A vida e a honra dos boxeadores dos Estados Unidos
Em livro a ser publicado em setembro, o sociólogo Loïc Wacquant relembra sua experiência como boxeador, trinta anos atrás, em Chicago. Analisando ao mesmo tempo a esperança de ascensão social de seus companheiros, sua vida, seu trabalho cotidiano e as privações autoimpostas para vencer suas lutas, ele homenageia um esporte cujo prestígio está em declínio
Aterrissei na academia de boxe de Woodlawn em agosto de 1988 por engano e por acidente. Eu era doutorando em Sociologia na Universidade de Chicago e procurava um ponto de observação do qual pudesse ver, ouvir e tocar de perto a realidade cotidiana do gueto. Imediatamente me pareceu impossível escrever sobre esse South Side sem realizar por ali meus passeios sociológicos, quando o lugar exibia sua miséria arrasadora sob minha varanda. E digo isso literalmente, pois a universidade me concedeu o último apartamento disponível, na divisa do bairro negro de Woodlawn, marcado a cada 200 metros pelos telefones brancos destinados a realizar chamadas de emergência para as viaturas particulares da universidade em caso de perigo. Após vários meses de uma busca infrutífera por um lugar onde eu pudesse me imiscuir para observar a cena local, um amigo francês judoca me levou ao gym [academia de boxe] da Rua 63, que…

