COP 30

O legado da COP 30 para os pequenos negócios

Essa conferência do clima confirmou algo que nós sempre defendemos: a Amazônia não é margem, é centro. Ela orienta, inspira e impulsiona novas formas de produzir e de entender a economia

A COP 30 encerrou sua programação em Belém, mas não se encerrou na vida dos pequenos negócios paraenses. Muito pelo contrário: ela se desdobrou em novas percepções, conexões e caminhos que agora passam a fazer parte do nosso cotidiano empreendedor. O que vivemos nestes dias foi mais do que um evento: foi a confirmação de que a economia sustentável tem rosto, tem território e tem potencial para redesenhar o futuro da Amazônia.

Essa conferência do clima confirmou algo que nós sempre defendemos: a Amazônia não é margem, é centro. Ela orienta, inspira e impulsiona novas formas de produzir e de entender a economia. E, quando o empreendedor amazônida se reconhece como protagonista dessa agenda global, ele passa a inovar com mais segurança, a criar com mais consciência e a atuar com mais ambição.

Na Amazônia, sustentar a floresta em pé não é conceito: é cotidiano. É o que acontece quando uma artesã reúne saber tradicional e design contemporâneo, quando uma produtora familiar transforma biodiversidade em alimento, quando um guia de turismo cria experiências que conectam visitantes à realidade amazônica com responsabilidade e respeito.

Crédito: Cayambe/Wikimedia

Para mim, o que realmente marca esta COP é o deslocamento de perspectiva. O pequeno negócio deixou de ser visto como “coadjuvante territorial” e passou a ser entendido como peça-chave da economia de base florestal. O mundo passou a enxergar isso. Produtos amazônicos, práticas culturais, gastronomia, artesanato, inovação e manejo sustentável passaram a ser valorizados não apenas pelo apelo ambiental, mas pelo valor econômico que carregam. A COP 30 mostrou que não existe solução global sem considerar as particularidades de cada território – e o Pará se mostrou referência nesse diálogo entre tradição e inovação.
Prova disso é o espaço que criamos para que essas centenas de pequenos negócios que já estão na linha de frente de uma nova economia para a Amazônia não ficassem nos bastidores durante a COP 30. Eles receberam um espaço próprio, com 17 mil metros quadrados, que recebeu mais de 54 mil visitantes em apenas 12 dias, incluindo pessoas de 58 nacionalidades. Lá, mais de 800 micros e pequenos empreendedores locais movimentaram R$3 milhões em vendas diretas e prospectaram outros R$12 milhões em potenciais negócios. A En-Zone (Entrepreneurship Zone) também reuniu mais de 1.500 participantes em discussões sobre turismo, inovação, sustentabilidade, crédito, florestas e bioeconomia.

A partir desta experiência, o compromisso que assumimos para os próximos anos é claro: seguir fortalecendo esse ecossistema de oportunidades, ampliando capacitações, estimulando a bioeconomia, facilitando acesso a crédito, valorizando nossa cultura e aproximando ainda mais os empreendedores dos mercados que se abriram. A COP 30 iluminou um caminho e cabe a nós mantê-lo aberto, pavimentado, ativo.

A COP 30 não encerra um ciclo. Ela inaugura um período novo, mais confiante e mais conectado. E é nesse novo capítulo que os pequenos negócios da Amazônia assumem, com legitimidade, o papel de protagonistas da transformação sustentável do país.

Rubens Magno é empresário e diretor-superintendente do Sebrae no Pará.

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