UMA OUTRA EUROPA CONTRA O GENOCÍDIO EM GAZA?

Luta anticolonial, tentação neoliberal, a Irlanda no espelho palestino

A Irlanda há muito tempo demonstra solidariedade com a Palestina. Sua história a sensibilizou para os horrores da colonização, da ocupação e da divisão territorial. Derry, segunda maior cidade da Irlanda do Norte, se assemelha a Gaza quando Londres se disfarça de Tel Aviv. Mas que apoio efetivo pode oferecer uma ilha transformada em enclave econômico norte-americano dentro da União Europeia?

A tradição persiste. Desde os anos 1950, em março, a Casa Branca é adornada com as cores da Irlanda. Washington chegou a adotar, durante o governo de Bill Clinton, o hábito de receber o taoiseach (primeiro-ministro irlandês) no Dia de São Patrício.[1] Em 2024, quando Joe Biden, de gravata verde e shamrocks [trevos] na lapela, recebeu Leo Varadkar, eles falaram da guerra no Oriente Médio. “O povo irlandês está profundamente perturbado com a catástrofe que ocorre diante de nossos olhos em Gaza”, declarou o primeiro-ministro durante a coletiva de imprensa conjunta. “Quando viajo, os líderes frequentemente me perguntam por que os irlandeses sentem tanta empatia pelo povo palestino. A resposta é simples. Vemos nossa história nos olhos deles. Uma história de deslocamento compulsório, desapropriação, negação das questões ligadas à identidade nacional, emigração forçada, discriminação e agora... fome.” Uma referência à Grande Fome, episódio traumático da história da ilha que, entre…

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