A ALEMANHA “PRONTA PARA A GUERRA”?

O retorno do magoado

Da hegemonia alemã, os povos europeus – os gregos, em particular – guardam a amarga lembrança dos anos 2010. No entanto, naquela época ainda vigorava o arranjo firmado em 1990, por ocasião da reunificação: motor econômico do Velho Continente, a Alemanha deixava que a França reivindicasse a supremacia militar e diplomática. Esse compromisso chegou ao fim. Desde a invasão russa da Ucrânia, Berlim reestrutura sua economia, militariza sua indústria e mima sua fabricante nacional de armas, a Rheinmetall . Esse grande rearmamento marginaliza Paris e atende aos interesses de Washington, pois, apesar das afrontas infligidas por Donald Trump, a Alemanha espera que os Estados Unidos lhe terceirizem a liderança europeia da Otan

Desta vez, chegamos lá: a Alemanha é novamente uma potência ocidental como as outras. E sua classe dirigente, livre dos escrúpulos históricos que a impediam de afirmar sua dominação sobre a Europa de outra maneira que não pela austeridade orçamentária e pelo excedente comercial, sente-se de novo investida de uma ambição propriamente nacional: construir “o Exército mais poderoso da Europa em termos convencionais”. A prioridade foi proclamada alto e bom som por Friedrich Merz já em seu primeiro discurso no Bundestag como chanceler, em 14 de maio de 2025. Essa Bundeswehr (as Forças Armadas alemãs) “pronta para a guerra”, segundo a fórmula predileta do ministro da Defesa, Boris Pistorius, servirá a um triplo objetivo econômico, militar e estratégico: reanimar um aparato industrial cambaleante; garantir proteção às regiões setentrionais e orientais da Europa contra a Rússia; e, de acordo com Washington, delegar à Alemanha a liderança europeia da Organização do Tratado…

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