Quem são os recrutas da Al-Qaeda - Le Monde Diplomatique

VIOLÊNCIA

Quem são os recrutas da Al-Qaeda

por Lawrence Wright
1 de maio de 2007
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Entre sua origem, nos anos 1990, e hoje, a rede terrorista mudou o perfil de seus adeptos, revela Laurence Wright neste trecho de O vulto das TorresLawrence Wright

“Em sua origem, nos anos 1990, a maior parte dos recrutas da Al-Qaeda eram procedentes das classes média e alta, quase todos de famílias unidas. Muitos tinham cursado estudos superiores, com um gosto preferencial pelas ciências biológicas e a engenharia. Uma minoria vinha de escolas confessionais, a maior parte havia se formado na Europa ou nos Estados Unidos e falava cinco ou seis línguas. Nenhum apresentava sinais de qualquer desordem mental. Muitos não eram religiosos quando se engajaram no jihad. A geração precedente englobava membros de profissões liberais pertencentes às classes médias – médicos, professores, contadores, imãs – que foram ao Afeganistão acompanhados de suas famílias.

Entre os novos jihadistas, sobretudo os jovens e solteiros, figuravam criminosos hábeis na fabricação de documentos falsos, na utilização fraudulenta de cartões de crédito, no tráfico de drogas — todas competências que se revelaram úteis à causa. (…) Dez a vinte mil foram treinados nos campos afegãos antes que esses fossem destruídos, em 2001. (…) As cadernetas de notas de alguns recrutas revelam os objetivos milenares da organização: estabelecer o reino do Senhor sobre o planeta, tornar-se mártires em nome de Deus, purificar as colunas do Islã de fatores de depravação. (…) Os alvos continuavam a ser os soldados norte-americanos e seus veículos, mas outros inimigos do Islã foram invocados: os desertores (’os Mubarak desse mundo’), os xiitas, a América, Israel”.

(O vulto das torres, Companhia das Letras, São Paulo

Tradução: Elisa Buzzo
elisabuzzo@gmail.com

Leia mais:

Nesta edição, sobre o mesmo tema:

O Bem, o Mal e o Terrorismo

Quatro livros recém-lançados examinam o recurso à violência pessoal, a pretexto de obter reivindicações políticas. Entre os debates necessários, uma pergunta incômoda: que distingue o terror dos “inimigos” do que é praticado pelos “aliados”?

Como os EUA cultivam a impunidade

No trecho abaixo, extraído de Dining with Terrorists, Phil Rees destaca a ação da Casa Branca para livrar os soldados norte-americanos do Tribunal Penal Internacional, que julga crimes de guerra

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