O paradoxo do horror e do belo numa interpretação sobre o Brasil
Há um paradoxo entre a beleza estética do filme, suas músicas, figurinos, gírias, cenários e a violência, a brutalidade, o racismo que a história conta

Há um paradoxo entre a beleza estética do filme, suas músicas, figurinos, gírias, cenários e a violência, a brutalidade, o racismo que a história conta
De forma mais ou menos sutil, Kleber Mendonça Filho quer deixar claro que o filme trata de uma história corrente na época retratada – a ditadura –, embora a forma de contá-la seja por meio da ficção. Em períodos ditatoriais, a fala fica cortada, cabendo à ficção o papel de transmitir a experiência do terror aos contemporâneos e aos descendentes
Como as lacunas do filme espelham a incompletude – e o trabalho incessante – da justiça de transição no Brasil
O Agente Secreto evidencia, assim, a divisão social do olhar. Quem é desaparecido e quem é visto morrendo; quem vira estatística e quem vira cena; quem é reduzido a rumor e quem ganha imagem nítida aberta em carne. É nesse contraste entre o que se dá a ouvir e o que se dá a ver que o filme finca seu gesto político mais incisivo
O Agente Secreto é um filme que não pede licença, não busca exotismo e não negocia densidade
O Agente Secreto, em sua intersecção entra a realidade da ficção e a ficção da realidade, apresenta-se como uma espécie de filme-arquivo sobre o estado de espírito de uma época, mas cujo espectro, para o bem e para o mal, ainda assombra o Brasil que conhecemos hoje
O Thriller se passa em 1977, mas parece hoje, minha gente. Então não dá para saber se é Brasil de 2025 ou Brasil daquela época. Tem rico que deixou o filho da empregada morrer, após mandar a mulher sair para fazer um serviço na rua, e o menino sair pelo portão e ser atropelado. Tem cabimento?