O Memorando Debray sobre a Palestina
A distância entre o que é dito (porque queremos ouvi-lo) e o que é feito (que nos repugna ver) pelos governos israelenses no local assume, para alguns, proporções de jogo duplo e, para outros, de esquizofrenia
Em outubro de 2006, o então presidente da República Francesa, Jacques Chirac, encarregou o intelectual Régis Debray de "conduzir uma pesquisa de campo sobre a situação das diversas comunidades etno-religiosas do Oriente Médio", recomendando que fosse "dirigida a todos os setores, sem exceção". Foi dentro desse quadro, entre outras observações recolhidas na região, que o autor remeteu às autoridades francesas, no dia 15 de janeiro de 2007, este memorando sobre a Palestina e os riscos implicados na utilização de expressões retóricas, empregadas dentro de certa linguagem internacional estereotipada, atualmente em vigor. Embora seja conveniente, como nos lembrou o autor, levar em conta as regras estritas do gênero "memorando diplomático" (concisão e circunspeção), este documento, corroborado em seguida por relatórios públicos e oficiais (Banco Mundial, ONU etc), é uma importante interpretação do longo desvio a cujos resultados trágicos estamos assistindo. "O processo diplomático não levou devidamente em conta as evoluções no…

