Eleições 2026: democracia ou barbárie
Em meio à polarização política e à pressão internacional, as eleições de 2026 colocam em disputa não apenas projetos de governo, mas os próprios rumos da democracia brasileira
No próximo domingo, 4 de outubro, mais de 158 milhões de pessoas votarão para eleger deputados federais e estaduais, senadores, governadores e presidente da República. Sendo uma das eleições mais polêmicas da história do Brasil, o pleito de 2026 traz à tona questões emblemáticas que estão em jogo para os próximos anos.

Diante desse cenário, a escolha do próximo presidente é a arena política mais disputada, em uma das eleições mais apertadas desde então. Mas o que está em jogo é muito maior do que uma mera disputa entre esquerda e direita, uma polarização que vem se arrastando há alguns anos.
Para além da polarização interna, a interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras e sanções econômicas, com o intuito de eleger Flávio Bolsonaro (PL) e afastar a influência da China no Brasil, tem sido uma das marcas do presente pleito. O Brasil seria um dos últimos focos na América do Sul para tirar a esquerda do poder.
Essa interferência também foi objeto de denúncia em carta direcionada a Marco Rubio, 31 congressistas norte-americanos acusaram Trump de interferência nas eleições no Brasil, os autores denunciaram no documento as medidas adotadas pelo presidente estadunidense como o tarifaço e sanções econômicas como medidas de retaliação a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No plano interno, congressistas do PSOL e do PT denunciaram, nas redes sociais, que a Meta retirou do ar o vídeo do humorista Fábio Porchat, que expõe a ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Sem contar a crise sem precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF), o eleitor mais desatento vincula a figura de Alexandre de Moraes à de Lula, uma vez que o ministro foi figura central na prisão de Bolsonaro, mas se esquece de que o ministro foi nomeado por Michel Temer.
Flávio Bolsonaro representa a continuidade política do projeto defendido por seu pai e de um campo que questionou fortemente as instituições e resultados eleitorais nos últimos anos. Em um eventual governo, poderia indicar novos ministros para o Supremo Tribunal Federal. Uma alteração na composição da Corte poderia, portanto, produzir efeitos importantes sobre o equilíbrio institucional do país e sobre temas centrais.
É nesse contexto que ganha força o debate sobre uma “terceira via” como alternativa à polarização que domina a política brasileira. Entretanto, a configuração atual da disputa coloca Luiz Inácio Lula da Silva no centro do campo político a fim de barrar a dominação imperialista estadunidense no Brasil. Mais do que uma simples disputa entre candidatos, o atual pleito eleitoral concentra o debate em torno de projetos distintos para o país, envolvendo democracia, direitos sociais, política ambiental e soberania nacional.
Ao se considerar o balanço das políticas públicas, as realizações do governo petista ficam adormecidas pelo eleitorado que se esquece de importantes feitos. Em 2025, o Brasil voltou a ficar fora do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas. O relatório da FAO, divulgado em 2026, confirmou que o país permaneceu abaixo de 2,5% da população em situação de subnutrição no triênio 2023-2025, critério utilizado pela organização para classificar os países fora do Mapa da Fome.
Na educação, os governos Lula também estão associados a políticas como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). O Reuni foi instituído em 2007 e teve como objetivo ampliar o acesso e a permanência no ensino superior público federal. A expansão universitária iniciada em 2003, também resultou na criação de novas universidades e campi em diferentes regiões do país.
No plano habitacional, o “Minha Casa, Minha Vida”, criado em 2009 e retomado em 2023, também voltou a ocupar espaço importante na política habitacional brasileira. O programa utiliza diferentes modalidades de financiamento e subsídio para ampliar o acesso à moradia.
Também houve mudanças recentes na tributação. Desde janeiro de 2026, trabalhadores com rendimentos tributáveis mensais de até R$ 5 mil passaram a ter redução do Imposto de Renda suficiente para zerar o imposto devido, enquanto rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350 passaram a contar com redução parcial. A mudança foi estabelecida pela Lei nº 15.270/2025.
No campo econômico, por sua vez, o Brasil atravessa um período de desaceleração da atividade, em meio a um cenário internacional marcado por incertezas, conflitos geopolíticos e pressões sobre preços de energia e outros insumos. O mercado de trabalho permaneceu aquecido e o País atingiu a menor taxa de desemprego dos últimos anos, caiu para 5,3%, menor nível da série histórica começada pelo IBGE em 2012.
Cabe pontuar que a sobrevivência da democracia depende da eleição de Lula. Qual lado o eleitor escolherá? O de um projeto de governo alinhado aos interesses externos dos Estados Unidos, com a entrega das nossas riquezas, incluindo as terras raras tão cobiçadas pelos estadunidenses, e o desmonte das políticas públicas e da política ambiental? A terceira via continua sendo a reeleição de Lula, pela manutenção de direitos historicamente conquistados. Afinal, de que lado o eleitor se colocará: da democracia ou da barbárie?
Luana Luizy é jornalista pela Universidade de Brasília (UnB) e mestra em Direitos Humanos, Políticas Públicas e Cidadania pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

