201 Acesso em: 14/12/2025.
CARR, N. The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains. New York: W. W. Norton. 2010.
CHRISTAKIS, D. A. The Elephant in the Living Room: Make Television Work for Your Kids. New York: Rodale. 2019.
DEHAENE, S. How We Learn: Why Brains Learn Better Than Any Machine… for Now. New York: Viking. 2018.
ECO, U. Construir o inimigo. Rio de Janeiro: Record. 2011.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1985.
HABERMAS, J. The Structural Transformation of the Public Sphere. Cambridge: MIT Press. 1989.
LIPPMANN, W. Opinião Pública. Petrópolis: Vozes, 2008.
MONTAG, C., & DIEFENBACH, S. Towards Homo Digitalis: Important research issues for psychology and the neurosciences at the dawn of the digital society. Sustainability, 10(2), 415. 2018.
TWENGE, J. M. iGen. New York: Atria Books. 2017.
ZUBOFF, S. The Age of Surveillance Capitalism. New York: PublicAffairs. 2019.

