A POLÍTICA DO PIOR EM NOME DO BEM

A Alemanha joga sua culpa nos ombros dos palestinos

Aliada indefectível de Israel por razões históricas facilmente compreensíveis, a Alemanha adotou desde 7 de outubro uma posição de apoio incondicional ao governo de extrema direita de Tel Aviv. Nesse processo, o país reprime as populações muçulmanas em nome da luta contra o antissemitismo

Após o ataque de 7 de outubro perpetrado pelo Hamas, o chanceler Olaf Scholz lembrou que “a segurança de Israel é razão de Estado para a Alemanha” (12 out.). Mescla de rememoração e habilidade diplomática,1 esse posicionamento assume agora um tom especial. Vários líderes progressistas alemães de primeiro plano apontaram o dedo para a população muçulmana (5,5 milhões de pessoas) como fonte de um novo antissemitismo e, portanto, como ameaça interna. Em geral na vanguarda da luta contra o racismo, o presidente Frank-Walter Steinmeier exortou “as pessoas de ascendência palestina ou árabe” a “repelir com vigor o terrorismo!” (8 nov.). Uma semana antes, o ministro da Economia, Robert Habeck, dera o tom em um vídeo publicado nas redes sociais: “Quando judias e judeus são atacados”, advertia, “os muçulmanos da Alemanha devem deixar bem claro seu distanciamento do antissemitismo a fim de não comprometerem o próprio direito à tolerância” (1º nov.).…

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