UE deve financiar cabo submarino entre Portugal e Brasil - Le Monde Diplomatique

CABO CONTRA ESPIONAGEM

UE deve financiar cabo submarino entre Portugal e Brasil

por Viviane Vaz
11 de junho de 2015
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Projeto pode agilizar e baratear a comunicação digital entre blocos e dificultar espionagem de agências americanasViviane Vaz


A segunda reunião de chefes de Estado e de governo da União Europeia e da América Latina e do Caribe (UE-CELAC) terminou nesta quinta-feira em Bruxelas com o sinal verde de investimentos da UE para um projeto que pretende agilizar e proteger a transmissão de dados entre os dois blocos. Um novo cabo submarino de fibra óptica vai permitir a brasileiros, latino-americanos e europeus driblarem os servidores americanos ao conectar os dois continentes de forma direta e compartilharem dados de forma mais rápida e econômica.

O projeto é uma parceira público-privada formada pela empresa brasileira Telebras e pela espanhola Islalink. No ano passado, o custo do projeto foi avaliado em 185 milhões de dólares (cerca de 430 milhões de reais). A principio, a arquitetura do projeto estabelece que a Islalink terá uma participação de 45%, a Telebras de 35% e 15% virão de fundos de investimentos brasileiros. Ontem o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, prometeu que a UE destinará cerca de 25 milhões de euros para a construção do projeto.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Telebras informou que os preparativos burocráticos para alavancar a obra estão quase prontos. “Estamos em fase final de acertos com os oceanistas responsáveis pelo estudo de viabilidade do projeto que será realizado entre a Telebras e a Islalink”, informou a assessoria em Brasília. “A previsão é de lançamento no primeiro semestre de 2017”.

Hoje o Brasil se conecta a todos os países do mundo por cinco cabos submarinos. Quatro passam pelos Estados Unidos. O quinto, chamado Atlantis 2, já liga Fortaleza à Lisboa desde o ano 2000, com seis mil quilômetros de extensão. A capacidade de transmissão de dados do novo cabo submarino a ser construído sera de 30 terabytes por segundo. “Isto significa 700 vezes mais do que a capacidade atual de conexão para a Europa”, destaca a jornalista Celina Paiva em reportagem de video para o canal Conexao Minicom. “A expectativa da Telebras é que ao longo do tempo, quando o cabo estiver em operação, haja melhoria no preço (para o usuário final)”, afirma o presidente da Telebras, Francisco Ziober Filho na reportagem televisiva.

Em 26 de maio deste ano, o presidente do Conselho Regional da Guiana Francesa, Rodolphe Alexandre, comemorou pelo Twitter a futura conexão que ligará o departamento ultramarino da França na América do Sul ao cabo submarino entre Portugal e Brasil.


Para a Guiana Francesa, a grande vantagem em utilizar o cabo que partirá de Fortaleza está no percurso a ser realizado, muito mais curto e eficiente para a transmissão de dados para a Europa. A previsão é que a capacidade de transmissão sera 21% mais rápida que a atual.

Segurança e neutralidade na rede

Em Bruxelas, além de acertar detalhes para a construção do novo cabo submarino, Dilma abordou o tema da segurança na internet em reunião bilateral com a chanceler alemã, Angela Merkel. “Nos interessa continuar a nossa discussão na área de ciber-segurança e também uma cooperação na área de tecnologia digital”, afirmou Dilma aos jornalistas presentes no Conselho Europeu. Em fevereiro do ano passado, durante a reuniao UE-Brasil, Dilma elogiou a proposta de Merkel em criar uma internet baseada na Europa como forma de assegurar as comunicações.

Em entrevista ao jornal belga Le Soir esta semana, a presidenta comentou que no caso da espionagem da NSA ao Brasil, que veio à tona em 2013 com Edward Snowden, o presidente americano Barack Obama “teve uma atitude muito respeitosa, e tratou este assunto muito elegantemente”. Segundo a presidente revelou na entrevista, Obama estabeleceu grupos de trabalho para tratar o problema das escutas e lhe prometeu: “Dilma, hoje, se eu precisar de informações sobre o Brasil, eu te ligo!”

Ainda na entrevista ao jornal belga, Dilma destacou que no Fórum sobre Governança da Internet, o Brasil pediu a neutralidade da Internet, presente no marco regulatório brasileiro: “(a internet) não pode nem ser utilizada para fins comerciais, nem ideológicos, nem partidários”. Se tudo der certo, quando o novo cabo de fibra óptica estiver pronto, Dilma terá certeza de receber mais telefonemas de Obama.

 

Viviane Vaz é jornalista e escreve de Bruxelas, Bélgica.



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