O povo se levanta e traz a democracia consigo!
O povo brasileiro decidiu não se prostrar e, ao se movimentar, encurtando distâncias e driblando obstáculos, trouxe a democracia consigo
Todas as probabilidades apontavam contra a democracia e o pensamento social. Os facínoras emplacavam na melhor posição do primeiro turno, assim como nas pesquisas subsequentes. O Congresso e o Senado foram varridos por extremistas desqualificados. Com um presidente de extrema-direita, a catástrofe seria iminente: direitos seriam perdidos, laços sociais se deteriorariam, as florestas minguariam… Não menos gravoso, correu-se o risco de as garras de urubu da milícia usurparem o governo federal. Mas, em vez de desanimar, o povo não se deixou convencer pelos maus ventos. Se diziam que nunca, na história, um presidente que perdeu no primeiro turno havia vencido no segundo, o povo preferiu responder: os autores do futuro somos nós! A história está em aberto e, assim, aberta a novas possibilidades! Disseram em alto e bom som: basta de derrotismo e de sentimento desmobilizador.

Crédito: Paulo Pinto/Agencia Brasil
Uma insurreição espontânea explodiu… O povo se levantou e trouxe a democracia consigo!
No sábado, dia 24 de outubro, a Avenida Paulista se nutriu com um fluxo infindável de gente, que não parava. Das ruas adjacentes, pululavam mais pessoas para alimentar a multidão. Um forte clima de coletividade se instalou. O prenúncio de uma vitória!
O maior esforço foi o do Brasil Profundo. Canoas e rabetas, barcos e balsas irrompiam pelas vias fluviais, pontilhadas de bandeiras vermelhas que apontavam para o céu. Ônibus e vans lotaram. O povo brasileiro decidiu não se prostrar e, ao se movimentar, encurtando distâncias e driblando obstáculos, trouxe a democracia consigo. Indígenas, ribeirinhos, quilombolas e o povo comum também carregavam o motor da história, o fazer da democracia, e, assim, inverteram tendências e dissiparam o pessimismo. Os autores do futuro somos nós!
O clima das mobilizações era de solidariedade, apoio mútuo e união de esforços em torno de uma causa comum. Idosos eram carregados, enquanto choravam de emoção. Ou, livres, se apoiavam em bengalas, arrastavam andadores… Não importa, uma rede espontânea de solidariedade foi posta em andamento. Muito diferente da tônica das manifestações do outro lado: palavras odiosas, clima de hostilidade, misoginia e racismo – em um desses escabrosos atos, um homem negro, vestido de vermelho, andava acorrentado a um homem branco.
Nem a deliberada obstrução eleitoral foi capaz de conter a rede de solidariedade democrática que se ergueu. Por exemplo, o lado contrário, valendo-se da máquina pública, indisponibilizou frotas de ônibus. Vias foram bloqueadas e alguns chegaram a depredar urnas para impedir que se digitassem os números 1 e 3. Nada disso adiantou, fizemos história!
Lição: “A única luta que se perde é aquela que se abandona”. O povo é resiliente. Mesmo diante da interferência dos EUA, por meio da manipulação de algoritmos nas redes sociais, mesmo diante da máquina pública dos governadores de direita montada para nos sabotar e mesmo diante de um sistema inteiro contra nós, pelo menos metade da população disse: FLÁVIO BOLSONARO JAMAIS!
Gabriel Dantas Romano é autor do livro Fúnebre Névoa.

