O partido da mídia já está em campanha na França
Pela primeira vez desde a Libertação dos nazistas, o espaço público francês conta com um polo midiático de extrema direita. Bem financiado, poderoso e diversificado, ele atrai a imprensa conservadora e preocupa a complexa rede dos meios liberais. Essas duas alas do jornalismo dominante trabalham agora, cada qual em seu campo, para reorganizar o cenário político em vista da eleição presidencial de 2027
Três semanas antes do primeiro turno da eleição presidencial de 1995, o conselheiro político-empresarial Alain Minc lamentava que o pleito não colocasse Édouard Balladur (Reunião pela República, direita) frente a frente com Jacques Delors (Partido Socialista, centro esquerda), dois defensores da Europa liberal: “Estávamos a um milímetro de uma campanha em um país bem desenvolvido, bem sofisticado, entre a centro-direita e a centro-esquerda, ao estilo alemão, e temos agora uma disputa muito mais marcada pelo velho tropismo francês do sonho, da ilusão e da sensação de que a política domina tudo” (LCI, 1º abr. 1995). Depois de empenhar-se em desacreditar os candidatos capazes de atrapalhar esse duelo siamês, a elite midiática francesa também repetiu sua amargura contra um povo demasiado bruto e corrompido pelo “populismo”. Frequentemente derrotada nas urnas, a esperança dos liberais sobrevive. Como um eco de trinta anos atrás, a The Economist comentou a surra eleitoral sofrida pelos…

