ARGENTINA

Por que Alfonsín está retornando?

O regresso a Alfonsín pode ser uma tentativa de retorno a um líder com vocação progressista e profundamente transformadora, mais limpo que as lideranças atuais e melhor intencionado

Em El planisferio invertido [O mapa-mundi investido],[1] seu livro sobre Raúl Alfonsín, Pablo Gerchunoff traça um retrato não complacente, mas piedoso, do ex-presidente pelo partido União Cívica Radical. Por se tratar mais de um ensaio biográfico do que de uma biografia clássica (nasceu em tal dia, seus irmãos eram tais...), Gerchunoff propõe hipóteses, especulações contrafactuais (o que teria acontecido se Ítalo Luder tivesse vencido em 1983? E se Antonio Cafiero derrotasse Carlos Menem nas prévias peronistas?) e arrisca várias teses, entre as quais a mais interessante é a que dá título ao livro: mesmo no radicalismo, ou seja, em um partido acostumado à derrota, e mesmo em um país periférico como a Argentina, coisas grandes podem ser transformadas. A metáfora do planisfério/mapa-mundi é essa: a Argentina no centro do mundo. “A realidade”, diz Gerchunoff, “pode ser mudada, pode ser invertida. O peronismo pode perder; a Plaza de Mayo pode ser…