EXTREMA DIREITA

Violência, misoginia e poder: as disputas do antifeminismo brasileiro

O debate em torno do PL da Misoginia, das políticas educativas como o Maria da Penha Vai à Escola e da crescente presença de mulheres conservadoras na política institucional revela a disputa contemporânea pela capacidade de definir quais violências podem ser reconhecidas, quais desigualdades merecem proteção estatal e quais concepções de gênero serão legitimadas no espaço público

A deputada estadual catarinense e autodeclarada antifeminista Ana Campagnolo, em seu livro A Hidra feminista (2025, p.25), afirma que programas como o Maria da Penha Vai à Escola (Lei n. 18.549, de 20 de dezembro de 2022) representam “na prática a institucionalização da ideologia feminista que ocupará brecha no currículo escolar oficial para colocar suas garras no pescoço de todas as crianças do sistema de ensino”. A crítica sintetiza um dos principais eixos dos discursos antifeministas contemporâneos: a rejeição às iniciativas que procuram reconhecer a desigualdade de gênero como problema estrutural e objeto legítimo de intervenção estatal. Na direção oposta ao argumento mobilizado por Campagnolo, o programa Maria da Penha Vai à Escola representa um marco importante porque desloca o enfrentamento à violência contra as mulheres de uma lógica exclusivamente punitiva para uma lógica também preventiva e educativa. Seu objetivo central é promover o conhecimento da Lei Maria da Penha, dos…

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