Trump, Cuba e Guantánamo: a longa duração de um projeto imperialista
Declarações recentes de Donald Trump sobre Cuba reativam uma longa tradição histórica de pretensões anexionistas e de controle dos Estados Unidos sobre a ilha e o Caribe
As declarações recentes de Donald Trump sobre Cuba não podem ser tratadas como episódio isolado. Além das medidas de bloqueio intensificadas, em fevereiro e março de 2026, o presidente dos Estados Unidos voltou a falar em “tomada amigável” da ilha e afirmou que seria uma “honra” tomar Cuba. O vocabulário chama atenção porque recoloca em circulação uma velha linguagem de mando, como se Cuba seguisse disponível à tutela, à coerção e à intervenção de Washington. A “honra” mencionada por Trump, nesse sentido, parece residir também na possibilidade de efetivar uma ambição histórica: submeter Cuba ao controle estadunidense.
Essa linguagem não nasce com Trump, tampouco começa com a Revolução de 1959, ainda que, depois dela, a perseguição à soberania cubana tenha se tornado mais intensa, sistemática e abertamente organizada. Antes mesmo do século XX, Benjamin Franklin, John Adams, Thomas Jefferson e James Madison já apareciam, em diferentes momentos, associados a formulações anexionistas sobre Cuba. Essa linha se prolongaria na política da “fruta madura”, de 1823, segundo a qual Cuba, uma vez separada da Espanha, gravitaria naturalmente para a órbita estadunidense, e no Manifesto de Ostende, de 1854, que advertia contra a possibilidade de a ilha se converter em “um segundo São Domingos”, isto é, em uma nova experiência revolucionária negra como a haitiana. A Emenda Platt, os acordos de 1903 e a permanência da Base Naval de Guantánamo mesmo após 1934 foram, portanto, desdobramentos de uma ambição mais antiga de controle sobre Cuba e o Caribe.
Essa longa duração aparece com brutalidade no Memorando Breckenridge, de 1897. Ao tratar de Cuba, o documento propõe “limpar o país” e prescreve: “Devemos destruir tudo o que estiver ao alcance de fogo de nossos canhões. Devemos impor um bloqueio severo para que a fome e sua companheira constante, a doença, minem a população pacífica e dizimem o exército cubano”. Ao final, resume a lógica da operação: apoiar o mais fraco contra o mais forte “até que tenhamos obtido o extermínio de ambos, a fim de anexar a Pérola das Antilhas”. Além de declara o que queria para Cuba, o memorando apresenta Porto Rico como outra peça do mesmo tabuleiro, “estrategicamente localizado” para controlar a rota do Golfo do México e o futuro corredor interoceânico. O texto também revela a dimensão racial do projeto, afirmando que a expansão nas Antilhas serviria para resolver o “conflito racial interno” dos Estados Unidos por meio do “transbordamento de emigrantes negros”.

Também não é secundário que o próprio memorando situe o Oriente cubano no centro desse desenho. Santiago de Cuba e a província de Oriente aparecem como base de operações privilegiada para a invasão e para a ocupação dos portos necessários aos esquadrões norte-americanos. É nesse marco que a Base Naval de Guantánamo deve ser situada. Sua instalação, amparada pela Emenda Platt e pelos acordos de 1903, não foi acidente nem solução conjuntural, mas materialização de um projeto de controle sobre Cuba e sobre o Caribe. A ocupação da baía consolidou um enclave militar permanente e fez de Guantánamo uma evidência duradoura da ingerência estadunidense os primeiros anos da república neocolonial.
Como observa Roger Ricardo, a Base Naval de Guantánamo, a mais antiga instalação militar ultramarina dos Estados Unidos, condensa essa lógica histórica da ocupação. Torres de vigilância, cercas, postos de observação e uma paisagem militarizada materializam a divisão entre “eles” e “nós”. Embora o Departamento de Estado insista no caráter político da manutenção da base, e a Marinha a apresente como espaço privilegiado de treinamento, sua permanência se vincula a um objetivo maior: assegurar aos Estados Unidos o controle militar do Caribe, do entorno do Canal do Panamá e a rápida projeção de forças sobre a América Central e do Sul. Não por acaso, Theodore Roosevelt a definiu como base “absolutamente necessária” para esse domínio regional. Segundo Ricardo, os mais de 13 mil atos de provocação realizados por tropas estadunidenses desde 1962 também expressam essa política anticubana permanente.
A persistência desse enclave não pertence apenas ao passado. Em 29 de janeiro de 2025, Trump anunciou a preparação de uma instalação migratória em Guantánamo para até 30 mil pessoas. A escala anunciada não se realizou nesses termos, mas a base foi efetivamente reativada como espaço de detenção, triagem e confinamento migratório: em fevereiro começaram os primeiros voos e, em março, autoridades norte-americanas haviam transferido ao menos 290 detidos para Guantánamo, ainda que parte deles tenha sido retirada temporariamente. Assim, o enclave voltou a funcionar como espaço extraterritorial de confinamento, agora no marco das políticas migratórias de Trump.
Mas Guantánamo não pode ser reduzida à base. Fazer isso é repetir o enquadramento imperialista que transformou a província em sinônimo de enclave militar. Guantánamo é mais antiga do que a ocupação estadunidense e muito maior do que ela. Sua história remete aos povos originários, à resistência indígena inscrita em nomes como Hatuey, Guamá e Guayo, aos palenques, aos cimarrones, sinônimos da resistência negra contra o colonialismo escravocrata, aos conflitos agrários e às sucessivas disputas imperialistas sobre o Caribe. Com aproximadamente 465 mil habitantes ao fim de 2024, a província abriga uma vida social e cultural própria, marcada por expressões como a Tumba francesa, manifestação afro-haitiana que combina canto, dança e percussão e o Changüí, ritmo autóctone guantanamero, considerado uma das matrizes do son cubano. Recuperar Guantánamo nessa chave é recusar o olhar imperial que a reduz à base.
Há, ainda, um elemento decisivo para compreender sua formação histórica: a marca da Revolução Haitiana sobre o Caribe. A chegada de colonos franceses e espanhóis oriundos de Saint-Domingue introduziu capitais, técnicas agrícolas e novas formas de exploração escravista na região, ao mesmo tempo em que disseminou entre as elites locais o medo de que uma insurreição negra semelhante à haitiana se reproduzisse em solo cubano. Esse temor atravessou a formação social e política de Guantánamo, reforçou o conservadorismo escravista e ajuda a entender tanto a violência colonial quanto as formas de resistência organizadas no território. A província também teve participação decisiva nas lutas de independência, especialmente com Pedro Agustín Pérez, que articulou os levantes de 24 e 25 de fevereiro de 1895 e contribuiu para converter a região em eixo importante da Guerra Necessária.
Por isso, as falas recentes de Trump importam. Não porque, sozinhas, determinem um desfecho imediato, mas porque recolocam em circulação uma gramática histórica antiga: a pretensão de decidir o destino de Cuba desde fora. O Memorando Breckenridge ajuda a lembrar que o projeto de ocupar Cuba não nasce da Revolução Cubana, do socialismo ou de qualquer suposta preocupação estadunidense com o povo cubano. Trata-se de um projeto imperialista secular.
E Guantánamo, ainda hoje ocupada, segue sendo uma das demonstrações mais concretas desse projeto. Mas a história dos povos mostra que, se de um lado há o poder destrutivo do mando imperialista, de outro há a força social e cultural daqueles que resistem. Essa resistência não deve ser romantizada; seus custos são profundos e dolorosos. Ainda assim, ela deixa marcas, produz memória, cultura, dignidade e é isso que também faz de Guantánamo um território que não pode ser reduzido à violência que sobre ele se exerce.
O Memorando Breckenridge segue, na íntegra, após este texto, em português e em inglês.
O Memorando Breckenridge
“Em 24 de dezembro de 1897, J. C. Breckenridge, subsecretário de Guerra dos EUA, enviou uma lista de instruções escritas ao tenente-general Nelson A. Miles, comandante do Exército dos EUA, a respeito das aspirações e da política dos Estados Unidos em relação às ilhas do Havaí, Porto Rico e Cuba.
Poucas semanas depois de emitido o Memorando Breckenridge, em 15 de fevereiro de 1898, às 10 horas da manhã, o couraçado Maine explodiu na baía de Havana. Duzentos e sessenta marinheiros, a maioria deles negros, morreram na explosão, enquanto os oficiais, todos brancos, estavam a salvo em terra. Esse incidente foi usado pelos Estados Unidos como pretexto para intervir na guerra hispano-cubana às vésperas da vitória de Cuba sobre a Espanha.
Departamento de Guerra
Gabinete do Subsecretário
Washington, D.C.
24 de dezembro de 1897Caro senhor,
Este departamento, em conformidade com os departamentos de comércio exterior e da marinha, sente-se obrigado a completar as instruções sobre a organização militar da campanha iminente nas Antilhas com certas observações sobre a missão política que lhe caberá como general encarregado de nossas tropas. Até agora, a anexação de territórios à nossa República tem sido a de regiões vastas e pouco povoadas, e tal anexação sempre foi precedida pelo assentamento pacífico de nossos imigrantes, de modo que a absorção da população existente tem sido simples e rápida.
No que se refere às ilhas do Havaí, o problema é mais complexo e perigoso, dada a diversidade de raças e o fato de que os interesses japoneses ali estão no mesmo nível que os nossos. Mas, levando em conta sua escassa população, nosso fluxo de imigrantes tornará esses problemas ilusórios.
O problema antilhano tem dois aspectos: um relativo à ilha de Cuba e o outro a Porto Rico; além disso, nossas aspirações e políticas diferem em cada caso.
Porto Rico é uma ilha muito fértil, estrategicamente localizada no extremo leste das Antilhas, e ao alcance da nação que a possuir para governar a mais importante rota de comunicações do Golfo do México, no dia — que não tardará, graças a nós — em que se abra a passagem no istmo do Darién [o Canal do Panamá]. Essa aquisição, que devemos realizar e preservar, será fácil para nós, porque, em minha opinião, eles têm mais a ganhar do que a perder com a mudança de soberania, uma vez que os interesses ali são mais cosmopolitas do que peninsulares.
A conquista exigirá apenas medidas relativamente brandas. Nossa ocupação do território deverá ser conduzida com extremo cuidado e respeito por todas as leis entre nações civilizadas e cristãs, recorrendo-se apenas em casos extremos ao bombardeio de algumas de suas fortalezas.
A fim de evitar conflito, as tropas de desembarque aproveitarão pontos desabitados da costa sul. Os habitantes pacíficos serão rigorosamente respeitados, assim como suas propriedades.
Recomendo particularmente que o senhor tente ganhar a simpatia da raça de cor com o duplo objetivo de primeiro, obter seu apoio ao plebiscito de anexação e, segundo, impulsionar o motivo principal e o objetivo da expansão dos Estados Unidos nas Antilhas, que é resolver de modo eficiente e rápido nosso conflito racial interno, conflito que se agrava diariamente em razão do crescimento da população negra. Considerando as vantagens bem conhecidas que existem para eles nas ilhas ocidentais, não há dúvida de que, uma vez que estas caiam em nossas mãos, serão inundadas por um transbordamento de emigrantes negros.
A ilha de Cuba, território maior, tem densidade populacional superior à de Porto Rico, embora essa população esteja distribuída de modo desigual. Essa população é composta por brancos, negros, asiáticos e pessoas que são uma mistura dessas raças. Os habitantes são, em geral, indolentes e apáticos. Quanto à instrução, variam dos mais refinados aos mais vulgares e abjetos. Seu povo é indiferente à religião e, por isso, a maioria é imoral e, ao mesmo tempo, possui fortes paixões e é muito sensual. Como possuem apenas uma vaga noção do que é certo e errado, tendem a buscar prazer não por meio do trabalho, mas por meio da violência. Como consequência lógica dessa falta de moralidade, há um grande desrespeito pela vida.
É óbvio que a anexação imediata desses elementos perturbadores à nossa própria federação, em números tão grandes, seria pura loucura; portanto, antes de fazermos isso, devemos limpar o país, ainda que isso signifique empregar os métodos que a Divina Providência usou nas cidades de Sodoma e Gomorra.
Devemos destruir tudo o que estiver ao alcance de fogo de nossos canhões. Devemos impor um bloqueio severo para que a fome e sua companheira constante, a doença, minem a população pacífica e dizimem o exército cubano. O exército aliado deve estar constantemente empenhado em ações de reconhecimento e de vanguarda, de modo que o exército cubano seja irreparavelmente apanhado entre duas frentes e forçado a tomar medidas perigosas e desesperadas.
A base de operações mais conveniente será Santiago de Cuba e a província de Oriente, de onde será possível verificar a lenta invasão a partir de Camagüey, ocupando o mais rapidamente possível os portos necessários para o refúgio de nossos esquadrões em época de ciclones. Simultaneamente, ou melhor, quando esses planos estiverem plenamente em execução, um grande exército será enviado à província de Pinar del Río com o objetivo de completar o bloqueio naval de Havana, cercando-a por terra; mas sua verdadeira missão será impedir o inimigo de consolidar a ocupação do interior, dispersando colunas operativas contra o exército invasor vindo do leste. Dado o caráter inexpugnável de Havana, é inútil nos expormos a perdas dolorosas ao atacá-la.
As tropas do oeste usarão os mesmos métodos que as do leste.
Uma vez que as tropas regulares espanholas estejam dominadas e tenham se retirado, haverá uma fase de duração indeterminada de pacificação parcial, na qual continuaremos a ocupar o país militarmente, usando nossas baionetas para auxiliar o governo independente que ele constituir, ainda que informalmente, enquanto permanecer uma minoria no país. O medo, por um lado, e seus próprios interesses, por outro, obrigarão a minoria a se tornar mais forte e a equilibrar suas forças, formando uma minoria de autonomistas e espanhóis que permanecerem no país.
Quando esse momento chegar, devemos criar conflitos para o governo independente. Esse governo será confrontado com essas dificuldades, além da falta de meios para atender às nossas exigências e aos compromissos assumidos conosco, às despesas de guerra e à necessidade de organizar um novo país. Essas dificuldades devem coincidir com a agitação e a violência entre os elementos antes mencionados, aos quais devemos dar nosso apoio.
Em suma, nossa política deve sempre ser apoiar o mais fraco contra o mais forte, até que tenhamos obtido o extermínio de ambos, a fim de anexar a Pérola das Antilhas.
A data provável de nossa campanha será em outubro próximo [1898], mas devemos amarrar até o menor detalhe para estarmos preparados, caso nos vejamos na necessidade de precipitar os acontecimentos a fim de cancelar o desenvolvimento do movimento autonomista que poderia aniquilar o movimento separatista. Embora a maior parte destas instruções se baseie nas diferentes reuniões que tivemos, acolheremos de bom grado quaisquer observações que sua experiência e a ação apropriada possam aconselhar como correção, sempre, por ora, seguindo as linhas acordadas.
Atenciosamente,
J. C. Breckenridge
The Breckenridge Memorandum
On December 24, 1897, J.C. Breckenridge, US undersecretary of war, sent a list of written instructions to Lieutenant General Nelson A. Miles, Commander of the US Army, concerning US aspirations and policy towards the Hawaiian Islands, Puerto Rico and Cuba.
A few weeks after the Breckenridge Memorandum was issued, on February 15, 1898, at 10 a.m., the battleship Maine exploded in Havana Bay. Two hundred and sixty sailors, the majority of them black, died in that explosion, while the officers, all white, were safe on shore. This incident was used by the United States as a pretext to intervene in the Spanish-Cuban war on the eve of Cuba’s victory over Spain.
Department of War
Office of the Undersecretary
Washington D.C.
December 24, 1897Dear Sir,
This department, in accordance with the departments of foreign trade and the navy, feels obligated to complete the instructions on the military organization of the upcoming campaign in the Antilles with certain observations on the political mission that will fall to you as general in charge of our troops. Until now, the annexation of territories to our Republic has been that of vast, sparsely populated regions, and such annexation has always been preceded by our immigrants’ peaceful settlement, so the absorption of the existing population has been simple and swift.
In relation to the Hawaiian Islands, the problem is more complex and dangerous, given the diversity of races and the fact that the Japanese interests there are on the same footing as ours. But taking into account their meager population, our flow of immigrants will render those problems illusory.
The Antillean problem has two aspects: one related to the island of Cuba and the other to Puerto Rico; as well, our aspirations and policies differ in each case.
Puerto Rico is a very fertile island, strategically located to the extreme east of the Antilles, and within reach for the nation that possesses it to rule over the most important communications route in the Gulf of Mexico, the day (which will not tarry, thanks to us) the opening is made in the Isthmus of Darien [the Panama Canal]. This acquisition which we must make and preserve will be easy for us, because in my mind they have more to gain than to lose by changing their sovereignty since the interests there are more cosmopolitan than peninsular.
Conquest will only require relatively mild measures. Our occupation of the territory must be carried out with extreme care and respect for all the laws between civilized and Christian nations, only resorting in extreme cases to bombing certain of their strongholds.
In order to avoid conflict, the landing troops will take advantage of uninhabited points on the southern coast. Peace-loving inhabitants will be rigorously respected, as will their properties.
I particularly recommend that you try to gain the sympathy of the colored race with the double objective of first obtaining its support for the annexation plebiscite, and second, furthering the main motive and goal of US expansion in the Antilles, which is to efficiently and rapidly solve our internal race conflict, a conflict which is escalating daily due to the growth of the black population. Given the well-known advantages that exist for them in the western islands, there is no doubt that once these fall into our hands they will be flooded by an overflow of black emigrants.
The island of Cuba, a larger territory, has a greater population density than Puerto Rico, although it is unevenly distributed. This population is made up of whites, blacks, Asians and people who are a mixture of these races. The inhabitants are generally indolent and apathetic. As for their learning, they range from the most refined to the most vulgar and abject. Its people are indifferent to religion, and the majority are therefore immoral and simultaneously they have strong passions and are very sensual. Since they only possess a vague notion of what is right and wrong, the people tend to seek pleasure not through work, but through violence. As a logical consequence of this lack of morality, there is a great disregard for life.
It is obvious that the immediate annexation of these disturbing elements into our own federation in such large numbers would be sheer madness, so before we do that, we must clean up the country, even if this means using the methods Divine Providence used on the cities of Sodom and Gomorrah.
We must destroy everything within our cannons’ range of fire. We must impose a harsh blockade so that hunger and its constant companion, disease, undermine the peaceful population and decimate the Cuban army. The allied army must be constantly engaged in reconnaissance and vanguard actions so that the Cuban army is irreparably caught between two fronts and is forced to undertake dangerous and desperate measures.
The most convenient base of operations will be Santiago de Cuba and Oriente province, from which it will be possible to verify the slow invasion from Camagüey, occupying as quickly as possible the ports necessary for the refuge of our squadrons in cyclone season. Simultaneously, or rather once these plans are fully in effect, a large army will be sent to Pinar del Río province with the aim of completing the naval blockade of Havana by surrounding it on land; but its real mission will be to prevent the enemy from consolidating its occupation of the interior, dispersing operative columns against the invading army from the east. Given the impregnable character of Havana, it is pointless to expose ourselves to painful losses in attacking it.
The troops in the west will use the same methods as those in the east.
Once the Spanish regular troops are dominated and have withdrawn, there will be a phase of indeterminate duration, of partial pacification in which we will continue to occupy the country militarily, using our bayonets to assist the independent government that it constitutes, albeit informally, while it remains a minority in the country. Fear, on one hand, and its own interests on the other, will oblige the minority to become stronger and balance their forces, making a minority of autonomists and Spaniards who remain in the country.
When this moment arrives, we must create conflicts for the independent government. That government will be faced with these difficulties, in addition to the lack of means to meet our demands and the commitments made to us, war expenses and the need to organize a new country. These difficulties must coincide with the unrest and violence among the aforementioned elements, to whom we must give our backing.
To sum up, our policy must always be to support the weaker against the stronger, until we have obtained the extermination of them both, in order to annex the Pearl of the Antilles.
The probable date of our campaign will be next October [1898], but we should tie up the slightest detail in order to be ready, in case we find ourselves in the need to precipitate events in order to cancel the development of the autonomist movement that could annihilate the separatist movement. Although the greater part of these instructions are based on the different meetings we have held, we would welcome from you any observations that experience and appropriate action might advise as a correction, always, in the meantime, following the agreed upon lines.
Sincerely yours,
J.C. Breckenridge
Beatriz Gomes Cornachin é professora de Geografia, doutoranda em Economia Política Mundial pela UFABC, integrante do grupo de pesquisa FomeRI-UFPB. Morou em Guantánamo durante dez meses no âmbito do seu Doutorado Sanduíche.
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