ELEIÇÕES BRASILEIRAS DE 2026

Melancolização e massas digitais

Por que nos aproximamos de uma ideologia autoritária? Como chegamos a aderir a esse tipo de ideologia e resistimos tão pouco?

As eleições no Brasil tiveram um resultado no mínimo preocupante, com a eleição das vozes que dominarão a cena política e a tomada de decisão: a hegemonia é do do PL com 28 senadores e mais de 120 deputados na Câmara; e o segundo turno das eleições presidenciais se abre com favoritismo para Flávio Bolsonaro. De posse deste cenário, é possível levantar, pelo menos, duas hipóteses.  

Crédito: Saulo Cruz/Agência Senado

Em primeiro lugar, que o Senado de 2027 será favorável ao ambiente de restrições ao STF – seja por meio do impeachment de seus ministros, seja pela possibilidade de retirada dos casos criminais envolvendo senadores e deputados do Supremo Tribunal Federal e sua designação para a justiça nos locais onde foram eleitos (e, consequentemente, onde teriam maior influência política).  

Em segundo lugar, que a negociação da ocupação dos ministérios pelos partidos que apoiaram a candidatura de Flavio Bolsonaro, será indissociável de suas pautas ideológicas regressivas em relação a políticas que combatam concentração de renda e acesso universal da população a direitos. 

Todo esse resultado eleitoral foi, à princípio, obtido dentro das regras da democracia e da institucionalidade: será?  

A pauta do que levou a esse estado e ao segundo turno das eleições presidenciais com favoritismo para Flavio Bolsonaro – com a qual parte da população parece se identificar – está organizada em 3 eixos anti: 

  1. Anti judiciário 
  1. Anti imposto 
  1. Anti regulamentação 

Os três eixos anti podem ser analisados à luz da relação dos Estados Unidos com o Brasil tanto à nível do governo, como também à nível do que podemos considerar como o “American way of politics” e seus debates entre os partidos democrata e republicano. Esse fenômeno se divide entre a importação de pautas progressistas típicas da elite universitária estadunidense e as recentes dinâmicas institucionais próprias da ascensão de Trump ao poder e da doutrina Donroe. Por isso, é mais do que inevitável a pergunta que orienta nossa reflexão: por que nos aproximamos de uma ideologia autoritária? Como chegamos a aderir a esse tipo de ideologia e resistimos tão pouco?  

No que se refere ao discurso da “esquerda americana”, este organizou-se em torno de conceitos formulados no espaço acadêmico e no debate público dos EUA – como o debate sobre raça, gênero e sexualidade, via de regra desconectados de sua fundamentação material/econômica, assim como o debate das políticas de identidade, justiça social, diversidade, equidade e representatividade, organizadas como disputas culturais em chave liberal (como não poderia ser diferente, aos moldes da new left norte-americana e do partido democrata). Essa assimilação não começou ontem, mas foi absorvida durante as últimas décadas por setores intelectuais, acadêmicos, artísticos e de partidos da esquerda brasileira conformando as agendas de movimentos sociais e partidos progressistas no Brasil. Com a disseminação da internet, das redes sociais e dos smartphones, intensificou-se o processo de infiltração da gramática liberal-progressista no discurso hegemônico da esquerda brasileira, cada vez menos à esquerda – e menos brasileira: analisando criticamente a situação, arriscamos a dizer que como esquerda, ficamos mais liberalizados e fomos pouco a pouco esquecendo as questões econômicas e políticas estruturais – associadas a concentração de renda no Brasil, à precarização do emprego e à luta de classes – em nome de uma reorganização de grande parte de nossa linguagem em torno de pautas fragmentárias que combinam uma cultura baseada em dinâmicas internas de grupo com a prática de um governo baseado no social-liberalismo de austeridade, profundamente antipopular, e defendido em grande medida por essa mesma esquerda hegemônica.   

O “American way of politics” ganhou nova centralidade a partir de 2025, com a ascensão de Donald Trump ao poder, acendeu também o debate sobre a soberania nacional e os limites da influência americana no país. Esse é o ponto mais sensível para pensar o cenário político atual. E tudo começa em 14 de fevereiro de 2025, quando o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance – uma espécie de marionete promovida, formada e bancada por Peter Thiel, oligarca das Big Techs e um dos donos da Palantir –, afirmou na Conferência de Segurança de Munique que a maior ameaça à Europa vem de dentro de suas próprias fronteiras com a erosão das liberdades civis, ou seja, vem do recuo de governos europeus em relação a valores fundamentais como a liberdade de expressão e a soberania dos eleitores, e não de potências externas como  Rússia e China. Transpondo a lógica deste raciocínio para o caso brasileiro recente, testemunhamos a preocupação em garantir que o governo dos Estados Unidos respeite o processo eleitoral brasileiro considerado um dos mais confiáveis do mundo, reconhecendo o resultado das urnas e preservando as relações democráticas com o país. Foram duas cartas ao secretário de estado Marco Rubio com esse teor: uma escrita por Bernie Sanders e trinta deputados do Partido Democrata; a outra, por três senadores democratas. O que indica sintomaticamente, que a interferência política, econômica e eleitoral estava em curso. A “química” entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos durou muito pouco. 

Em 16 de outubro de 2025, durante tratativas para negociar um tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras, foi apresentado um documento com 21 exigências ao governo brasileiro. Na época, o chanceler brasileiro Mauro Vieira classificou o conteúdo como inaceitável e rejeitou sua inclusão nas discussões. Dentre as principais exigências políticas e eleitorais, estava: a exigência do compromisso de realizar eleições “livres e justas”; a demanda para que “dissidentes políticos” não fossem detidos, presos ou impedidos de participar da disputa pelo cargo de presidente; a não punição de instituições financeiras do Brasil que cumprissem sanções norte-americanas (como a Lei Magnitsky) e blindagem das big techs, com a regulamentação favorável a e isenções ligadas à liberdade de expressão sob os moldes dos Estados Unidos. Podemos citar, ainda, a exigência de que o Brasil informasse os EUA antecipadamente sobre qualquer venda de ativos no setor de minerais críticos (como o lítio), garantindo preferência ou igualdade de condições para empresas norte-americanas participarem das licitações. Além disso, aplicou sanções ao Ministro Alexandre de Moraes e um tarifaço de 50% às exportações do Brasil em um contexto de pressão contra o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Isso não deve nos soar estranho em função da Doutrina Donroe, que contempla o plano de intervenção na América Latina e que só vai escalando – junto com a classificação do crime organizado como organização terrorista. Soma-se a isso, também o alinhamento da doutrina com os interesses dos oligarcas das big techs, que controlam uma infraestrutura massiva de plataformas digitais, afetando não apenas a dinâmica de distribuição informacional nesse meio, mas o próprio tipo de subjetivação, encadeando uma nova condição material para a produção de massas organizadas desde a dinâmica integrada de dispositivos, interfaces e dados. 

Ser “anti” soberania e hastear a bandeira dos Estados Unidos 

Voltamos agora à pauta do que levou a esse estado de coisas e ao segundo turno das eleições presidenciais. É possível perceber que os eixos ‘anti’ encontraram correspondência direta nas medidas de intervenção do governo americano.  

O eixo antijudiciário é o mais evidente. As sanções aplicadas ao Ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky, a exigência de que “dissidentes políticos” não fossem presos nem impedidos de disputar a presidência e o tarifaço anunciado em plena pressão contra o julgamento de Jair Bolsonaro convergem para um mesmo ponto: a desqualificação do STF como instância legítima de responsabilização. O que a pauta do governo de Flávio Bolsonaro defende internamente como liberdade contra o “ativismo judicial” encontra respaldo no governo Trump, disposto a tratar decisões do STF como perseguição política. O Senado que se forma para 2027, favorável ao impeachment de ministros e à retirada dos casos criminais de parlamentares do STF, pode completar por dentro aquilo que foi pressionado de fora. Assim, a extrema-direita cooptou também um ressentimento popular contra classes privilegiadas na crítica do encastelamento judiciário, fornecendo uma gramática aparente de oposição “anti-sistema”, mobilizando e organizando um sentimento nacional de cinismo e revolta com a estrutura estatal. Um elemento de crítica, em grande medida, abandonado pelo discurso hegemônico da esquerda institucional.  

O eixo anti-imposto revela uma contradição ainda maior. A parcela da população que se organiza em torno da recusa à tributação – e que vê no Estado arrecadador um inimigo da prosperidade individual – não reconhece no tarifaço de 50% exatamente aquilo que afirma combater: um imposto, cobrado de fora, que recai sobre a produção e o trabalho brasileiros. Sendo assim, o antagonismo não se dirige a qualquer tributação, mas àquela que poderia financiar políticas públicas e enfrentar a concentração de renda.  

Na mesma direção, a exigência de que instituições financeiras brasileiras não fossem punidas por cumprir sanções norte-americanas desloca o centro da soberania fiscal e financeira: o capital passa a responder a Washington antes de responder ao Estado brasileiro. A recusa ao imposto converge, então, com a submissão a uma ordem econômica que tributa o país de fora para dentro. Houve também certa negligência, em um discurso fragmentado da esquerda, na maneira como se pautou a dimensão econômica: uma reforma tributária que reestruturasse a tributação massiva na ponta do consumo não conseguiu assumir destaque – enquanto a doutrinação neoliberal fez com que indivíduos que se reconhecem como pequenos empresários identificassem na taxação de grandes fortunas uma política de combate ao empresariado genérico, da base ao topo da pirâmide social. Aqui, combinam-se uma somatória de fatores derivados do neoliberalismo – tanto genérico quanto aquele alocado nos discursos e nas práticas da esquerda institucional hegemônica – e da dinâmica informacional difusa produzida pela digitalização. 

Por fim, o traço antirregulamentação encontra eco direto na blindagem das big techs, na imposição de um modelo de “liberdade de expressão” nos moldes dos Estados Unidos e na exigência de preferência para empresas norte-americanas na exploração de minerais críticos como o lítio. Regulamentar plataformas digitais, apostas online ou a exploração mineral significa afirmar que há um interesse público acima da lógica do mercado – e é precisamente essa afirmação que se torna alvo. Não é casual que a regulação das plataformas e a proibição das bets apareçam como pontos de tensão: ambas tocam na mesma fantasia ideológica de que a liberdade se confunde com a ausência de limites ao lucro privado. Articulados entre si, os três eixos ‘anti’ desenham um Estado esvaziado em sua capacidade de julgar, tributar e regular – justamente as três funções pelas quais a soberania nacional se exerce. 

Crise permanente e melancolização 

Diante desse cenário, cabe perguntar por que aderimos tanto e resistimos tão pouco. Só a sucessão ininterrupta de crises explica isso. De fato, o tarifaço, as sanções, as 21 exigências, a escalada da Doutrina Donroe, a ameaça permanente à soberania não produz mobilização, mas melancolização.  

A crise permanente deixou de ser um acontecimento excepcional, capaz de interromper o curso das coisas e convocar uma resposta, para se tornar o próprio regime de funcionamento da política: o neoliberalismo opera pela repetição do choque, pelo aprofundamento da crise, até que ela se converta em paisagem1.  

Freud, em Luto e melancolia2, distingue o trabalho do luto – no qual o sujeito reconhece o que perdeu e pode, aos poucos, reinvestir no mundo – da melancolia, na qual a perda não pode ser nomeada e o sujeito se retira, inibido, voltando contra si mesmo a energia que poderia dirigir ao mundo. É algo dessa ordem que parece se passar coletivamente: perdemos algo – a confiança em uma soberania possível, um horizonte de esquerda que articulava trabalho e distribuição de renda – sem conseguir nomear exatamente o quê; e conformamos uma racionalidade sustentada na fantasia ideológica de que não precisamos de mais nada além de nossa capacidade de trabalhar a fim de nos “apropriarmos” dos “meios de produção”. 

Melancolização e sujeição3, portanto, são duas faces da moeda deste processo. Incapazes de nomear o que perdemos, aderimos à promessa de que cada um, sozinho, pode se salvar – e é essa promessa que dá consistência subjetiva aos três eixos ‘anti’. A articulação ao discurso neoliberal tem seu apelo também como uma forma de resistência a essa melancolização: o precarizado se reinveste no rebranding, é empresário, CEO, integra a parcela disposta a investir ao invés de reclamar, assume assim uma concepção individualizada na disputa de um mundo cada vez mais precário e reduzido.  

Cada um precisa lutar para garantir o seu quinhão, não há espaço para a classe, pois a classe não existe, só existem indivíduos e famílias – como prega a máxima de Margareth Tatcher. Se o judiciário, o imposto e a regulamentação passam a ser vividos como obstáculos, é porque a fantasia do indivíduo que se basta já não reconhece nenhum laço coletivo que mereça ser protegido. 

O resultado eleitoral expressa, assim, o sintoma de uma perda que ainda não fomos capazes de elaborar. 

Massas digitais em tempos de fragmentação 

Outro elemento central na dinâmica de subjetivação neoliberal contemporânea é a modificação dos ideais, com a infraestrutura digital plataformizada das chamadas redes sociais ganhando lastro e se expandindo, ao alcance de virtualmente toda a população. A identificação com o título de CEO e o discurso neoliberal do “sujeito-empresa” se atualiza na idealização do “sujeito-influencer.”  

O papel do ideal na formação da massa é exposto por Freud em sua obra clássica publicada em 1921, onde demonstra como a figura de um líder – seja concreto, seja abstrato (uma ideia, uma causa, etc…) – participa na formação da coesão de grupo ao servir de suporte transferencial e identificatório4. Adorno partiu desse modelo para compreender as massas fascistas do século XX, onde o líder incorpora uma ambiguidade tanto messiânica quanto atrelada à sua apresentação como cidadão comum, ordinário, frequentemente obsceno e falando em nome da massa aquilo que seus indivíduos, separadamente, não teriam a mesma propensão a dizer (ao menos em plenos pulmões, publicamente) sem o seu suporte5. Também notado por Freud está o elemento de identificação e coesão da massa por rejeição a um elemento comum, um inimigo, interno ou externo.  

Integrada à fragmentação do mundo do trabalho, toda promoção de si enquanto “influenciador” virou condição para todo trabalhador liberal, informal, microempreendedor, etc. Tornou-se a lógica e a linguagem do dia para quem precisa “vender seu peixe.” Simultaneamente, as plataformas são cotidianamente inundadas com conteúdos que prometem fórmulas para a ascensão financeira através de curso, planos de negócios, estratégias de marketing digital… A linguagem da “influência digital” criou um regime simbólico, mas também uma identificação imaginária. 

Assim, também operou a generalização das campanhas de mercado com influenciadores, por um lado, e as casas de apostas e cassinos digitais, investindo pesado também nos influenciadores que, ostentando uma vida de luxo, anunciavam aos seus seguidores que “a [insira plataforma do momento] está pagando muito, clica no link.” Liberadas por Temer em 2018, o resultado dessa irrefreada dinâmica do cassino e influência digital desencadeou um dos maiores e mais acelerados processos de endividamento em massa da história recente.  

Este, todavia, é apenas um sintoma – ainda que grave. Outro, não menos importante, é como a “forma-influencer” tornou-se condição central para a promoção de carreiras políticas, especialmente no campo da extrema-direita.6 Angariar uma massa “particular” de seguidores, reforçando sua identificação com os signos estabelecidos pela extrema-direita, bombardeados constantemente como enxames que funcionam 24/7, é o método – um método que se baseia na quantidade e na “pura forma”, intensificando uma condição pós-conteudista da própria ideologia hoje. É o formato que importa, que viraliza, que se reproduz, engaja, viraliza, torna-se memético e, enfim, ganha o potencial virtual de tornar-se praticamente autônomo pela curadoria algorítmica (e nada imparcial) das plataformas, em constante retroalimentação.  

A autonomia dessa forma, por outro lado, não se sustenta apenas em telas – uma frequente metonímia da infraestrutura digital –, mas também em locais muito específicos e fundamentais. É, por exemplo, a função social que exercem as igrejas hoje, queiramos ou não reconhecer isso. Se durante a ditadura e após a redemocratização, tanto a teologia da libertação como as comunidades eclesiais de base foram fundamentais na composição do campo democrático-popular e do próprio Partido dos Trabalhadores, hoje as igrejas articulam um imaginário nacional de disputa que apresenta também seu projeto de país, com presença marcada tanto nas plataformas digitais, quanto espalhada nas vielas de todos os bairros no interior dos estados brasileiros.7  

Como as dimensões não são auto-excludentes, a presença digital também é fundamental para a mobilização religiosa. Hoje, os grupos de WhatsApp são centrais em sua mobilização, assim como também o são os pastores youtubers e influenciadores. E, é preciso reconhecer, eles fornecem algum tipo de acolhimento digital e presencial ao processo de melancolização engendrado pelo neoliberalismo, em um mundo de ruínas e colapsos – econômicos, políticos, climáticos – constantes.  

A institucionalização da esquerda hegemônica – que nunca foi maioria na distribuição institucional do Estado brasileiro e sempre teve que lidar com os impasses e limites da distribuição dos poderes e do chamado presidencialismo de coalizão – levou a um processo de profissionalização e normatização das lideranças e diversos segmentos sociais. Posteriormente, também se enfraqueceram as disputas na dimensão municipal em diversas regiões do país (com suas raras e importantes exceções), o que representa a dinâmica concreta da mediação institucional com a vida cotidiana mais básica.  

A correlação assimétrica de forças – que perpassa pela política fisiológica estabelecida desde a redemocratização até o papel da mídia tradicional e sua prática de defesa dos interesses de classe, até chegar no processo da digitalização contemporânea – deu as condições para que os elementos mais arcaicos da vida nacional se encontrassem e se renovassem através do que há de mais moderno hoje: as tecnologias e os próprios limites da modernização capitalista, especialmente em uma país periférico.  

Todo esse apanhado multifatorial nos leva ao começo da compreensão de nosso drama nacional, que é também a expressão de um drama internacional: a ascensão da extrema direita não é particularidade do nosso país, mas aqui temos nossos elementos particulares. Tão particulares que podemos dizer, hoje, com algum grau de certeza, que foi aqui onde o projeto de extrema-direita internacional encontrou sua vanguarda, sua forma mais “bem acabada” e efetiva conformando uma racionalidade que, mesmo diante da evidência da concentração de renda em nosso país, melancolicamente ainda acredita que, sendo empreendedor, pode vir a dominar os meios de produção.  

A história dessa disputa não está encerrada. Compreendermos, sem entrar em negação, o estado de terra arrasada em que nos encontramos e como chegamos até aqui, é fundamental para fazermos o luto e despertarmos de um sono dogmático que nos foi imposto pelas transformações frenéticas da vida no capitalismo contemporâneo. Só assim poderemos, enfim, retomar a disputa à altura do que demanda nosso tempo.  

 

Claudia Henschel de Lima é professora associada da Universidade Federal Fluminense – Campus de Volta Redonda, professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRJ e coordenadora do Laboratório de Psicopatologia Fundamental em Estudos de Subjetividade e Emergência Humanitária/UFRJ). 

Cian Spangemberg Barbosa Whately é doutorando em Psicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal de São PauloMestre em Psicologia pela Universidade Federal FluminenseBacharel em Sociologia pela Universidade Federal Fluminense / Iniciação Científica na pesquisa: SAÚDE E DESENVOLVIMENTO REGIONAL: UMA ANÁLISE SOBRE O PAPEL DE AGÊNCIAS ESTATAIS,INSTITUIÇÕES E ATORES DE UMA AGENDA DO DESENVOLVIMENTO DA DÉCADA DE 1950 – FIOCRUZ. (2014) / Participante do projeto de Etnoeducação e Patrimônio Histórico da UFF (2015) 

 

Notas de Rodapé

1 Klein, N. A doutrina do choque: a ascensão do capitalismo de desastre. Nova Fronteira, 2008.

2 Freud, S (1917). Luto e Melancolia. Em: Neurose Psicose e Perversão. Autêntica, 2020.

3Henschel de Lima, C. e Alves Junior, A.J. Capitalismo de desastre à brasileira: revolução cultural, melancolização e apoio popular a Jair Bolsonaro. Geosul, v. 38, n. 87, p. 586-605, 2023. doi: https://doi.org/10.5007/2177-5230.2023.e92429

4 Freud, Sigmund. Psicologia das massas e análise do eu (2021). Em: Freud (1920-1923)-Obras completas volume 15: Psicologia das massas e análise do Eu e outros textos. Vol. 15. Editora Companhia das Letras, 2011.

5 Adorno, Theodor W. Teoria freudiana e o padrão da propaganda fascista. Em: Ensaios sobre psicologia social e psicanálise (2015), Editora Unesp, p. 153-189.

6 Nunes, Rodrigo. ‘Extrema direita se tornou profissão de influencer’, avalia filósofo e pesquisador do tema. Brasil de Fato. Brasil de Fato: 01/10/2026. Em: https://www.brasildefato.com.br/podcast/bemviver/2026/10/01/extrema-direita-se-tornou-profissao-de-influencer-avalia-filosofo-e-pesquisador-dotema/

7 Ver em: Castro, André. A luta que há nos Deuses. São Paulo, Ed. Machado (2024).

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