RESENHA

‘No dia em que não fui’ de Andressa Arce

Andressa Arce estreia no mundo literário com No dia que não fui, uma obra publicada pela Editora Patuá. A história reflete sobre a dor pessoal o sofrimento causado pela perda inesperada de um familiar

O luto inaugura um território repleto de tudo aquilo que poderia ter sido. As possibilidades crescem junto às perguntas sem resposta que a morte, em especial aquela por suicídio, suscita. Em No dia em que não fui, estreia literária de Andressa Arce, quem lida com esse terreno — sempre fértil, mas também em ruínas — é Alice, uma menina que perdeu sua meia-irmã mais velha.

Créditos: Divulgação

Antes mesmo de esse terreno ser descoberto, Liana, a meia-irmã mais velha, representa um mundo desconhecido para a narradora. Ela já é crescida, tem outra mãe, é bonita e leva uma vida agitada. Juntas, e nas brechas possíveis no cotidiano dividido entre duas famílias, ambas experimentam um convívio doce e íntimo até que, de forma abrupta, isso se rompe. Resta para a mais nova o laço afetivo, agora solto da infância, que, de certa forma, também termina ali.

E, nesse entremeio, Alice cresce. E precisa crescer, as angústias da perda se misturam com o adolescer. Outros mundos desconhecidos se apresentam, mais perguntas que poderiam ser feitas surgem e a ausência, sempre presente, inaugura novas formas de se manifestar. No dia em que não fui simboliza a tentativa humana de se apropriar do território do luto e povoá-lo a partir da linguagem originada em um vínculo estranhamente feminino.

 

Thaís Campolina é escritora, mediadora de leitura e especialista em Escrita e Criação pela Unifor. Autora de livros e plaquetes, seu trabalho mais recente, “estado febril” (2024), foi publicado pela Macabéa Edições.

 

 

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